{"id":11652,"date":"2008-02-20T17:38:00","date_gmt":"2008-02-20T17:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11652"},"modified":"2008-02-20T17:38:00","modified_gmt":"2008-02-20T17:38:00","slug":"sindicalismos-a-luz-da-dsi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sindicalismos-a-luz-da-dsi\/","title":{"rendered":"Sindicalismos, \u00e0 luz da DSI"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Foram abordados, no \u00faltimo artigo, quatro sindicalismos: o revolucion\u00e1rio extremista; o revolucion\u00e1rio radical; o reformador cooperante; e o reformador submisso. Todos eles s\u00e3o compat\u00edveis com a doutrina social da Igreja (DSI)?<\/p>\n<p>Deve notar-se que os sindicalismos n\u00e3o existem num estado puro; em cada um se podem observar caracter\u00edsticas pr\u00f3prias de outros, e podem existir tend\u00eancias e sensibilidades pessoais. Mas, considerando-os em estado puro, parece claro que o sindicalismo revolucion\u00e1rio extremista e o submisso n\u00e3o se coadunam com a DSI. O extremista p\u00f5e em causa o trabalho, o trabalhador e a pr\u00f3pria vida humana, porque, respectivamente: &#8211; se disp\u00f5e a destruir os meios de produ\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o fruto do trabalho; alimenta, no trabalhador, os impulsos de destrui\u00e7\u00e3o; e admite a hip\u00f3tese de elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos \u00abcapitalistas\u00bb. Por seu turno, o sindicalismo submisso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 defens\u00e1vel, \u00e0 luz da DSI, porque fere a dignidade do trabalho e do trabalhador, n\u00e3o salvaguardando a sua identidade e autonomia face ao capital, ao Estado ou a outras realidades.<\/p>\n<p>Os n\u00bas. 12 a 16 da enc\u00edclica de Jo\u00e3o Paulo II \u00abLaborem Exercens\u00bb (LE), sobre o trabalho humano, s\u00e3o deveras significativos a este prop\u00f3sito. A\u00ed se afirma a \u00abprioridade do \u00abtrabalho\u00bb em confronto com o \u00abcapital\u00bb (n\u00ba. 12), se defende que o capital \u00ab\u00e9 fruto do patrim\u00f3nio hist\u00f3rico do trabalho humano\u00bb (n\u00ba. 12) e que tanto os capitalistas como os trabalhadores s\u00e3o pessoas humanas, a respeitar como tais. Defende, expressamente, que \u00abpor detr\u00e1s (&#8230;)\u00bb do trabalho e do capital, \u00abh\u00e1 homens, os homens vivos e concretos\u00bb (n\u00ba. 14). <\/p>\n<p>O sindicalismo revolucion\u00e1rio radical e o reformista cooperante s\u00e3o defens\u00e1veis, e at\u00e9 recomend\u00e1veis, \u00e0 luz da DSI  porque, e na medida em que, defendem a pessoa humana, o trabalho, o trabalhador e os meios de produ\u00e7\u00e3o, bem como a sociedade no seu conjunto. O facto de, pelo menos, o sindicalismo radical visar a substitui\u00e7\u00e3o do sistema capitalista abona a seu favor, \u00e0 luz da mesma doutrina; com efeito, \u00aba Igreja (&#8230;) n\u00e3o est\u00e1 ligada a nenhuma forma particular de cultura humana, nem a qualquer sistema pol\u00edtico, econ\u00f3mico ou social (&#8230;)\u00bb (\u00abGaudium et Spes\u00bb, n\u00ba. 42). Al\u00e9m disso, rejeita expressamente os extremismos anti-humanos do capitalismo e do colectivismo (n\u00ba. 14 da LE) e &#8211; mais ainda &#8211; convida-nos a \u00abestabelecer a fraternidade universal\u00bb (\u00abGaudium et Spes\u00bb, n\u00ba. 38), cuja concretiza\u00e7\u00e3o na \u00abcidade terrestre\u00bb incumbe a todas as pessoas, aos seus movimentos e institui\u00e7\u00f5es e, particularmente, aos crist\u00e3os leigos nas diferentes situa\u00e7\u00f5es e estruturas em que vivem e actuam (cf. \u00abComp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja\u00bb, n\u00bas. 541-544).<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, a DSI \u00abn\u00e3o pensa que os sindicatos sejam somente o reflexo de uma estrutura de \u00abclasse\u00bb da sociedade, como n\u00e3o pensa que sejam o expoente de uma luta de classes que inevitavelmente governe a vida social. S\u00e3o, antes, um expoente da luta pela justi\u00e7a social (&#8230;). Esta \u00abluta\u00bb deve ser compreendida como um compromisso normal das pessoas a \u00abfavor\u00bb do bem justo (&#8230;); mas n\u00e3o uma luta \u00abcontra\u00bb os outros\u00bb (LE, n\u00ba. 20). <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-11652","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11652"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11652\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}