{"id":11436,"date":"2008-01-23T16:24:00","date_gmt":"2008-01-23T16:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11436"},"modified":"2008-01-23T16:24:00","modified_gmt":"2008-01-23T16:24:00","slug":"igreja-estado-terceira-fase","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/igreja-estado-terceira-fase\/","title":{"rendered":"Igreja-Estado &#8211; terceira fase"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> At\u00e9 ao s\u00e9culo XIX, a ac\u00e7\u00e3o social da Igreja prevaleceu em rela\u00e7\u00e3o ao poder pol\u00edtico. Mesmo quando o respectivo financiamento provinha deste poder, ou quando era ele pr\u00f3prio a tomar as iniciativas de car\u00e1cter social, prevaleciam em geral as orienta\u00e7\u00f5es eclesiais.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX, com a revolu\u00e7\u00e3o liberal, ocorreu um movimento de sentido contr\u00e1rio e, da\u00ed, uma nova fase nas rela\u00e7\u00f5es entre a Igreja e o Estado: o Estado passou a orientar-se por princ\u00edpios laicos, op\u00f4s-se n\u00e3o raro \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es da Igreja, criou os seus pr\u00f3prios equipamentos sociais e, gradualmente, consagrou e garantiu direitos neste dom\u00ednio; tamb\u00e9m gradualmente, os equipamentos da Igreja (creches, lares, actividades de tempos livres&#8230;) pas-saram a integrar-se no ordenamento jur\u00eddico definido pelo Estado. E isso aconteceu com tal intensidade que alguns respons\u00e1veis da Igreja se t\u00eam interrogado se tais equipamentos n\u00e3o estar\u00e3o a funcionar como verda-deiros prolongamentos da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. <\/p>\n<p>A preval\u00eancia do Estado \u00e9 aparente, porque a ac\u00e7\u00e3o socioeclesial n\u00e3o se reduz \u00e0s actividades dos equipamentos; com efeito, ela abrange, para al\u00e9m destes, as actividades de: a) &#8211; contacto directo com as pessoas necessitadas; b) &#8211;  conhecimento solid\u00e1rio dos respec-tivos problemas; c) &#8211; e orienta\u00e7\u00e3o pastoral. O contacto directo efectua-se particularmente atrav\u00e9s de grupos de ac\u00e7\u00e3o social, sem preju\u00edzo do papel das institui\u00e7\u00f5es. O conhecimento solid\u00e1rio baseia-se, fundamentalmente, nesses contactos. E entre as actividades de orienta\u00e7\u00e3o figuram: a anima\u00e7\u00e3o motivadora para a pr\u00e1tica social; a coordena\u00e7\u00e3o da mesma; e a espiritualidade baseada na ac\u00e7\u00e3o social (sem exclusivo, evidentemente) e reflectindo-se nela.<\/p>\n<p>Quanto mais se desenvolverem estes tr\u00eas conjuntos de actividades mais se real\u00e7am as que s\u00e3o espec\u00edficas da Igreja, e  tamb\u00e9m fica mais claro que a Igreja e o Estado se si-tuam em planos diferentes; entra-se realmente numa terceira fase. Nela, n\u00e3o prevalece a Igreja em rela\u00e7\u00e3o ao Estado &#8211; como aconteceu na primeira &#8211; nem a rela\u00e7\u00e3o inversa &#8211; como aconteceu na segunda &#8211; mas sim a diferencia\u00e7\u00e3o de identidades, cada uma com a sua autonomia.<\/p>\n<p>Consegue-se assim que a \u00abactividade caritativa da Igreja \u00abmantenha todo o seu esplendor e n\u00e3o se dissolva na organiza\u00e7\u00e3o assistencial comum, tornando-se uma simples variante da mesma\u00bb (\u00abDeus Caritas Est\u00bb, n\u00ba. 31). \u00c0 luz desta perspectiva, parece recomend\u00e1vel que as dificuldades actuais no relacionamento com o Estado, relativas aos ATL e a outras quest\u00f5es, sejam aproveitadas n\u00e3o s\u00f3 para se preservarem servi\u00e7os socioeclesiais necess\u00e1rios, control\u00e1veis pelo Estado, mas tamb\u00e9m para se intensificar e tornar mais vis\u00edvel a pr\u00e1tica de outros servi\u00e7os que est\u00e3o fora deste controlo e de qualquer concorr\u00eancia. Trata-se, em suma, dos servi\u00e7os de solicitude em rela\u00e7\u00e3o a outrem e a toda a humanidade; solicitude n\u00e3o redut\u00edvel \u00e0 tecnicidade, \u00abindependente de partidos e ideologias\u00bb e n\u00e3o subordinada ao proselitismo religioso (ibidem).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-11436","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11436","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11436"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11436\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}