{"id":11599,"date":"2008-02-13T16:58:00","date_gmt":"2008-02-13T16:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11599"},"modified":"2008-02-13T16:58:00","modified_gmt":"2008-02-13T16:58:00","slug":"um-dado-social-preocupante-concreto-e-interpelador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-dado-social-preocupante-concreto-e-interpelador\/","title":{"rendered":"Um dado social preocupante, concreto e interpelador"},"content":{"rendered":"<p>As estat\u00edsticas oficiais dizem que, em Tr\u00e1s-os-Montes, regi\u00e3o de forte tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e de grande fidelidade a costumes sociais e religiosos que v\u00eam de longe, no ano que terminou os casamentos civis ultrapassaram os realizados no templo. Este era j\u00e1 um dado, desde h\u00e1 tempos verificado nos grandes meios urbanos, onde as ra\u00edzes naturais das pessoas, abafadas pela massifica\u00e7\u00e3o e pelo anonimato, se foram tornando mais d\u00e9beis e com menor capacidade de refer\u00eancia vinculativa.<\/p>\n<p>Sabemos que o n\u00famero de casamentos na igreja diminuiu em todo o pa\u00eds e o mesmo foi acontecendo em rela\u00e7\u00e3o aos casamentos civis. Aumentaram, sim, as uni\u00f5es de facto, protegidas por pol\u00edticas sociais, ideologias recentes e ambiente sem nervura, por vezes em detrimento das fam\u00edlias que se formam segundo a Constitui\u00e7\u00e3o Portuguesa e que s\u00e3o ainda a grande maioria das fam\u00edlias portuguesas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que, aqui ou ali, se d\u00ea agora um novo surto de casamentos civis, dada a reac\u00e7\u00e3o pessoal a todas as formas de compromissos permanentes, \u00e0s leis vigentes sobre o div\u00f3rcio, ao enfraquecimento da censura social de outros tempos.  <\/p>\n<p>Casar e descasar passou a ser coisa f\u00e1cil e r\u00e1pida, quando no horizonte de um casamento est\u00e1 mais presente a possibilidade de um div\u00f3rcio do que de um casamento est\u00e1vel. Casar, neste contexto e apesar de tudo com alguma pompa, mesmo que seja s\u00f3 civil, at\u00e9 se torna aliciante.<\/p>\n<p>Diz-se, com frequ\u00eancia que ainda persiste, que os noivos v\u00e3o \u00e0 igreja, n\u00e3o por motivos de f\u00e9, o que muitas vezes acontece, mas porque \u00e9 mais bonito e as fam\u00edlias e o ambiente social assim o exigem. Agora v\u00e3o mais ao registo civil, porque o rito j\u00e1 tem alguma solenidade, muitos conservadores se v\u00eaem obrigados a ceder, com desgosto, aos mais diversos gostos, o descasar se tornou muito f\u00e1cil, as fam\u00edlias deixaram de ter qualquer influ\u00eancia nas op\u00e7\u00f5es dos filhos e o ambiente sopra a favor. Assim se opta com a antecipada garantia de uma porta sempre aberta para poder passar a outra, se se quiser e quando se quiser. Ser casado n\u00e3o obriga mais a grandes esfor\u00e7os. Acaba-se e pronto.<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 a solidez da vida em sociedade, da qual a fam\u00edlia ser\u00e1 sempre c\u00e9lula viva ou morta, o valor dos compromissos pessoais e dos compromissos assumidos de modo p\u00fablico, a dimens\u00e3o moral dos valores da vida e das pessoas, a garantia, n\u00e3o apenas legal, que tamb\u00e9m esta \u00e9 pouca, dos direitos fundamentais dos filhos, onde a seriedade de quem deve ter princ\u00edpios a reger a vida, se quer que a esta se chame vida?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que o livro aberto das muitas mis\u00e9rias humanas e familiares, cada vez mais graves e elucidativas, n\u00e3o \u00e9 lido por ningu\u00e9m com responsabilidades no Estado, na Igreja, na comunica\u00e7\u00e3o social, no mundo dos tempos livres, nos legisladores que mais olham para si, dos que fazem de muitas crian\u00e7as, filhas de pais desavindos, bolas de pingue-pongue, jogadas na mesa da irresponsabilidade paternal e social? Ser\u00e1 que, na procura da realiza\u00e7\u00e3o meramente pessoal, j\u00e1 se dispensam regras que geram compromissos, la\u00e7os morais que traduzem dignidade, vincula\u00e7\u00e3o concreta \u00e0 sociedade, da qual parece que apenas se querem os favores?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que andam cegos os jovens, ao pensarem em casar s\u00f3 v\u00eaem as mais leg\u00edtimas condi\u00e7\u00f5es materiais e n\u00e3o pensam que casar \u00e9 um passo s\u00e9rio e cheio de consequ\u00eancias irrevers\u00edveis nas suas vidas e nas vidas de outros que deles passam a depender?<\/p>\n<p>Respeitar as op\u00e7\u00f5es pessoais de casar na igreja, no civil ou em parte nenhuma n\u00e3o impede que se diga que se trata de um acto p\u00fablico fundamental que nos afecta a todos. A sociedade destr\u00f3i-se n\u00e3o apenas pelas agress\u00f5es ao ambiente, mas tamb\u00e9m pela destrui\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os e dos v\u00ednculos que a tecem e lhe d\u00e3o solidez.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As estat\u00edsticas oficiais dizem que, em Tr\u00e1s-os-Montes, regi\u00e3o de forte tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e de grande fidelidade a costumes sociais e religiosos que v\u00eam de longe, no ano que terminou os casamentos civis ultrapassaram os realizados no templo. 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