{"id":11376,"date":"2008-01-16T17:09:00","date_gmt":"2008-01-16T17:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11376"},"modified":"2008-01-16T17:09:00","modified_gmt":"2008-01-16T17:09:00","slug":"ver-e-reflectir-para-agir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ver-e-reflectir-para-agir\/","title":{"rendered":"Ver e reflectir para agir"},"content":{"rendered":"<p>2008: Igreja em Portugal <!--more--> \u201cA Igreja em Portugal \u00e9 chamada a avaliar-se a si pr\u00f3pria e \u00e0 sua ac\u00e7\u00e3o na comunidade portuguesa e \u00e0 sua miss\u00e3o\u201d, escreve D. Ant\u00f3nio Marcelino, numa reflex\u00e3o aberta a todos os crist\u00e3os.<\/p>\n<p>O Correio do Vouga publica esta semana a primeira parte de um texto que o Bispo em\u00e9rito escreveu a pedido da Ag\u00eancia Ecclesia. A reflex\u00e3o conclui-se na pr\u00f3xima semana.<\/p>\n<p>1. A Igreja, dom de Deus ao mundo, conta com a perenidade imut\u00e1vel do seu projecto e necessita, em cada tempo e lugar, de uma permanente aten\u00e7\u00e3o, para melhor servir os homens e mulheres, a quem se dirige, por for\u00e7a da sua miss\u00e3o, quer para lhes fazer o primeiro an\u00fancio, quer para fortalecer e comprometer os j\u00e1 integrados, como seus membros.<\/p>\n<p>Dadas as mudan\u00e7as que se operam na sociedade e afectam a vida das pessoas, cada ano que come\u00e7a, porque o tempo conta na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, pode constituir para a Igreja uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para reflectir sobre a fidelidade a Deus e aos homens e mulheres deste mundo em que vivemos e de que somos cidad\u00e3os. Poder\u00e1 assim verificar se a perenidade do projecto e o cuidado da criatividade pastoral, andam juntos no seu agir.<\/p>\n<p>2. Logo no in\u00edcio deste ano pastoral de 2007\/2008, na visita Ad Limina, os bispos portugueses ouviram directamente do Papa Bento XVI um apelo fraterno que constituiu, tamb\u00e9m, uma palavra de ordem na linha da constru\u00e7\u00e3o permanente dos caminhos de comunh\u00e3o, os quais implicam \u201cmudar o estilo de organiza\u00e7\u00e3o da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros, para se ter uma Igreja ao ritmo do Vaticano II\u201d. Tudo isto, insistiu o Papa, obriga a clarificar bem a fun\u00e7\u00e3o do clero e do laicado, porque \u00e9 preciso ter em conta que \u201ctodos somos um, desde quando fomos baptizados e integrados na fam\u00edlia dos filhos de Deus, e todos somos correspons\u00e1veis pelo crescimento da Igreja.\u201d<\/p>\n<p>Nesta linha, Bento XVI chama ainda a aten\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis para alguns pontos fundamentais da vida e da miss\u00e3o da Igreja, tais como: Igreja que n\u00e3o deve falar \u00e0s pessoas primariamente de si, mas de Deus, tenha sempre no seu horizonte a eclesiologia de comunh\u00e3o, d\u00ea prioridade pastoral \u00e0 inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 feita no seu seio, provoque, pela ac\u00e7\u00e3o e pelo testemunho, o encontro pessoal com Jesus Cristo, dado que \u00e9 este o objectivo essencial da miss\u00e3o e do processo evangelizador.<\/p>\n<p>3. Subjacentes a estas preocupa\u00e7\u00f5es e objectivos pastorais, est\u00e3o, certamente, as dificuldades pr\u00f3prias da ac\u00e7\u00e3o da Igreja numa sociedade em mudan\u00e7a cultural, onde se depara com o laicismo e o pluralismo expresso a todos os n\u00edveis, as aquisi\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas e os desvios da modernidade, a globaliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, o fasc\u00ednio da gente nova, e n\u00e3o s\u00f3, pelas conquistas tecnol\u00f3gicas. <\/p>\n<p>Em resumo, h\u00e1 que contar com a passagem r\u00e1pida de um mundo tradicional e fechado a um mundo urbano e sem fronteiras e, no campo eclesial, a passagem progressiva, embora lenta, de um laicado pouco instru\u00eddo, passivo e acolhedor, ao ressurgir insistente de pessoas e de grupos, que, pela sua forma\u00e7\u00e3o, ganham consci\u00eancia do seu lugar na comunidade crist\u00e3, dos seus direitos e deveres, como membros do Povo de Deus, e trazem \u00e0 Igreja o dinamismo de um fermento novo, vivo e impar\u00e1vel.