{"id":11577,"date":"2008-02-13T16:16:00","date_gmt":"2008-02-13T16:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11577"},"modified":"2008-02-13T16:16:00","modified_gmt":"2008-02-13T16:16:00","slug":"da-peregrinacao-interior-ao-servico-dos-irmaos-para-que-em-cristo-ressuscitado-haja-vida-nova-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/da-peregrinacao-interior-ao-servico-dos-irmaos-para-que-em-cristo-ressuscitado-haja-vida-nova-para-todos\/","title":{"rendered":"Da peregrina\u00e7\u00e3o interior ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os, para que em Cristo Ressuscitado haja vida nova para todos"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem Quaresmal de D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro <!--more--> 1. Outrora Deus ouvira o clamor do Povo e a liberta\u00e7\u00e3o aconteceu. Agora, em nome de Deus, uma voz clamara a preparar o an\u00fancio da Boa Nova do Reino e surgiu uma escola de disc\u00edpulos no interior de uma multid\u00e3o dispon\u00edvel para acolher o convite \u00e0 convers\u00e3o e iniciar o regresso da Humanidade a Deus.<\/p>\n<p>Um longo caminho foi percorrido pelos Israelitas, entre a hora da liberta\u00e7\u00e3o e o dia da plena realiza\u00e7\u00e3o da promessa, \u00e0s portas da terra da liberdade, da justi\u00e7a e da alian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c0 beira da cidade, na terra encontrada e habitada por um Povo que Deus libertou, Jesus escolhe o deserto, a ora\u00e7\u00e3o e o jejum, para preparar o tempo da nova alian\u00e7a e abrir caminho \u00e0 plenitude da reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No horizonte do tempo, no percurso do \u00eaxodo e na meta anunciada pelo Evangelho est\u00e1 sempre a esperan\u00e7a da liberta\u00e7\u00e3o e a certeza da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>O \u201cEvangelho n\u00e3o \u00e9 apenas uma comunica\u00e7\u00e3o de realidades que se podem saber, mas uma comunica\u00e7\u00e3o que gera factos e muda a vida\u201d (Spe Salvi, n.\u00ba2).<\/p>\n<p>\u00c0 luz do Evangelho, a Quaresma \u00e9 este tempo onde a vida se renova e a Humanidade se transforma, a partir do \u00edntimo das pes-soas e do cora\u00e7\u00e3o das comunidades, para que a P\u00e1scoa aconte\u00e7a como dom de Deus ao seu Povo e celebra\u00e7\u00e3o da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p>Neste sentido, importa reavivar o Baptismo, fortalecendo a consci\u00eancia crist\u00e3 e a comunh\u00e3o eclesial. <\/p>\n<p>A Quaresma \u00e9 um tempo especialmente prop\u00edcio \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. Vivamo-lo com alegria, como experi\u00eancia de convers\u00e3o e como cami-nho de gra\u00e7a e de santidade.<\/p>\n<p>Aprofundemos igualmente a ora\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria. Abramo-nos \u00e0 gra\u00e7a de Deus em oportunidades criativas e momentos intensos de ora\u00e7\u00e3o, de adora\u00e7\u00e3o e de contempla\u00e7\u00e3o, que tantos dons nos prodigalizam e t\u00e3o necess\u00e1rios se revelam neste nosso tempo.<\/p>\n<p>2. A Diocese de Aveiro \u00e9 chamada a viver esta Quaresma em comunh\u00e3o com a mensagem do Santo Padre Bento XVI e em sintonia com o Plano diocesano de Pastoral, voltada para o servi\u00e7o aos mais pobres, acolhendo as propostas quaresmais que urge desenvolver em cada comunidade crist\u00e3 e em todos os movimentos e organismos apost\u00f3licos.<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o, a reflex\u00e3o, a esmola, o jejum e o testemunho de partilha afirmam, de modo inequ\u00edvoco e pedag\u00f3gico, a presen\u00e7a crist\u00e3 no mundo e abrem caminho \u00e0 novidade do Evangelho na vida das pessoas, das comunidades e das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitas as pessoas, as comunidades, as institui\u00e7\u00f5es, os movimentos e os servi\u00e7os diocesanos de pastoral a viver com alegria e com verdade a esperan\u00e7a e a oportunidade que a Quaresma nos oferece, para que, em Cristo ressuscitado, haja vida nova para todos.<\/p>\n<p>3. Ajuda-nos ainda mais neste tempo a oportuna e sempre necess\u00e1ria Palavra de Deus acolhida no sil\u00eancio, de cora\u00e7\u00e3o livre e reconciliado. Valorizemos esta abertura \u00e0 Palavra de Deus na vida e na miss\u00e3o da Igreja, preparando o S\u00ednodo dos Bispos que se avizinha.<\/p>\n<p>Guiam-nos neste caminho de convers\u00e3o, de novidade crist\u00e3 e de fasc\u00ednio evang\u00e9lico, a vida e o exemplo de S. Paulo, neste ano jubilar que lhe \u00e9 dedicado. A fidelidade de uma vida apaixonada por Cristo, vivo e ressuscitado, e a entrega corajosa ao servi\u00e7o do Evangelho ensinam-nos o caminho e os passos, a linguagem e a palavra, a urg\u00eancia e a miss\u00e3o. \u201cAi de mim se eu n\u00e3o evangelizar!\u201d(1 Cor 9,16).