{"id":11677,"date":"2008-07-09T12:04:00","date_gmt":"2008-07-09T12:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11677"},"modified":"2008-07-09T12:04:00","modified_gmt":"2008-07-09T12:04:00","slug":"barbuda-e-vasconcelos-notavel-poeta-epico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/barbuda-e-vasconcelos-notavel-poeta-epico\/","title":{"rendered":"Barbuda e Vasconcelos, not\u00e1vel poeta \u00e9pico"},"content":{"rendered":"<p>Novo livro de Amaro Neves <!--more--> Barbuda e Vasconcelos e o livro \u201cVirginidos ou vida da Virgem\u201dnada dizem \u00e0 grande maioria dos aveirenses. No entanto, o escritor nascido em Verdemilho, no ano de 1607, foi considerado um dos maiores poetas \u00e9picos da Europa, devido ao livro que publicou em 1667, dedicado \u00e0 rainha D. Lu\u00edsa de Gusm\u00e3o<\/p>\n<p>Manuel Mendes de Barbuda e Vasconcelos \u00e9 mais um nome que o investigador e historiador Amaro Neves resgatou da prateleira esquecida da mem\u00f3ria colectiva ao publicar a sua biografia em livro, com trechos de alguns dos seus poemas, tal como fizera recentemente com o Bispo D. Frei Miguel de Bulh\u00f5es e Sousa, tamb\u00e9m natural de Verdemilho (1706).<\/p>\n<p>O maior \u00e9pico portugu\u00eas<\/p>\n<p>Amaro Neves revela que Barbuda e Vasconcelos \u201cfoi considerado, at\u00e9 ao s\u00e9culo XVIII, o maior autor \u00e9pico portugu\u00eas. Depois, os ventos da hist\u00f3ria fizeram-no cair no esquecimento e hoje praticamente nem na sua terra era lembrado\u201d.<\/p>\n<p>Esse reconhecimento \u00e9pico veio precisamente pela publica\u00e7\u00e3o do livro \u201cVirginidos ou a vida da Virgem\u201d, no qual o seu autor \u201cconta as virtudes e os acontecimentos, como se de facto a Virgem Maria fosse a maior das hero\u00ednas existentes na Terra\u201d. O livro, como real\u00e7a Amaro Neves, teve uma \u00fanica edi\u00e7\u00e3o, motivo pelo qual actualmente \u00e9 uma raridade e preciosidade bibliogr\u00e1fica. Apesar disso, o historiador teve a sorte de um desses raros exemplares estar na posse de um aveirense, que lho cedeu para realizar o trabalho de investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>O poema \u00e9pico \u201cVirginidos ou a vida da Virgem\u201d \u00e9 um \u201clivro imenso\u201d, \u201cum volume not\u00e1vel\u201d, no dizer de Amaro Neves. O poema est\u00e1 dividido em 20 cantos e \u00e9 constitu\u00eddo por 2.847 oitavas (estilo tamb\u00e9m adoptado por Lu\u00eds de Cam\u00f5es no poema \u00e9pico \u201cOs Lus\u00edadas\u201d).<\/p>\n<p>Amaro Neves explica que o motivo que o levou a interessar-se por Barbuda e Vasconcelos, e da avan\u00e7ar para o trabalho de investiga\u00e7\u00e3o que culminou na edi\u00e7\u00e3o deste livro foi \u201csaber que esta personagem era uma figura not\u00e1vel da cultura portugusa, que nasceu e viveu nesta regi\u00e3o, mais concretamente no espa\u00e7o de Verdemilho e Bonsucesso, e que tem uma obra liter\u00e1ria notabil\u00edssima\u201d. \u00c9 um contributo tamb\u00e9m para que culturalmente figuras desta regi\u00e3o n\u00e3o caiam no esquecimento\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Barbuda e Vasconcelos tem liga\u00e7\u00f5es aos Vasconcelos, fam\u00edlia nobre com grandes tradi\u00e7\u00f5es em Verdemilho e tamb\u00e9m em Aveiro, como sublinha o historiador. Neste momento, \u00e9 prov\u00e1vel que ainda haja algum descendente de Barbuda e Vasconcelos, tanto mais que, diz o historiador, \u201cos herdeiros da famosa Casa da Granja s\u00e3o seus descendentes directos\u201d.<\/p>\n<p>Sendo Barbuda e Vasconcelos um dos maiores poetas portugueses, ombreando em termos \u00e9picos com os maiores da antiguidade grega, \u00e9 incompreens\u00edvel que o seu nome e a sua obra n\u00e3o estejam inclu\u00eddas nos curr\u00edculos do ensino oficial, sendo mesmo \u201cum nome irradiado da literatura portuguesa\u201d. At\u00e9 ao s\u00e9culo XVII, cantar as virtudes da Virgem Maria era um objectivo de vida. A partir do s\u00e9culo XVIII, com o liberalismo e o racionalismo, isso deixou de ser importante. Portanto, este grande e not\u00e1vel escrito sobre a Virgem Maria passou a ser um tema segundo plano\u201d, explica Amaro Neves.