{"id":11733,"date":"2008-02-28T15:05:00","date_gmt":"2008-02-28T15:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11733"},"modified":"2008-02-28T15:05:00","modified_gmt":"2008-02-28T15:05:00","slug":"necessidade-permanente-de-purificacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/necessidade-permanente-de-purificacao\/","title":{"rendered":"Necessidade permanente de purifica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Diz a hist\u00f3ria do Vaticano II, por muitos j\u00e1 esquecida ou nunca aprendida, que foi grande a discuss\u00e3o dos padres conciliares quando se reflectiu sobre a condi\u00e7\u00e3o, ao longo do tempo, da Igreja, Povo de Deus, que peregrina no mundo. Viu-se ent\u00e3o que, na sua hist\u00f3ria, havia p\u00e1ginas de santidade, mas tamb\u00e9m p\u00e1ginas com desvios do rumo que o seu Fundador lhe imprimira.<\/p>\n<p>Era preciso deixar expl\u00edcito que se assumiam umas e outras na sua verdade total. Foi assim que surgiu uma proposta de redac\u00e7\u00e3o para ficar no texto conciliar e que falava da Igreja de Jesus Cristo \u201csanta e pecadora\u201d. A afirma\u00e7\u00e3o, tal qual, n\u00e3o agradou, pois se acreditamos que o Esp\u00edrito Santo a conduz e a anima na sua voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade, que \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o de todos os seus membros, o pecado n\u00e3o faz parte da natureza da Igreja, mas \u00e9 resultado da falta de verdade e coer\u00eancia daqueles que, dizendo-se crist\u00e3os, lhe desfiguram o rosto, que \u00e9 o de um Deus Pai, rico em miseric\u00f3rdia, e de um Filho, que a quer pura e santa e por ela se entregou \u00e0 morte, vencendo esta com a sua ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Encontrou-se ent\u00e3o uma f\u00f3rmula mais aceit\u00e1vel, verdadeira e estimulante: \u201cIgreja santa, mas sempre necessitada de purifica\u00e7\u00e3o\u201d. Assim se respeita a verdade da santidade e se faz apelo a que se considere a condi\u00e7\u00e3o do pecado como transit\u00f3ria, com a liberta\u00e7\u00e3o sempre \u00e0 vista para quem quiser livremente aceitar o caminho, que Cristo abriu para todos.<\/p>\n<p>A santidade de muitos crist\u00e3os, mais numerosos que os que recebem o reconhecimento p\u00fablico das suas virtudes, \u00e9 um patrim\u00f3nio da Igreja, rico e ineg\u00e1vel. Ela mostra a todos, deste modo, aos de dentro e os de fora, como n\u00e3o faltam, nem nunca faltaram, crist\u00e3os para os quais Deus \u00e9 o \u00fanico Senhor, a Luz das suas vidas e a For\u00e7a do seu caminhar, crescendo cada dia \u00e0 medida de Cristo, no meio de contrariedades, lutas e trabalhos.<\/p>\n<p>A Palavra de Deus, revelada e transmitida pela Tradi\u00e7\u00e3o, ajuda-nos a entender que o santo \u00e9 o crist\u00e3o normal e que a santidade est\u00e1 ao alcance de todos os filhos de Deus, constituindo para cada um o apelo a ir mais longe, iluminado interiormente por uma f\u00e9 esclarecida e coerente.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a Igreja n\u00e3o esquece nem pode esquecer que o tempo da peregrina\u00e7\u00e3o no mundo, se \u00e9 o tempo do m\u00e9rito, \u00e9 tamb\u00e9m o tempo \u201cda grande tribula\u00e7\u00e3o\u201d. O tempo p\u00f5e \u00e0 prova tanto a grandeza, como a debilidade de cada um de n\u00f3s. Por isso, a Igreja nunca deixar\u00e1 de convidar os crist\u00e3os \u00e0 convers\u00e3o evang\u00e9lica, a voltarem-se para Deus com as suas for\u00e7as e fraquezas, vit\u00f3rias e derrotas, e a alinharem a vida toda, segundo o amor que lhe d\u00e1 sentido e com garantia de seguran\u00e7a e de \u00eaxito. Assim, vai dizendo que todos podemos ser vencedores nos combates da vida, dando sentido de vit\u00f3ria a cada pequeno ou grande combate que vamos travando. <\/p>\n<p>S\u00f3 o amor a Deus e aos outros, por raz\u00e3o de Quem primeiro nos amou, \u00e9 caminho de salva\u00e7\u00e3o. S\u00f3 o deixar de estar ligado \u00e0 Fonte da vida e de amar aqueles de n\u00f3s mais precisam \u00e9 pren\u00fancio de perda e sinal do pouco que Deus pode significar para n\u00f3s.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil reconhecer a nossa condi\u00e7\u00e3o, tanto de romeiros a caminho da santidade, por gestos de verdade e coer\u00eancia de vida, como de humildes pecadores, que, por ac\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es, v\u00e3o deixando secar no cora\u00e7\u00e3o o amor que salva.<\/p>\n<p>Cada ano, na Quaresma, e, ao longo dos meses, atrav\u00e9s das ac\u00e7\u00f5es mais diversas, a Igreja, m\u00e3e e mestra, nos estimula e adverte, tanto para a possibilidade da santidade ao alcance de todos, como para o perigo do pecado pessoal, social e comunit\u00e1rio, ao qual n\u00e3o faltam ocasi\u00f5es aliciantes e portas abertas e convidativas a entrar.<\/p>\n<p>\u00c9, tamb\u00e9m, tempo para dizer a todos que a necessidade de purifica\u00e7\u00e3o acompanha a Igreja no seu a dia de peregrina e constitui um apelo claro com as suas exig\u00eancias e verdade.<\/p>\n<p>No tempo da peregrina\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o do enraizamento, prova e purifica\u00e7\u00e3o da f\u00e9, nem h\u00e1 santidade consumada, nem situa\u00e7\u00f5es irremedi\u00e1veis. Definitivo, s\u00f3 o amor de Deus para com todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diz a hist\u00f3ria do Vaticano II, por muitos j\u00e1 esquecida ou nunca aprendida, que foi grande a discuss\u00e3o dos padres conciliares quando se reflectiu sobre a condi\u00e7\u00e3o, ao longo do tempo, da Igreja, Povo de Deus, que peregrina no mundo. 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