{"id":11387,"date":"2008-01-23T14:39:00","date_gmt":"2008-01-23T14:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11387"},"modified":"2008-01-23T14:39:00","modified_gmt":"2008-01-23T14:39:00","slug":"terrorismo-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/terrorismo-cultural\/","title":{"rendered":"Terrorismo cultural?&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Editorial <!--more--> \u201cSimples como as pombas, prudentes como as serpentes\u201d\u2026 N\u00e3o se trata de criar barreiras ou reservas \u00e0 confian\u00e7a nas pessoas. Mas a senten\u00e7a do Mestre suscita alguma preocupa\u00e7\u00e3o, quando se abrem todas as janelas do di\u00e1logo e da toler\u00e2ncia, no clima do mais l\u00edmpido desejo de partilhar opini\u00f5es e exprimir convic\u00e7\u00f5es diferentes, em busca da verdade, recebendo-se, em troca, o impacto de reac\u00e7\u00f5es de radical intoler\u00e2ncia, por parte de minorias de bloqueio, desrespeitadoras de maiorias com vis\u00e3o diferente.<\/p>\n<p>Assistimos at\u00f3nitos a esta esp\u00e9cie de \u201cterrorismo cultural\u201d, absolutamente m\u00edope, ignorante da hist\u00f3ria: da funda\u00e7\u00e3o da Universidade romana La Sapienza, da comprovada fecundidade cultural da Igreja cat\u00f3lica, da sua capacidade de autocr\u00edtica com o reconhecimento de lapsos do passado ou do presente. Para al\u00e9m da estr\u00e1bica aprecia\u00e7\u00e3o da figura de Bento XVI, a quem, quer se goste ou n\u00e3o, se n\u00e3o pode negar uma invej\u00e1vel envergardura intelectual, indiscut\u00edvel capacidade filos\u00f3fica, devotada entrega \u00e0 busca da verdade. E sempre descontextualizando as suas cita\u00e7\u00f5es, transformando-as perversamente em afirma\u00e7\u00f5es que n\u00e3o fez. E ignorando o seu longo e persistente itiner\u00e1rio em busca de uma m\u00fatua coopera\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o e da f\u00e9.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o desenrolar das reac\u00e7\u00f5es a esta falta de respeito pelo pensar alheio, a esta usurpa\u00e7\u00e3o do direito de pensar e dizer, quer por parte da comunidade acad\u00e9mica, quer por parte de pensadores (as) not\u00e1veis, bem como da multid\u00e3o que acorreu a desagravar o Santo Padre, \u00e9 bem a express\u00e3o do mal-estar instalado no mundo de quem pensa. A liberdade de pensamento e de express\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3xima v\u00edtima do desleixo de quem deve balizar o \u201cdireito \u00e0 indigna\u00e7\u00e3o\u201d de grupos min\u00fasculos, sempre que este colide com direitos fundamentais da pessoa.<\/p>\n<p>Nem outra coisa seria de esperar: o mutismo de personalidades conotadas com o laicismo militante, a come\u00e7ar pelos governantes de v\u00e1rios pa\u00edses da Europa, que a\u00ed ter\u00e3o encontrado inspira\u00e7\u00e3o para as suas cruzadas futuras, na sequ\u00eancia de programas legislativos &#8211; sobretudo educativos e culturais &#8211; vincadamente avessos ao pluralismo de ideias e convic\u00e7\u00f5es, a coberto da fraude da neutralidade.<\/p>\n<p>A abertura e o di\u00e1logo sup\u00f5em o reconhecimento e respeito m\u00fatuo: de credos pol\u00edticos, sociais, culturais e religiosos; de institui\u00e7\u00f5es laicas ou confessionais. E pressuposto b\u00e1sico para tal \u00e9 a capacidade de ouvir os outros, mesmo que seja para discordar a seguir. <\/p>\n<p>O Papa deu o exemplo de quem respeita. E evitou o confronto violento. Mas n\u00e3o deixou de afirmar o seu pensamento, enviando o texto da sua comunica\u00e7\u00e3o, o qual demonstrou \u00e0 saciedade que as suas inten\u00e7\u00f5es eram de di\u00e1logo. N\u00e3o deixou a \u201ccandeia debaixo do alqueire\u201d, apesar das tempestades anunciadas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editorial<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-11387","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11387\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}