{"id":11654,"date":"2008-02-20T17:41:00","date_gmt":"2008-02-20T17:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11654"},"modified":"2008-02-20T17:41:00","modified_gmt":"2008-02-20T17:41:00","slug":"medidas-oficiais-sobre-familias-de-acolhimento-a-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/medidas-oficiais-sobre-familias-de-acolhimento-a-criancas\/","title":{"rendered":"Medidas oficiais sobre fam\u00edlias de acolhimento a crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>As inten\u00e7\u00f5es s\u00e3o de atender, visto que se trata de proporcionar um clima familiar a crian\u00e7as sem fam\u00edlia, capaz de as educar e defender, aproximando a solu\u00e7\u00e3o dos problemas a quem os possa compreender.<\/p>\n<p>Reflectindo sobre o problema das fam\u00edlias de acolhimento, com intuitos do bem de pessoas indefesas, n\u00e3o faltam raz\u00f5es para o fazer com cuidado e serenidade. Nem sempre as boas inten\u00e7\u00f5es, ainda que justificadas, s\u00e3o caminho para bons resultados.<\/p>\n<p>De repente, parece que os respons\u00e1veis pol\u00edticos acordaram para a import\u00e2ncia da fam\u00edlia como primeira e natural escola de educa\u00e7\u00e3o dos seus filhos. Ent\u00e3o se decidiu que, onde fam\u00edlia n\u00e3o existe, a crian\u00e7a tem direito a uma fam\u00edlia, que, n\u00e3o sendo a de sangue, \u00e9 contratada, com obriga\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es legais, para a acolher, com a preocupa\u00e7\u00e3o de ser, o melhor poss\u00edvel, uma fam\u00edlia \u201cfaz de conta\u201d. <\/p>\n<p>No fundo, parece dever ser uma fam\u00edlia contratada pelo Estado, sob vigil\u00e2ncia t\u00e9cnica, para acolher e guardar, que, se em alguns casos at\u00e9 pode resultar, todo o entrela\u00e7ado da solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz prever grandes resultados. Bastar\u00e3o as estat\u00edsticas, que dir\u00e3o daqui a meses dados num\u00e9ricos, porque o mais importante \u00e9 indiz\u00edvel; ent\u00e3o saberemos que h\u00e1 tantas crian\u00e7as acolhidas, menos tantas crian\u00e7as em institui\u00e7\u00f5es, tantas j\u00e1 entregues \u00e0 fam\u00edlia de sangue, e por a\u00ed adiante. N\u00e3o consigo ver o amor e o clima prop\u00edcio \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as indefesas, um objecto de contrato entre inst\u00e2ncias oficiais e fam\u00edlias, sujeitas a vigil\u00e2ncia e controle, que n\u00e3o se podem afei\u00e7oar, porque tamb\u00e9m n\u00e3o poder\u00e3o adoptar as crian\u00e7as que lhes s\u00e3o entregues. V\u00e3o repetir-se os casos que t\u00eam enchido os jornais e os telejornais. Se n\u00e3o podem afei\u00e7oar-se, como as poder\u00e3o educar? Se n\u00e3o as podem educar, segundo exig\u00eancias normais, requeridas pelo clima educativo, porque lhas entrega o Estado? Ser\u00e1 apenas um modo de dar trabalho e diminuir assim a taxa do desemprego? As crian\u00e7as s\u00e3o pessoas, n\u00e3o s\u00e3o coisas. Todos o sabemos.<\/p>\n<p>Pouco ou nada se faz para dignificar a fam\u00edlia normal. Muito se permite e favorece para que ela nas\u00e7a sem consist\u00eancia e perca a pouca que ainda pode ter, por raz\u00f5es triviais. O Estado, com a facilita\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio e a banaliza\u00e7\u00e3o do sexo, com medidas pol\u00edticas e sociais avulsas, umas deficientes e outras discut\u00edveis, mas todas a tocar a vida familiar por dentro, tem vindo, consciente ou inconscien-temente, a destruir a fam\u00edlia normal e a torn\u00e1-la, em muitos casos, fam\u00edlia sem a alegria de o ser e incapaz de o vir a ser.<\/p>\n<p>H\u00e1 em Portugal institui\u00e7\u00f5es s\u00e9rias e credenciadas, e at\u00e9 inovadoras no campo educativo, por mais que custe a alguns t\u00e9cnicos sociais admiti-lo, que t\u00eam mostrado e continuam a mostrar a sua grande capacidade, humana e afectiva, de doa\u00e7\u00e3o gratuita e de entrega incondicional a crian\u00e7as que lhes foram entregues, muitas apanhadas na rua onde foram abandonadas, deixando atr\u00e1s de si mist\u00e9rios de dor indiz\u00edveis. Ao longo de muitos anos foram dando consist\u00eancia a um labor educativo persistente, como o de uma mater-nidade afectiva indiscut\u00edvel, nem sempre f\u00e1cil, entregando, por fim, \u00e0 sociedade jovens respons\u00e1veis e preparados para nela viverem, com capacidade de participa\u00e7\u00e3o, que falta a muitos outros, nascidos em ber\u00e7os dourados. A generaliza\u00e7\u00e3o de que as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre negativas para as crian\u00e7as, comporta uma mentira e um preconceito, n\u00e3o  admiss\u00edveis a gente que trabalha no campo social do Estado e julga que um diploma a credencia para dizer disparates e ter atitudes de arrog\u00e2ncia, que ro\u00e7am a ignor\u00e2ncia, a m\u00e1 educa\u00e7\u00e3o e mesmo a injusti\u00e7a.<\/p>\n<p>A considera\u00e7\u00e3o de problema t\u00e3o grave, como o de crian\u00e7as em fam\u00edlias de acolhimento e em institui\u00e7\u00f5es, exige trabalho em rede e parceria, discernimento com conte\u00fados e crit\u00e9rios, ideias claras e valores a defender e a promover, realismo sem preconceitos. O Estado, \u00e9 minha convic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem cora\u00e7\u00e3o para educar, e os seus servidores t\u00eam hor\u00e1rios de funcion\u00e1rio p\u00fablico, que n\u00e3o existem na fam\u00edlia, nem nas institui\u00e7\u00f5es credenciadas. Ele tem de saber as suas limita\u00e7\u00f5es e obriga\u00e7\u00f5es, ver o seu lugar neste processo, que nunca ser\u00e1 de dono das crian\u00e7as, de saber absoluto e exclusivo, de decisor sem apelo do que pensa, por si, ser o melhor, de juiz das fam\u00edlias que geraram filhos, de int\u00e9rprete exclusivo de crian\u00e7as que n\u00e3o ama. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As inten\u00e7\u00f5es s\u00e3o de atender, visto que se trata de proporcionar um clima familiar a crian\u00e7as sem fam\u00edlia, capaz de as educar e defender, aproximando a solu\u00e7\u00e3o dos problemas a quem os possa compreender. 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