<\/p>\n<p>4. A Igreja em Portugal \u00e9, deste modo, chamada, sem interregnos, a avaliar-se a si pr\u00f3pria e \u00e0 sua ac\u00e7\u00e3o na comunidade portuguesa e \u00e0 sua miss\u00e3o, aberta a um mundo sem fronteiras, porque n\u00e3o as tem nem a f\u00e9, nem o amor; a reflectir sobre os caminhos que est\u00e1 percorrendo e o sentido dos mesmos; a tomar consci\u00eancia at\u00e9 que ponto ela \u00e9 \u201ccasa e escola de comunh\u00e3o\u201d para todos; a ponderar como gasta o seu tempo, as energias dos seus mais diversos respons\u00e1veis, leigos, clero e consagrados, bem como os meios materiais de que disp\u00f5e; a tomar o pulso a si mesma, para ver se \u00e9 uma Igreja que torna vis\u00edvel o Povo de Deus, como tal, e aparece ao mundo como serva e pobre, fiel e sens\u00edvel aos que mais precisam, nos aspectos material e social, espiritual e evang\u00e9lico; a perguntar-se, com realismo, se tem verdadeira consci\u00eancia de que n\u00e3o \u00e9 dona de ningu\u00e9m, pessoas e territ\u00f3rios, nem \u00e9 apenas uma institui\u00e7\u00e3o bem organizada, voltada para dentro, para se conservar e defender, mas um Povo que caminha com rumo certo, animado pela f\u00e9, testemunhando esperan\u00e7a, servindo com amor, vivendo a urg\u00eancia de que chegue a todos o Evangelho de Cristo e n\u00e3o se perca nenhum daqueles que acreditam em Jesus Cristo e se dispuseram a segui-lo.<\/p>\n<p>5. A Igreja em Portugal tem o dever de olhar, com a sabedoria e a for\u00e7a do Esp\u00edrito, mais ao largo e para al\u00e9m dos limites do templo; de perscrutar e discernir \u201cos sinais dos tempos\u201d, j\u00e1 \u00e0 vista uns, outros ainda encobertos por uma neblina que passa depressa; de ver, corajosamente, at\u00e9 que ponto \u00e9 subsidi\u00e1ria de um mundo passageiro pelos crit\u00e9rios de ju\u00edzo e de ac\u00e7\u00e3o, rela\u00e7\u00e3o com os poderosos, ocupa\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, defesa de privil\u00e9gios que n\u00e3o a levam a melhor servir, ou se \u00e9, de modo inequ\u00edvoco, sinal de um Deus, que deu a cara em Jesus Cristo, para que todos sejam salvos.<\/p>\n<p>Tem ainda o dever de perceber, para intervir no espa\u00e7o pr\u00f3prio e onde n\u00e3o se pode calar, qual o rumo da sociedade portuguesa, por for\u00e7a das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e p\u00fablicas dos seus \u00f3rg\u00e3os de soberania e dos dinamismos culturais e ideol\u00f3gicos que nela actuam, e verificar como tudo isso reconhece e respeita ou n\u00e3o a pessoa humana com os seus direitos de uma leg\u00edtima cidadania e abertura aos deveres normais, bem como verificar como se t\u00eam em aten\u00e7\u00e3o as exig\u00eancias de uma correcta organiza\u00e7\u00e3o social ao servi\u00e7o de todos e que a todos proporcione, com normalidade, aquilo a que t\u00eam direito. Assim mostrar\u00e1 o compromisso social da f\u00e9, testemunhando que est\u00e1, sempre e em tudo, do lado da verdade e da paz, da justi\u00e7a e da defesa dos mais d\u00e9beis.<\/p>\n<p>6. O mundo plural e laico, em que vive e actua a Igreja em Portugal, liberta-a de defender posi\u00e7\u00f5es do passado, mas obriga-a a ver, dado que est\u00e1 implantada no seio de uma comunidade democr\u00e1tica, qual o seu lugar no presente e quais as exig\u00eancias postas \u00e0 sua miss\u00e3o espiritual e humanizadora. <\/p>\n<p>Neste contexto, tem perfeita legitimidade o papel de reivindicar o respeito devido \u00e0 sua natureza institucional, ao patrim\u00f3nio hist\u00f3rico, humano e cultural, que gerou e de que \u00e9 detentora, ao alcance social da sua postura p\u00fablica, ontem e hoje, frente \u00e0 realidade, \u00e0 defesa dos valores essenciais e \u00e0s necessidades dos mais pobres e provados pela dificuldades da vida. N\u00e3o se trata de se defender ou de defender privil\u00e9gios de fora do tempo, mas, pese embora a um laicismo apostado em apagar a mem\u00f3ria hist\u00f3rica, de mostrar como realiza e sempre realizou, por exig\u00eancia da sua miss\u00e3o e da sua f\u00e9, um servi\u00e7o \u00e0 sociedade, enriquecendo-a de muitos modos e evitando o seu maior empobrecimento cultural e moral.<\/p>\n<p>(Continua na pr\u00f3xima semana)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2008: Igreja em Portugal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-11376","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11376","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11376"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11376\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}