{"id":11382,"date":"2008-01-16T17:22:00","date_gmt":"2008-01-16T17:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11382"},"modified":"2008-01-16T17:22:00","modified_gmt":"2008-01-16T17:22:00","slug":"um-mundo-de-gente-encrespada-e-desiludida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-mundo-de-gente-encrespada-e-desiludida\/","title":{"rendered":"Um mundo de gente encrespada e desiludida"},"content":{"rendered":"<p>Parece que andamos todos a jogar taco a taco ou desconfiados de quem passa ao nosso lado, como se fosse um inimigo. Todos os dias, pol\u00e9micas, desmentidos, respostas tortas e crispadas, opini\u00f5es a pretender ser moeda \u00fanica na comunica\u00e7\u00e3o. Todos os dias a parecer que as rela\u00e7\u00f5es sociais e o direito de cidadania e de express\u00e3o t\u00eam de ser inspirados no pr\u00f3s e contras. Cada vez mais frequentes as manifesta\u00e7\u00f5es de rua que, anos atr\u00e1s, eram apenas por raz\u00f5es laborais e hoje, tamb\u00e9m, para expressar direitos fundamentais \u00e0 sa\u00fade, que s\u00f3 este campo d\u00e1 raz\u00f5es, sem conta, para crispar as pessoas.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que s\u00f3 o governo fornece mat\u00e9ria de sobra para esta irrita\u00e7\u00e3o colectiva, que j\u00e1 deixa poucos de fora, pouco mais que a gente que vive longe de Lisboa, que, quando se sente esmagada ou esquecida, mostra a coragem e a sabedoria da vida que leva consigo. Ent\u00e3o n\u00e3o se cala, como o cego de nascen\u00e7a do Evangelho, que \u00e9 mandado calar por quem n\u00e3o quer ser incomodado, mas o faz gritar ainda mais. Na persist\u00eancia teve a cura, porque algu\u00e9m, por quem gritava, o ouviu. Mas esse foi Jesus, n\u00e3o o ministro da sa\u00fade&#8230;<\/p>\n<p>Na vida em sociedade h\u00e1 coisas ambivalentes e dif\u00edceis, que n\u00e3o se esclarecem s\u00f3 porque sim e n\u00e3o se implementam validamente, s\u00f3 pela for\u00e7a f\u00e9rrea de quem manda. <\/p>\n<p>H\u00e1 resigna\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 aceita\u00e7\u00e3o e a resigna\u00e7\u00e3o pode sempre levar ao \u201cj\u00e1 basta\u201d.<\/p>\n<p>Quem det\u00e9m a autoridade, pais, professores, bispos e padres, ministros e subalternos at\u00e9 ao extremo dos agentes de seguran\u00e7a p\u00fablica, precisa de saber que, se j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 igual quem \u00e9 chamado a obedecer, tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser igual quem det\u00e9m a autoridade. <\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de subverter o papel da autoridade, mas sim de a compreender e exercer como servi\u00e7o, respeito pelos s\u00fabditos, sejam eles quem forem, di\u00e1logo normal que j\u00e1 ningu\u00e9m dispensa, nem sequer os mi\u00fados dos jardins-de-inf\u00e2ncia. Depois, tamb\u00e9m a consci\u00eancia de que opini\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o dogmas; e a grandeza de alma para reconhecer que nem sempre o que se mandou estava certo e era o melhor, ou que n\u00e3o foi previamente dialogado e justificado. A teimosia n\u00e3o \u00e9 for\u00e7a de raz\u00e3o.<\/p>\n<p>A n\u00edvel nacional os factos multiplicam-se todos os dias: o lugar do aeroporto, o furor da ASAE, a administra\u00e7\u00e3o BCP, as medidas precipitadas na sa\u00fade, a sobrecarga das urg\u00eancias j\u00e1 tornadas \u00e1trios de morte, o eterno problema das escolas, a pol\u00e9mica lei do tabaco, a dan\u00e7a das pens\u00f5es de reforma, as leis do trabalho, o disparado custo de vida, os impostos, o desemprego sempre a crescer, enfim e acima de tudo o manifesto desfasamento entre o discurso dos governantes e a vida das pessoas\u2026<\/p>\n<p>Parece que o governo, que at\u00e9 tem tomado medidas necess\u00e1rias, decidiu ouvir pouco ou mesmo nada, com excep\u00e7\u00e3o para os grupos de press\u00e3o, escondidos atr\u00e1s de anonimatos e v\u00e9nias. Para o povo e seus representantes naturais e as diversas institui\u00e7\u00f5es que com ele lidam de perto e sabem interpretar os seus sentimentos e seus desejos n\u00e3o h\u00e1 tempo. <\/p>\n<p>J\u00e1 algu\u00e9m disse que as diversas autoridades, e disse-o olhando os governantes, s\u00e3o \u201cventr\u00edloquos\u201d. Como a tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 de todos, pode estender-se a outros com poder de decis\u00e3o. Quem fala s\u00f3 para dentro ou s\u00f3 fala de si, d\u00e1 nota de merecer especial aten\u00e7\u00e3o. A comunica\u00e7\u00e3o normal \u00e9 feita com os outros, para que possa ter eco, resposta e parceria colaborante nas decis\u00f5es a tomar. <\/p>\n<p>Muito deste clima encrespado evitava-se e ter\u00edamos mais conc\u00f3rdia e colabora\u00e7\u00e3o, se todos valessem por si e fossem mais responsabilizados na resposta \u00e0s necessidades emergentes. O governo, para poder estimular quem serve e apoiar quem age, tem de ter abertura, proximidade normal das pessoas, di\u00e1logo construtivo.<\/p>\n<p>Se entramos no \u201choje sim, amanh\u00e3 n\u00e3o\u201d, jamais se saber\u00e1 a ponta a pegar na conversa. Isto leva \u00e0 cr\u00edtica f\u00e1cil, ao arredar dos mais v\u00e1lidos, ao ascender dos mais in\u00fateis, \u00e0 escolha de criados de servi\u00e7o, a que se dispensam opini\u00f5es e se favorecem aspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parece que andamos todos a jogar taco a taco ou desconfiados de quem passa ao nosso lado, como se fosse um inimigo. Todos os dias, pol\u00e9micas, desmentidos, respostas tortas e crispadas, opini\u00f5es a pretender ser moeda \u00fanica na comunica\u00e7\u00e3o. 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