<\/p>\n<p>Juiz em Caminha, <\/p>\n<p>Valen\u00e7a e Lamego<\/p>\n<p>Manuel Mendes Barbuda e Vasconcelos estudou Direito na Universidade de Coimbra e exerceu cargos judiciais em Caminha, Valen\u00e7a e Lamego. Nasceu em Verdemilho, no dia 15 de Agosto de 1607, e faleceu nesse mesmo lugar, a 30 de Mar\u00e7o de 1670.<\/p>\n<p>Placa agora, est\u00e1tua e reedi\u00e7\u00e3o do livro <\/p>\n<p>no futuro?<\/p>\n<p>Quando do terceiro centen\u00e1rio da morte de Barbuda e Vasconcelos, o escritor e jornalista aveirense Eduardo Cerqueira publicou um artigo evocativo sobre a vida e obra desse poeta \u00e9pico.<\/p>\n<p>No passado dia 29 de Junho, ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica do livro de Amaro Neves, editado pela Junta de Freguesia de Aradas e apresentado por Teixeira Carneiro, foi descerrada uma placa comemorativa do quarto centen\u00e1rio do nascimento de Barbuda e Vasconcelos. No entanto, e na presen\u00e7a do vereador da Cultura da C\u00e2mara Municipal de Aveiro, Miguel Cap\u00e3o Filipe, o historiador deixou o desafio para se erguer uma est\u00e1tua que perpetue o nome do poeta, dizendo que \u201cse fosse noutra cidade, seria feita uma est\u00e1tua\u201d, mas como \u201cem Aveiro n\u00e3o estamos habituados a ter figuras de destaque das letras portuguesas\u2026\u201d<\/p>\n<p>No ano de 2020, por altura dos 350 anos da morte de Barbuda e Vasconcelos, ser\u00e1 a altura ideal para o livro \u201cVirginidos ou a vida da Virgem\u201d ter uma segunda edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Imagem revela antiga igreja de Verdemilho<\/p>\n<p>Outro interesse deste livro est\u00e1 no facto de \u201cmostrar \u00e0s gentes desta terra como seria a sua antiga igreja paroquial, com quase mil anos de hist\u00f3ria, que estaria localizada junto ao Esteiro de S. Pedro\u201d, afirma Amaro Neves. A igreja desapareceu h\u00e1 cerca de 150 anos. N\u00e3o ficaram mem\u00f3rias escritas nem imagens. \u201cH\u00e1 uma gravura do s\u00e9culo XVII que nos mostra como seria o al\u00e7ado dessa igreja, e achei importante mostrar neste livro como seria essa igreja\u201d, relata Amaro Neves.<\/p>\n<p>E\u00e7a de Queir\u00f3s viveu em Verdemilho<\/p>\n<p>e nesta terra quis ser sepultado<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de Barbuda e Vasconcelos, Ant\u00f3nio M\u00e1rio Neto, presidente da Junta de Freguesia de Aradas, destacou alguns nomes que pessoas c\u00e9lebres que viveram em Verdemilho, nomeadamente o escritor E\u00e7a de Queir\u00f3s, que a\u00ed passou v\u00e1rios anos da sua inf\u00e2ncia e onde teve os seus primeiros anos de escola.<\/p>\n<p>E\u00e7a de Queir\u00f3s residiu na casa do seu av\u00f4, o conselheiro Queir\u00f3s, uma figura \u00edmpar na luta contra o absolutismo em Portugal, o que faz dele tamb\u00e9m uma refer\u00eancia hist\u00f3rica para Aveiro e para o pr\u00f3prio pa\u00eds. Apesar disso, a casa onde ambos viveram encontra-se praticamente em ru\u00ednas, apesar de haver, h\u00e1 v\u00e1rios anos, um projecto municipal para a reconstruir e reconvert\u00ea-la num espa\u00e7o museol\u00f3gico e de estudos queirosianos.<\/p>\n<p>O autarca lamentou o estado de degrada\u00e7\u00e3o da antiga casa da fam\u00edlia Queir\u00f3s e tamb\u00e9m o facto dos restos mortais de E\u00e7a de Queir\u00f3s (falecido em Paris, Fran\u00e7a) nunca terem sido sepultados em Verdemilho, apesar de ter sido esse o seu desejo.<\/p>\n<p>O autor de \u201cOs Maias\u201d est\u00e1 sepultado em Tormes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novo livro de Amaro Neves<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-11677","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11677"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11677\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}