{"id":11378,"date":"2008-01-16T17:14:00","date_gmt":"2008-01-16T17:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11378"},"modified":"2008-01-16T17:14:00","modified_gmt":"2008-01-16T17:14:00","slug":"uma-estupenda-maratona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-estupenda-maratona\/","title":{"rendered":"Uma estupenda maratona"},"content":{"rendered":"<p>Testemunho do Pe Jos\u00e9 Manuel,  p\u00e1roco de Requeixo e vig\u00e1rio paroquial de S. Bernardo, sobre a morte de sua m\u00e3e<\/p>\n<p>Atingiu a meta. <\/p>\n<p>Foram noventa e tr\u00eas anos ricos de uma vida intensa, mas discreta e serena, no remanso do lar, apesar dos variados problemas que surgiram ao longo da vida, onde, junto com o marido com quem casara, criou os filhos e lutou pelo sustento da fam\u00edlia, agarrada a uma m\u00e1quina de costura.<\/p>\n<p>Maria Augusta Marques da Silva foi o nome que lhe deram os pais, quando a levaram \u00e0 pia baptismal da matriz de S.ta Cruz de Albergaria-a-Velha. Ali, no lugar de Campinho, cresceu, um pouco \u00e0 sombra do grande chor\u00e3o (que j\u00e1 n\u00e3o existe) perto dos tanques, muito perto da oficina de serralharia de seu pai, Jos\u00e9 Ferreira de Almeida, e muito mais perto da igreja, onde celebrou o seu casamento, no dia 2 de Janeiro de 1937, com Francisco Jos\u00e9 Nunes Pereira.<\/p>\n<p>Do casamento nasceram cinco filhos: a Maria de F\u00e1tima, a Gl\u00f3ria de Jesus (que j\u00e1 est\u00e1 na Casa do Pai), a Fernanda do Nascimento, o Jos\u00e9 Manuel e, finalmente, a Maria Rita. E foi no aconchego do lar que esta mulher, de apar\u00eancia fr\u00e1gil, mas segura das suas convic\u00e7\u00f5es, nos foi educando a todos, ensinando-nos a rezar, bem como as primeiras letras, junto \u00e0 sua m\u00e1quina de costura. De facto, antes de entrarmos na catequese ou na escola, j\u00e1 todos sab\u00edamos as ora\u00e7\u00f5es mais importantes para as nossas idades; j\u00e1 todos sab\u00edamos juntar as letras e ler aqueles textos que, mais tarde, nos ocupariam os tempos escolares. Tanto a m\u00e3e como o pai liam sempre que podiam e o tempo dispon\u00edvel lhes permitia. Ela mesma cultivou este gosto da leitura at\u00e9 h\u00e1 bem pouco tempo, tendo sentido algum desgosto por j\u00e1 n\u00e3o poder dispor da vista para ler o que ultimamente mais a ocupava: as biografias dos santos.<\/p>\n<p>Suportou o peso e as ang\u00fastias de duas grandes guerras: a de 14-18 e a de 39-45, esta \u00faltima agravada j\u00e1 pelo conflito que a antecedeu na vizinha Espanha; suportou ainda, com aquele sofrimento silenciado no cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e, a partida do filho para a designada \u201cguerra colonial\u201d, por dois longos anos e meio, nos matos de Mo\u00e7ambique, de 6 de Outubro de 1971 a 16 de Abril de 1974.<\/p>\n<p>Teve ainda de suportar uma longa viuvez, pois o marido faleceu-lhe em Maio de 1968 e, de algum modo, era ele o sustento garantido da casa, embora as filhas mais velhas j\u00e1 tivessem uma vida profissional. Mas estava o Jos\u00e9 Manuel, ent\u00e3o no semin\u00e1rio, a estudar a teologia, e a filha mais nova, que necessita de acompanhamento permanente, como inquieta\u00e7\u00f5es do seu cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e.<\/p>\n<p>Soube vencer serenamente e sem queixumes as diferentes agruras da vida. Se os teve, n\u00e3o os fazia em voz alta diante dos filhos: talvez diante de Deus no sil\u00eancio da sua ora\u00e7\u00e3o! Mas, certamente, ia buscar as for\u00e7as \u00c0quela em quem sempre confiou como Senhora do Socorro, a M\u00e3e a quem os albergarienses se habituaram a recorrer em todas as horas do dia e da vida, desde que nasceram, e que se venera no monte da sua invoca\u00e7\u00e3o. Fez da sua vida uma ora\u00e7\u00e3o e a rezar se entregou nas m\u00e3os do Pai.<\/p>\n<p>Atingiu a meta no dia em que, por esse mundo fora se organizam grandes maratonas de renome. Nunca se inscreveu em qualquer delas. Tamb\u00e9m pouco sabia acerca delas e do atletismo. Mas correu a sua pr\u00f3pria maratona, n\u00e3o para receber a cora de louros no est\u00e1dio, mas aquela coroa de gl\u00f3ria que est\u00e1 reservada no c\u00e9u \u00e0queles que correm por Cristo.<\/p>\n<p>Poucos dias antes, tinha afirmado que a sua vida n\u00e3o passaria de 2007. Em linguagem terrena n\u00e3o passou; mas, de facto, foi no dia de S. Silvestre que ela \u201cpassou\u201d, celebrou a sua \u201cpesha\u201d, viveu a sua P\u00e1scoa com Cristo, no ambiente da viv\u00eancia do Mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o. Ela que celebrou o nascimento do Deus-Connosco, sentada \u00e0 mesa com os filhos na noite de consoada, celebrando mais um anivers\u00e1rio da Fernanda, e se voltou a sentar \u00e0 mesa, rodeada dos filhos no Dia de Natal, aceitou serenamente o convite para se sentar \u00e0 mesa da Casa do Pai, na oitava do nascimento do Filho. Nesse dia, a Igreja celebra Santa Maria, M\u00e3e de Deus. Estou certo que Maria, a M\u00e3e de Deus e a M\u00e3e dos homens, estava encostada \u00e0 ombreira da porta da Casa, com um sorriso acolhedor, \u00e0 espera desta sua filha para a levar ao encontro do Filho.<\/p>\n<p>P.e Jos\u00e9 Manuel<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Testemunho do Pe Jos\u00e9 Manuel, p\u00e1roco de Requeixo e vig\u00e1rio paroquial de S. Bernardo, sobre a morte de sua m\u00e3e Atingiu a meta. 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