{"id":11649,"date":"2008-02-20T17:30:00","date_gmt":"2008-02-20T17:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11649"},"modified":"2008-02-20T17:30:00","modified_gmt":"2008-02-20T17:30:00","slug":"defender-o-patrimonio-e-um-marco-civilizacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/defender-o-patrimonio-e-um-marco-civilizacional\/","title":{"rendered":"Defender o patrim\u00f3nio \u00e9 um marco civilizacional"},"content":{"rendered":"<p>Amaro Neves, com outras pessoas, esteve na origem da ADERAV (Associa\u00e7\u00e3o para o Estudo e Defesa do Patrim\u00f3nio Natural e Cultural da Regi\u00e3o de Aveiro), uma das mais antigas associa\u00e7\u00f5es de defesa do patrim\u00f3nio em Portugal. Corriam os anos 1977-1979, quando quem se preocupava com edif\u00edcios hist\u00f3ricos era visto como \u201cum dom quixote\u201d, \u201cum maluquinho do patrim\u00f3nio\u201d. Para falar do patrim\u00f3nio aveirense e da sua defesa, o historiador esteve no Centro Universit\u00e1rio, em mais uma sess\u00e3o do F\u00f3rum::Universal. Moderou o encontro Lu\u00eds Souto, actual presidente da ADERAV. Aqui ficam as principais frases da sess\u00e3o que decorreu na noite de 13 de Fevereiro.<\/p>\n<p>Lutas da ADERAV<\/p>\n<p>Em 1979-1982, a ADERAV esteve contra a constru\u00e7\u00e3o da Torre Rumo, projectada para onde hoje se encontra o centro comercial F\u00f3rum Aveiro. A partir do momento em que o arquitecto Fernando T\u00e1vora disse ser erro tal constru\u00e7\u00e3o, a luta come\u00e7ou a ser ganha. Valeu a pena lutar e esperar por uma solu\u00e7\u00e3o alternativa.<\/p>\n<p>O mesmo se passou com a defesa da antiga F\u00e1brica Campos. Sugeria-se que viesse a ser um museu da cer\u00e2mica ou at\u00e9 sede da CMA. Quem estava contra dizia que a recupera\u00e7\u00e3o era demasiado cara. Hoje, todos nos orgulhamos de ter a F\u00e1brica ao servi\u00e7o da cidade.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da Bienal Internacional de Cer\u00e2mica Art\u00edstica (e organiza\u00e7\u00e3o das primeiras edi\u00e7\u00f5es) \u00e9 outra das conquistas da associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ADERAV visitou quase todas as igrejas e ermidas do distrito e colaborou com o ISCIA em p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es abertas ao p\u00fablico. Esteve contra a constru\u00e7\u00e3o do quartel dos bombeiros sobre a Igreja de \u00cdlhavo e defendeu a Arte Nova, numa altura em que esta n\u00e3o merecia qualquer aten\u00e7\u00e3o das autoridades.<\/p>\n<p>Como defender o patrim\u00f3nio<\/p>\n<p>\u201cVisitando, visitando, visitando, questionando, estudando, divulgando\u201d. A defesa do patrim\u00f3nio \u00e9 assumida pelos pol\u00edticos durante as campanhas e logo a seguir esquecida. Por outro lado, a classifica\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio pode ser perigosa. Podemos pensar: \u201cEst\u00e1 classificado, j\u00e1 n\u00e3o temos que nos preocupar&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Porqu\u00ea defender o patrim\u00f3nio?<\/p>\n<p>Defender o patrim\u00f3nio \u00e9 um marco civilizacional. Precisamos de alicerces; sen\u00e3o, pairamos e desequilibramo-nos. Temos de ter marcos. Atitude semelhante \u00e9 a da fam\u00edlia da cidade que vem \u00e0 aldeia mendigar as suas ra\u00edzes.<\/p>\n<p>Falta de apoios<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, o patrim\u00f3nio tem sido pouco estudado. Sem subs\u00eddios, n\u00e3o h\u00e1 estudos; sem estudos, n\u00e3o h\u00e1 gosto; sem gosto, n\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o pela salvaguarda dos bens culturais.<\/p>\n<p>Sinais positivos<\/p>\n<p>As escolas est\u00e3o mais interessadas; os jovens partem \u00e0 descoberta da hist\u00f3ria; desenvolve-se o gosto pelo turismo cultural.<\/p>\n<p>Tesouros por descobrir<\/p>\n<p>A Igreja de Oi\u00e3, com cerca de meia centena de pinturas, \u00e9 obra \u00fanica na regi\u00e3o. Faz falta uma Rota de Cister no distrito de Aveiro, que parta do fundo do Vouga e conclua no convento de Arouca.<\/p>\n<p>Tesouros em degrada\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O Forte da Barra, \u201cPatrim\u00f3nio do Estado\u201d, est\u00e1 num estado mais do que miser\u00e1vel. O \u201ccomplexo Franciscano\u201d, constitu\u00eddo pelas igrejas geminadas de S. Francisco e de Santo Ant\u00f3nio, em Aveiro [junto ao parque da cidade], est\u00e1 em abandono geral [\u00e9 actualmente uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es da ADERAV]. Situa\u00e7\u00e3o escandalosa de um dos tr\u00eas monumentos nacionais de Aveiro! A Capela de S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tesouros desaparecidos<\/p>\n<p>A Igreja do Esp\u00edrito Santo, a Igreja de S\u00e3o Miguel e a Capela de S\u00e3o Jo\u00e3o s\u00e3o exemplos de constru\u00e7\u00f5es desaparecidas em Aveiro, tal como os sete conventos incendiados pela popula\u00e7\u00e3o aveirense em s\u00e9culos passados.<\/p>\n<p>Patrim\u00f3nio mais recente<\/p>\n<p>H\u00e1 um patrim\u00f3nio mais recente, como a arte industrial ou os pain\u00e9is publicit\u00e1rios em azulejo [tema sugerido por um elemento do p\u00fablico], que precisa de uma recolha sistem\u00e1tica e de estudos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amaro Neves, com outras pessoas, esteve na origem da ADERAV (Associa\u00e7\u00e3o para o Estudo e Defesa do Patrim\u00f3nio Natural e Cultural da Regi\u00e3o de Aveiro), uma das mais antigas associa\u00e7\u00f5es de defesa do patrim\u00f3nio em Portugal. 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