<\/p>\n<p>Esta paix\u00e3o de Paulo pelo Evangelho, este amor \u00e0 Igreja nas pessoas e nas comunidades concretas e este gosto sentido e afirmado de ser ap\u00f3stolo de Cristo fazem-se hoje escola de novos disc\u00edpulos, escola de voca\u00e7\u00e3o, de alegria e de santidade, que s\u00e3o crit\u00e9rios e paradigmas fundamentais da vida e da miss\u00e3o dos disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>4. Ser disc\u00edpulo de Cristo e \u201cviver para Ele significa deixar-se envolver no seu ser para os outros\u201d (Spe Salvi, n.\u00ba28).<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o de convers\u00e3o e a exig\u00eancia de verdade a que o disc\u00edpulo de Cristo \u00e9 chamado educam-nos para este ser para os outros atrav\u00e9s da generosidade e da partilha fraterna, aprendendo a viver com sobriedade, com preocupa\u00e7\u00e3o pela justi\u00e7a e com ousadia da caridade, defendendo os valores humanos fundamentais da vida, da pessoa e de um humanismo solid\u00e1rio. Seremos, assim, luz de esperan\u00e7a, percursora de um mundo novo, se caminharmos na Luz que \u00e9 Cristo.<\/p>\n<p>O disc\u00edpulo de Cristo, sempre em atitude de acolhimento e de entrega, a exemplo do Mestre, vai ao encontro dos pobres e dos que sofrem, providenciando respostas que sejam solu\u00e7\u00f5es para as causas da pobreza, da injusti\u00e7a e do pecado. <\/p>\n<p>Unir o mandamento primeiro do amor a Deus com o mandamento novo do amor aos irm\u00e3os constitui o cerne do Evangelho e afirma o essencial da identidade crist\u00e3.<\/p>\n<p>O amor de Deus exprime-se, revela-se e cumpre-se na nossa responsabilidade pessoal e comunit\u00e1ria pelo outro que \u00e9 o nosso irm\u00e3o, independentemente da sua f\u00e9, cultura ou condi\u00e7\u00e3o. Para o crist\u00e3o, dar \u00e9 dar-se e amar a Deus \u00e9 servir.<\/p>\n<p>\u00c9 na base deste imperativo crist\u00e3o e da prioridade pastoral dada \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o, que passa necessariamente pelo servi\u00e7o da caridade, que somos chamados a \u201cedificar a cidade\u201d e a construir o futuro com justi\u00e7a e com esperan\u00e7a, abrindo caminhos para um mundo com Deus, porque \u201cnunca \u00e9 tarde demais para tocar o cora\u00e7\u00e3o do outro, nem \u00e9 jamais in\u00fatil\u201d(Spe Salvi, n.\u00ba48). Este mesmo esp\u00edrito preenche e inspira diariamente iniciativas pastorais como a ceia com calor, os itiner\u00e1rios de catequese e de pastoral juvenil e vocacional, os cursos de Doutrina Social da Igreja, as Escolas Arciprestais, a Visita Pastoral e tantas outras que percorrem com renovado dinamismo a nossa vida diocesana.<\/p>\n<p>5. Tamb\u00e9m neste esp\u00edrito e com este sentido de corresponsabilidade crist\u00e3 e de partilha generosa e solid\u00e1ria, a Igreja de Aveiro destina a ren\u00fancia quaresmal deste ano \u00e0 Casa Sacerdotal, \u00e0s Florinhas do Vouga e \u00e0 Diocese de Brejo no Maranh\u00e3o, Brasil.<\/p>\n<p>A Casa Sacerdotal ser\u00e1, em resposta \u00e0 necessidade sentida e \u00e0 vontade expressa do Clero, uma das formas de melhor servir e acompanhar os sacerdotes idosos e doentes e os familiares que a eles e \u00e0 Igreja se dedicaram; as Florinhas do Vouga s\u00e3o uma institui\u00e7\u00e3o diocesana destinada a servir os mais pobres, ignorados ou esquecidos, de qualquer idade e em toda a \u00e1rea diocesana, criada pelo primeiro bispo de Aveiro, falecido h\u00e1 precisamente cinquenta anos, e que cumpre agora um sonho antigo e uma necessidade premente &#8211; a constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio sede; a diocese de Brejo no Maranh\u00e3o \u00e9 uma Igreja irm\u00e3 com reduzidos recursos humanos e materiais, a bra\u00e7os com enormes car\u00eancias, onde trabalha um sacerdote em miss\u00e3o, membro do nosso presbit\u00e9rio diocesano. S\u00e3o muitas assim as raz\u00f5es que nos levam a olhar a realidade com outro olhar e nos abrem caminho \u00e0 nossa generosidade fraterna, \u00e0 nossa caridade crist\u00e3, ao nosso sentido mission\u00e1rio e \u00e0 nossa ren\u00fancia quaresmal.<\/p>\n<p>Que Maria, M\u00e3e sempre sol\u00edcita, nos anime e fortale\u00e7a neste caminho de convers\u00e3o e de fidelidade a Cristo, nesta miss\u00e3o de evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo e nesta escola de servi\u00e7o atento e sol\u00edcito aos irm\u00e3os, sobretudo aos mais pobres.<\/p>\n<p>Ela que esteve junto \u00e0 Cruz de Seu Filho, estar\u00e1 sempre presente junto daqueles que, pelo mist\u00e9rio pascal, se tornam filhos no Filho e, portanto, nossos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Que a Estrela da Esperan\u00e7a, como a invoca Bento XVI, nos ajude a crescer na alegria da filia\u00e7\u00e3o divina e na esperan\u00e7a da fraternidade humana.<\/p>\n<p>Aveiro, 6 de Fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, in\u00edcio da Quaresma de 2008.<\/p>\n<p>+ Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem Quaresmal de D. 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