{"id":1139,"date":"2010-03-31T12:02:00","date_gmt":"2010-03-31T12:02:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1139"},"modified":"2010-03-31T12:02:00","modified_gmt":"2010-03-31T12:02:00","slug":"recurso-a-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/recurso-a-violencia\/","title":{"rendered":"Recurso \u00e0 viol\u00eancia?"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Algumas \u00abvozes autorizadas\u00bb t\u00eam chamado a aten\u00e7\u00e3o para o risco de uma explos\u00e3o social violenta. Algumas vozes contestat\u00e1rias t\u00eam lan\u00e7ado o mesmo alerta, que tamb\u00e9m pode ser percebido como amea\u00e7a. E, nas conversas de rua, n\u00e3o faltam explos\u00f5es de viol\u00eancia verbal,  defendendo que \u00abexpluda isto tudo\u00bb porque \u00abn\u00e3o se pode aguentar mais\u00bb. De entre os focos potenciais de viol\u00eancia encontram-se n\u00e3o tanto as pessoas em situa\u00e7\u00f5es desesperadas mas sobretudo as que desejam mobilizar esse desespero. V\u00e1rios comentadores v\u00eam alimentando o clima de desespero e revolta que, agora, se encontra refor\u00e7ado com os processos inquisitoriais desencadeados pela justi\u00e7a popular. <\/p>\n<p>Justifica-se o recurso \u00e0 viol\u00eancia para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas do pa\u00eds? &#8211; A Doutrina Social da Igreja, no n\u00ba. 401 do respectivo \u00abComp\u00eandio\u00bb, oferece-nos uma resposta digna de atenta pondera\u00e7\u00e3o. Segundo esta doutrina, \u00aba resist\u00eancia \u00e0 opress\u00e3o do poder pol\u00edtico\u00bb s\u00f3 poder\u00e1 recorrer \u00ab\u00e0s armas\u00bb, quando verificadas as seguintes condi\u00e7\u00f5es: \u00ab(1) &#8211; Em caso de viola\u00e7\u00f5es (&#8230;) graves e prolongadas dos direitos fundamentais; (2) &#8211; depois de ter esgotado todos os outros recursos; (3) &#8211; sem provocar desordens piores; (4) &#8211;  havendo esperan\u00e7a fundada de \u00eaxito; (5) &#8211; e n\u00e3o sendo poss\u00edvel prever razoavelmente solu\u00e7\u00f5es melhores\u00bb.<\/p>\n<p>Na situa\u00e7\u00e3o portuguesa actual, n\u00e3o se verifica nenhuma destas condi\u00e7\u00f5es. Infelizmente, a primeira  verifica-se, por certo, num elevado n\u00famero de de pessoas; n\u00e3o \u00e9 essa, por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o da maioria dos portugueses. Poder\u00e1 at\u00e9 acrescentar-se que o facto de a maioria n\u00e3o se encontrar oprimida nos convida a interrogarmo-nos, em \u00abexame de consci\u00eancia\u00bb pessoal e colectivo: Estaremos a fazer tudo o que \u00e9 poss\u00edvel para a erradica\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o? N\u00e3o seremos tamb\u00e9m n\u00f3s, porventura, agentes ou c\u00famplices da opress\u00e3o? &#8211; Tenhamos bem presente que, pelo menos, a opress\u00e3o econ\u00f3mico-social se encontra largamente difundida em toda a sociedade portuguesa; talvez seja muito baixa a percentagem de quem se encontra isento de culpa. Tendo isto em conta, a via da contesta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica perde grande parte da sua legitimidade origin\u00e1ria, quando os contestat\u00e1rios recusam a via do di\u00e1logo ou quando n\u00e3o apresentam propostas sustent\u00e1veis ou, ainda, quando n\u00e3o assumem as suas responsabilidades, transferindo-as ou n\u00e3o Estado ou para outras entidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-1139","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1139"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1139\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}