{"id":11497,"date":"2008-02-06T16:19:00","date_gmt":"2008-02-06T16:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11497"},"modified":"2008-02-06T16:19:00","modified_gmt":"2008-02-06T16:19:00","slug":"exercitacao-quaresmal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/exercitacao-quaresmal\/","title":{"rendered":"Exercita\u00e7\u00e3o quaresmal"},"content":{"rendered":"<p>Os crist\u00e3os iniciam, hoje mesmo, o tempo de \u201cexercita\u00e7\u00e3o quaresmal\u201d, o tempo de prepara\u00e7\u00e3o para viver uma P\u00e1scoa de alegria libertadora. A Quaresma \u00e9, na verdade, esse tempo oportuno de convers\u00e3o, que nos transforma interiormente, tornando-nos capazes daquilo que fomos descurando e pens\u00e1mos, talvez, que j\u00e1 nem ser\u00edamos capazes de fazer.<\/p>\n<p>A exercita\u00e7\u00e3o \u00e9 treino. A Igreja sempre prop\u00f5e as vertentes desse treino: ora\u00e7\u00e3o, jejum e esmola. O treino h\u00e1-de ser programado, para poder produzir o seu fruto, que ser\u00e1, naturalmente, uma melhoria de forma. No caso, uma proximidade cada vez mais profunda de Deus, um not\u00e1vel h\u00e1bito de vida s\u00f3bria, uma comunh\u00e3o perfeita de vida com os irm\u00e3os. Atingidos estes objectivos por muitos crist\u00e3os, ser\u00e1 sens\u00edvel, nas nossas comunidades, a P\u00e1scoa libertadora de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Bento XVI centra a sua mensagem numa das vertentes da exercita\u00e7\u00e3o quaresmal: a esmola. Palavra que, para muitos, pode cheirar a \u201ccomisera\u00e7\u00e3o\u201d doentia ou a estrat\u00e9gia para dominar pela submiss\u00e3o daqueles a quem se d\u00e1. Para obviar a ambiguidades, o Santo Padre tem o cuidado de expor sem rodeios as exig\u00eancias e o alcance desta exercita\u00e7\u00e3o da esmola.<\/p>\n<p>O acto de caridade pela esmola, para al\u00e9m de ser uma \u201cforma concreta de socorrer quem se encontra em necessidade\u201d, pode transformar-se em pr\u00e1tica asc\u00e9tica que liberte da afei\u00e7\u00e3o pelos bens terrenos, educando no reconhecimento do valor social dos bens, exigido pelo princ\u00edpio do seu destino universal, e levar a reconhecer que o dever de justi\u00e7a precede o gesto de caridade. <\/p>\n<p>A esmola, como express\u00e3o concreta e genu\u00edna da caridade, exige convers\u00e3o interior ao amor de Deus, reconhecimento da sua dimens\u00e3o universal, privilegiando os mais d\u00e9beis, e gera a consci\u00eancia de que possuir \u00e9 ter a responsabilidade de administrar o que se recebe de Deus, tornando-se intermedi\u00e1rio da Sua provid\u00eancia junto do pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Dar com generosidade e com discri\u00e7\u00e3o \u00e9 o princ\u00edpio de uma profunda transforma\u00e7\u00e3o social. Quem d\u00e1 de maneira crist\u00e3 n\u00e3o d\u00e1 as sobras: d\u00e1 do que faz falta; d\u00e1-se a si pr\u00f3prio! E f\u00e1-lo n\u00e3o apenas de modo a que a esquerda n\u00e3o saiba o que faz a direita, mas de maneira a que nem a pr\u00f3pria direita saiba o que d\u00e1!<\/p>\n<p>\u00c9 que dar assim \u00e9 repartir, \u00e9 desfazer as diferen\u00e7as abissais entre quem tem e quem n\u00e3o tem. E, sem toque de trombetas, o dar n\u00e3o escraviza quem recebe; antes lhe devolve a dignidade. N\u00e3o se reclamam louros, na pra\u00e7a p\u00fablica, por parte de quem fez o bem. Consolida-se a comunh\u00e3o fraterna. E, se nos situamos no \u00e2mbito da comunidade crist\u00e3, d\u00e1-se consist\u00eancia \u00e0 pr\u00f3pria comunh\u00e3o eclesial. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os crist\u00e3os iniciam, hoje mesmo, o tempo de \u201cexercita\u00e7\u00e3o quaresmal\u201d, o tempo de prepara\u00e7\u00e3o para viver uma P\u00e1scoa de alegria libertadora. 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