{"id":11597,"date":"2008-02-13T16:54:00","date_gmt":"2008-02-13T16:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11597"},"modified":"2008-02-13T16:54:00","modified_gmt":"2008-02-13T16:54:00","slug":"quatro-sindicalismos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quatro-sindicalismos\/","title":{"rendered":"Quatro sindicalismos"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Em 1969, o Prof. M\u00e1rio Murteira identificou dois tipos de sindicalismo (in \u00abEconomia do Trabalho\u00bb, Cl\u00e1ssica Editora, pp. 137-148): o revolucion\u00e1rio e o de negocia\u00e7\u00e3o. A classifica\u00e7\u00e3o correspondia \u00e0 realidade da \u00e9poca, e era reconhecida pelos outros autores que se ocupavam destas mat\u00e9rias. Mant\u00e9m ainda, hoje em dia, toda a actualidade, mas torna-se imperioso desdobrar o sindicalismo revolucion\u00e1rio em extremista e radical. O de negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 agora designado por \u00abreformista\u00bb (at\u00e9 porque a negocia\u00e7\u00e3o se observa em quase todo o sindicalismo, embora de maneira diferenciada) e desdobra-se em cooperador e submisso.<\/p>\n<p>O sindicalismo revolucion\u00e1rio visa a erradica\u00e7\u00e3o do sistema capitalista e da \u00abexplora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem\u00bb. Reveste a modalidade extremista, quando n\u00e3o olha a meios para alcan\u00e7ar os fins, podendo at\u00e9 destruir meios de produ\u00e7\u00e3o e eliminar as pessoas consideradas \u00abcapitalistas\u00bb e, al\u00e9m disso, descura a prepara\u00e7\u00e3o de alternativas ao capitalismo. A modalidade radical actua nas causas da explora\u00e7\u00e3o, procura evitar a destrui\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, luta pela transforma\u00e7\u00e3o ou substitui\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis pelo capitalismo e, na medida do poss\u00edvel, prepara alternativas consistentes.<\/p>\n<p>O sindicalismo reformador n\u00e3o p\u00f5e em causa, expressamente, o sistema capitalista, embora muitos dos seus militantes o possam contestar, a t\u00edtulo individual e nos partidos ou noutras organiza\u00e7\u00f5es a que perten\u00e7am. Procura obter o m\u00e1ximo de vantagens para os trabalhadores, tal como o sindicalismo revolucion\u00e1rio, e recorre sistematicamente \u00e0 via negocial para a consecu\u00e7\u00e3o dos seus objectivos. Dentro deste sindicalismo, o cooperador procura entendimentos com as entidades patronais, com o Estado e com outras entidades, preservando a sua identidade e autonomia. Pelo contr\u00e1rio, o submisso deixa-se dominar por essas entidades, correndo o risco de perder a identidade e autonomia.<\/p>\n<p>Algumas pr\u00e1ticas s\u00e3o comuns a todos os tipos de sindicalismo: a mobiliza\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o, a negocia\u00e7\u00e3o, as manifesta\u00e7\u00f5es, a greve&#8230; No entanto, as caracter\u00edsticas e os objectivos destas pr\u00e1ticas variam bastante de caso para caso.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o p\u00fablica dominante considera o sindicalismo revolucion\u00e1rio mais \u00e0 esquerda do leque pol\u00edtico, e o reformista \u00e0 direita. A realidade, por\u00e9m, \u00e9 bastante mais complexa; por exemplo, nada garante que o sindicalismo extremista seja efectivamente de esquerda, at\u00e9 porque refor\u00e7a, n\u00e3o raro, o poder do advers\u00e1rio capitalista, e \u00e9 engrossado pelas express\u00f5es de indigna\u00e7\u00e3o, desespero e revolta provenientes de todos os quadrantes pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Todos estes sindicalismos s\u00e3o compat\u00edveis com a doutrina social da Igreja? &#8211; Abordaremos a quest\u00e3o em pr\u00f3ximo artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-11597","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11597","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11597"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11597\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}