{"id":1152,"date":"2010-04-15T11:50:00","date_gmt":"2010-04-15T11:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1152"},"modified":"2010-04-15T11:50:00","modified_gmt":"2010-04-15T11:50:00","slug":"a-logica-do-dom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-logica-do-dom\/","title":{"rendered":"A l\u00f3gica do dom"},"content":{"rendered":"<p>Dez palavras-chave sobre a &#8220;Caritas in Veritate&#8221; <!--more--> Bento XVI afirma na \u201cCaritas in veritate\u201d (CV) que \u201ca gratuidade est\u00e1 presente na vida do ser humano sob m\u00faltiplas formas, que frequentemente lhe passam despercebidas por causa duma vis\u00e3o meramente produtiva e utilitarista da exist\u00eancia\u201d (n.\u00ba 34). Sem d\u00favida que a experi\u00eancia di\u00e1ria nos diz que a vida \u00e9 feita de imensas d\u00e1divas. Sem a gratuidade, que come\u00e7a pelo dom da pr\u00f3pria vida, a vida seria imposs\u00edvel. Ora, a gratuidade tem de estender-se tamb\u00e9m \u00e0 economia, ao desenvolvimento dos povos \u2013 esta \u00e9 uma das grandes li\u00e7\u00f5es da CV.<\/p>\n<p>Ressalvando que a l\u00f3gica do dom n\u00e3o exclui a justi\u00e7a (Bento XVI n\u00e3o o diz, mas \u00e9 f\u00e1cil compreender que seria imposs\u00edvel a vida em sociedade se a gratuidade fosse uma exig\u00eancia de quem deve, em vez de ser um dom de quem pode; no n.\u00ba 38 acrescenta que a gratuidade \u00e9 necess\u00e1ria para que aconte\u00e7a a justi\u00e7a), o Papa diz que \u201co desenvolvimento econ\u00f3mico, social e pol\u00edtico precisa, se quiser ser autenticamente humano, deve dar espa\u00e7o ao princ\u00edpio da gratuidade como express\u00e3o de fraternidade\u201d (n.\u00ba 34) e que \u201cnas rela\u00e7\u00f5es comerciais, o princ\u00edpio de gratuidade e a l\u00f3gica do dom como express\u00e3o da fraternidade podem e devem encontrar lugar dentro da actividade econ\u00f3mica normal\u201d (n.\u00ba 36).<\/p>\n<p>O Papa n\u00e3o diz como se concretiza a gratuidade, mas os comentadores t\u00eam dito que, neste contexto, a economia a gratuidade corresponde ao terceiro sector, o das organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-lucrativas (o primeiro \u00e9 o das empresas privadas e o segundo \u00e9 o p\u00fablico), de ONG (organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais) a IPSS (institui\u00e7\u00f5es particulares de solidariedade social) e organiza\u00e7\u00f5es produtivas que perseguem fins mutualistas e sociais.<\/p>\n<p>Julgo, contudo, que o Papa pretende ir mais longe na \u201cl\u00f3gica do dom e da gratuidade\u201d. No n.\u00ba 39 afirma: \u201cO mercado da gratuidade n\u00e3o existe, tal como n\u00e3o se podem estabelecer por lei comportamentos gratuitos, e todavia tanto o mercado como a pol\u00edtica precisam de pessoas abertas ao dom rec\u00edproco\u201d. Trata-se principalmente de \u201ccomportamentos gratuitos\u201d e de \u201cpessoas abertas ao dom\u201d. E isto concretiza-se de dois modos. Por um lado, voluntariado, por outro destino de verbas por parte de particulares, empresas e mesmo estados para l\u00e1 das obriga\u00e7\u00f5es. Mas se nem sequer o que est\u00e1 acordado internacionalmente pelos estados \u00e9 cumprido (pense-se nos Objectivos de Desenvolvimento do Mil\u00e9nio, que, embora t\u00e3o simples, n\u00e3o ser\u00e3o alcan\u00e7ados at\u00e9 2015), como esperar que se torne efectiva a \u201cl\u00f3gica do dom\u201d?<\/p>\n<p>Verdade | Desenvolvimento | Populorum progressio | Justi\u00e7a | Bem Comum | Globaliza\u00e7\u00e3o | Gratuidade | Trabalho | Ambiente | Caridade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dez palavras-chave sobre a &#8220;Caritas in Veritate&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-1152","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1152\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}