{"id":11490,"date":"2008-01-30T16:39:00","date_gmt":"2008-01-30T16:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11490"},"modified":"2008-01-30T16:39:00","modified_gmt":"2008-01-30T16:39:00","slug":"32","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/32\/","title":{"rendered":"32"},"content":{"rendered":"<p>JOS\u00c9 TOLENTINO MENDON\u00c7A<\/p>\n<p>Padre. Biblista<\/p>\n<p>\u00c9 um gosto oriental que a B\u00edblia herdou: o gosto pela aritm\u00e9tica simb\u00f3lica, a paix\u00e3o pelo jogo de n\u00fameros, cifras e c\u00f3digos. Por exemplo, o Evangelho de Mateus abre com uma \u201cbrincadeira\u201d (chamemos assim a essa coisa muito s\u00e9ria) em torno ao n\u00famero 14, que se repete tr\u00eas vezes. Como em hebraico os algarismos eram expressos por letras, Mateus, mesmo escrevendo em grego, sabe que os seus leitores decifrar\u00e3o que o 14 corresponde ao nome David (4+6+4, se tomarmos apenas as consoantes). O evangelista quer enaltecer Jesus atribuindo-lhe tr\u00eas vezes a realeza de David&#8230; Para n\u00e3o falar do Apocalipse que faz desta linguagem dos n\u00fameros uma aut\u00eantica gram\u00e1tica para a sua empenhada teologia da hist\u00f3ria e da esperan\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>As nossas sociedades contempor\u00e2neas lidam massivamente com n\u00fameros, mas sem a aura simb\u00f3lica de um tempo. A sua fun\u00e7\u00e3o tornou-se sobretudo utilit\u00e1ria, estat\u00edstica. Cada um de n\u00f3s tem uma s\u00e9rie de n\u00fameros, engrossa gr\u00e1ficos e percentagens. Neste labirinto quotidiano, os n\u00fameros parecem ter perdido a carga prof\u00e9tica que tinham. Quantificam a realidade, e basta. Esquecemo-nos que o barro precisa do sopro vital, que a superf\u00edcie respira em profundidades que n\u00e3o se v\u00eaem, que a quantidade se torna um acumular in\u00fatil se n\u00e3o nos encaminha para a qualidade do ser. Os n\u00fameros sucedem-se, em velocidade, no rodap\u00e9 dos dias. Que significam verdadeiramente? Que pedem de n\u00f3s? <\/p>\n<p>Disto me recordo, lendo um texto de um especialista em quest\u00f5es de desenvolvimento acerca do n\u00famero 32. Calcula-se que os mil milh\u00f5es de pessoas que vivem nos chamados Pa\u00edses do \u201cprimeiro mundo\u201d tenham uma taxa relativa de consumo per capita de 32, enquanto que a maior parte dos outros 5,5 mil milh\u00f5es de habitantes do planeta viva com uma m\u00edsera taxa que ronda quase sempre o 1. Dito brutalmente: o n\u00famero 32 expressa neste momento a diferen\u00e7a de estilos de vida e de possibilidades entre o mundo desenvolvido e abastado, e o resto da humanidade. No cristianismo das origens, os n\u00fameros eram interpretados simbolicamente como desafios concretos. E n\u00f3s agora?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JOS\u00c9 TOLENTINO MENDON\u00c7A Padre. Biblista \u00c9 um gosto oriental que a B\u00edblia herdou: o gosto pela aritm\u00e9tica simb\u00f3lica, a paix\u00e3o pelo jogo de n\u00fameros, cifras e c\u00f3digos. Por exemplo, o Evangelho de Mateus abre com uma \u201cbrincadeira\u201d (chamemos assim a essa coisa muito s\u00e9ria) em torno ao n\u00famero 14, que se repete tr\u00eas vezes. Como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-11490","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11490\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}