{"id":11730,"date":"2008-02-28T15:01:00","date_gmt":"2008-02-28T15:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11730"},"modified":"2008-02-28T15:01:00","modified_gmt":"2008-02-28T15:01:00","slug":"como-tornar-a-cinza-em-lume","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/como-tornar-a-cinza-em-lume\/","title":{"rendered":"Como tornar a cinza em lume?"},"content":{"rendered":"<p>JOS\u00c9 TOLENTINO MENDON\u00c7A<\/p>\n<p>A Quaresma coincide com o irromper da primavera, e a coincid\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas de calend\u00e1rio, mas de fundo. H\u00e1 um n\u00edtido apelo primaveril, o mesmo sopro tenro, um igual perfume disseminado nesta proposta quaresmal, que pode at\u00e9 (injustamente) passar por sisuda ou an\u00f3dina, quando \u00e9 o oposto disso.<\/p>\n<p>A Quaresma \u00e9 um tempo simb\u00f3lico. Constitui, em vista da P\u00e1scoa, um sobressalto vital. A Quaresma vem exorcizar o fatalismo, reagir ao ditado pragm\u00e1tico do \u201cdeixa andar\u201d. Tudo isso em nome de uma grande esperan\u00e7a: \u201cPode um homem sendo velho nascer de novo?\u201d, perguntava Nicodemos a Jesus. E n\u00e3o ficou sem resposta. <\/p>\n<p>Neste p\u00f4r-a-vida-em-processo-de-florescimento somos ajudados por tr\u00eas express\u00f5es do patrim\u00f3nio espiritual crist\u00e3o:<\/p>\n<p>1. A ora\u00e7\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma brecha que nasce da escuta. Pelo provis\u00f3rio faz passar o Eterno. Ao puramente hist\u00f3rico empresta uma voca\u00e7\u00e3o transcendente. Permite que o homem olhe n\u00e3o apenas para Deus, mas seja capaz de olhar-se a ele pr\u00f3prio com os olhos de Deus. <\/p>\n<p>2. O jejum. Vivemos triturados na digest\u00e3o que o mundo faz de n\u00f3s. Trazemos o Ser hipotecado ao Ter. Corremos de um lado para outro, ref\u00e9ns e instrumentos, mais do que aut\u00f3nomos e criativos. A priva\u00e7\u00e3o, quando corresponde a um acto espiritual, amplia o campo da liberdade. Cria novas disponibilidades, possibilita o exerc\u00edcio do pensamento e do discernimento, melhora o sentido de humor\u2026<\/p>\n<p>3. Ao jejum est\u00e1 ligada a pr\u00e1tica da esmola, que tem a sua modalidade mais aut\u00eantica na condivis\u00e3o. L\u00ea-se no profeta Isa\u00edas: \u201cO jejum que Eu quero n\u00e3o ser\u00e1 antes este: quebrar as cadeias injustas, desatar os la\u00e7os de servid\u00e3o\u2026? N\u00e3o ser\u00e1 repartir o teu p\u00e3o com o faminto, dar pousada aos pobres sem abrigo, levar roupa aos que n\u00e3o t\u00eam com que se vestir e n\u00e3o voltar as costas ao teu semelhante?\u201d. O jejum abre o nosso cora\u00e7\u00e3o aos outros. A esmola testemunha-o no compromisso por um mundo fraterno.<\/p>\n<p>Por isso, quando, ao come\u00e7ar a Quaresma, os crist\u00e3os recebem sobre a sua cabe\u00e7a o sinal das cinzas, acolhem tamb\u00e9m a interpela\u00e7\u00e3o: \u201ccomo tornar a cinza em lume\u201d?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JOS\u00c9 TOLENTINO MENDON\u00c7A A Quaresma coincide com o irromper da primavera, e a coincid\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas de calend\u00e1rio, mas de fundo. H\u00e1 um n\u00edtido apelo primaveril, o mesmo sopro tenro, um igual perfume disseminado nesta proposta quaresmal, que pode at\u00e9 (injustamente) passar por sisuda ou an\u00f3dina, quando \u00e9 o oposto disso. A Quaresma \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-11730","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11730"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11730\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}