{"id":11441,"date":"2008-01-30T14:48:00","date_gmt":"2008-01-30T14:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11441"},"modified":"2008-01-30T14:48:00","modified_gmt":"2008-01-30T14:48:00","slug":"dialogo-ou-exclusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/dialogo-ou-exclusao\/","title":{"rendered":"Di\u00e1logo ou exclus\u00e3o?&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>A p\u00f3s-modernidade desconfia da raz\u00e3o, em nome da mesma raz\u00e3o. Com efeito, proclamando o relativismo como lei suprema, isto \u00e9, que cada um \u00e9 a medida da verdade, nega a possibilidade de se caminhar para a Verdade, a sua real exist\u00eancia, para al\u00e9m das vis\u00f5es parcelares que dela somos capazes de ter, que restam proclamadas como o absoluto de conveni\u00eancia ou de ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 o esp\u00edrito eminentemente emp\u00edrico dos nossos dias que est\u00e1 na base desta miopia cultural e cient\u00edfica. Jo\u00e3o Paulo II, na Fides et Ratio, advertia: \u201cO grande desafio \u00e9 saber realizar a passagem, t\u00e3o necess\u00e1ria como urgente, do fen\u00f3meno ao fundamento. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel deter-se simplesmente na experi\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o, que presta indesment\u00edveis benef\u00edcios \u00e0 causa do Homem, pode tornar-se a sua inimiga n\u00famero um, se n\u00e3o se abrir aos horizontes infindos da busca das causas, dos fundamentos, sem negar sequer a possibilidade de outra luz sobre a realidade, o seu sentido profundo, muitas vezes apenas delineado nos espa\u00e7os da cren\u00e7a, da f\u00e9. Essa \u00e9 a eterna quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de m\u00fatua circularidade entre a raz\u00e3o e a f\u00e9.<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel o empenho do Papa Bento XVI em contribuir para um acolhimento e coopera\u00e7\u00e3o m\u00fatuas da raz\u00e3o e da f\u00e9, ao n\u00edvel da reflex\u00e3o mais profunda, com a seriedade que a procura da Verdade libertadora reclama, na serenidade de rasgar caminhos de sol para a Humanidade. <\/p>\n<p>Recentemente, falando aos participantes de um congresso organizado pela Academia das Ci\u00eancias de Paris e pela Academia Pontif\u00edcia das Ci\u00eancias, o Santo Padre voltou a sublinhar os perigos da m\u00fatua exclus\u00e3o e a necessidade da coopera\u00e7\u00e3o, da complementaridade. \u201cNo momento em que as ci\u00eancias exactas, naturais e humanas alcan\u00e7aram prodigiosos avan\u00e7os no conhecimento do ser humano e do seu universo, a tenta\u00e7\u00e3o consiste em querer circunscrever totalmente a identidade do ser humano e de fech\u00e1-lo no saber que podemos ter. Para evitar este perigo, \u00e9 necess\u00e1rio deixar espa\u00e7o para a pesquisa antropol\u00f3gica, para a Filosofia e a Teologia, que permitem mostrar e manter o mist\u00e9rio pr\u00f3prio do homem, pois uma ci\u00eancia n\u00e3o pode dizer quem \u00e9 o homem, de onde vem ou aonde vai\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que haja quem pense diferente. Mas quem tem medo de colocar na mesa do di\u00e1logo os diferentes pontos de vist?&#8230; O epis\u00f3dio da contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 visita de Bento XVI \u00e0 universidade La Sapienza n\u00e3o ser\u00e1 uma express\u00e3o deste medo de procurar a Verdade, afirmando a intoler\u00e2ncia com opini\u00f5es diferentes?&#8230; Corremos o risco de ficarmos mais pobres, sempre que alguns se afirmam com exclus\u00e3o dos outros!&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A p\u00f3s-modernidade desconfia da raz\u00e3o, em nome da mesma raz\u00e3o. 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