{"id":11738,"date":"2008-03-05T15:21:00","date_gmt":"2008-03-05T15:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11738"},"modified":"2008-03-05T15:21:00","modified_gmt":"2008-03-05T15:21:00","slug":"a-verdade-devolve-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-verdade-devolve-a-esperanca\/","title":{"rendered":"A verdade devolve a esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>A habitual tend\u00eancia dos portugueses para o pessimismo n\u00e3o \u00e9 cong\u00e9nita, n\u00e3o \u00e9 heredit\u00e1ria. Muitas \u00e9pocas da nossa hist\u00f3ria revelam a ousadia, fruto do optimismo, da esperan\u00e7a, da consci\u00eancia do valor, da vontade de vencer, de sucessivas gera\u00e7\u00f5es, mesmo em meio de condi\u00e7\u00f5es adversas, mesmo em \u00e9pocas de grave crise.<\/p>\n<p>Tenho para mim que o clima depressivo em que muitos hoje nos movemos resulta n\u00e3o apenas das circunst\u00e2ncias adversas da economia, do mal estar social, da carestia de vida, da inseguran\u00e7a crescente\u2026, mas sobretudo da frustra\u00e7\u00e3o resultante de uma ilus\u00e3o semeada de que, em contraste com estas condi\u00e7\u00f5es negativas, vivemos num reino de maravilhas.<\/p>\n<p>Na realidade a mentira pol\u00edtica de que tudo est\u00e1 no bom caminho, de que as melhorias s\u00e3o sens\u00edveis, de que o crescimento \u00e9 um facto, o desemprego um fantasma passado\u2026, fazem sorrir por um instante, para depois nos mergulharem numa realidade nua e crua, negra e pesada. A desilus\u00e3o prostra mais do que as dificuldades!<\/p>\n<p>Em verdade, semeia-se a imagem de um mundo vanguardista &#8211; tecnol\u00f3gico, cient\u00edfico, cultural(?!&#8230;) -, que contrasta com a verdadeira mis\u00e9ria de um crescente n\u00famero de portugueses. Custa-me a entender que o n\u00e3o saibam os respons\u00e1veis da governa\u00e7\u00e3o: cresce de dia para dia o n\u00famero dos que procuram o p\u00e3o indispens\u00e1vel \u00e0 subsist\u00eancia, as migalhas para matar a fome, os c\u00eantimos para pagar a \u00e1gua, a luz ou o g\u00e1s; dos que mendigam uns euros para poderem continuar a tomar os medicamentos indispens\u00e1veis; dos que buscam o apoio de uma institui\u00e7\u00e3o para presta\u00e7\u00e3o dos cuidados m\u00ednimos, sem recursos para os compensarem&#8230; <\/p>\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel ignorar esta realidade? Como \u00e9 poss\u00edvel considerar aceit\u00e1veis, normais, os gastos desmedidos em empreendimentos megal\u00f3manos, os sal\u00e1rios escandalosos de atletas, gestores, pol\u00edticos, a pl\u00eaiade de parasitas sociais, oportunistas coleccionadores de reformas ou pluralidade de ocupa\u00e7\u00f5es? \u00c9 com a redu\u00e7\u00e3o dessas diferen\u00e7as abissais que diminui o d\u00e9fice or\u00e7amental?&#8230; Ou \u00e9 ainda com o sacrif\u00edcio, subtil, de mais uns c\u00eantimos \u00e0queles que nada t\u00eam?<\/p>\n<p>\u201cEu ouvi o clamor do meu povo\u201d &#8211; diz o Senhor. E os ouvidos da Provid\u00eancia nunca se fechar\u00e3o ao clamor dos pobres! J\u00e1 muitas civiliza\u00e7\u00f5es ca\u00edram de podres, pela lux\u00faria de uns poucos em detrimento da multid\u00e3o; j\u00e1 muitos sistemas pol\u00edticos ru\u00edram, pela incontida revolta da fome!&#8230;<\/p>\n<p>A ren\u00fancia quaresmal tamb\u00e9m \u00e9 para os grandes! Muito poucos desses ter\u00e3o no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 essa proposta de convers\u00e3o do Evangelho. Mas a voz de Deus ecoa tamb\u00e9m nas consci\u00eancias, mesmo quando se n\u00e3o conheceu Aquele que \u201cse fez pobre, para nos tornar ricos\u201d. E sempre o testemunho dos fi\u00e9is poder\u00e1 ser um espinho cravado nessas consci\u00eancias, a clamar por justi\u00e7a! <\/p>\n<p>Precisamos de uma P\u00e1scoa libertadora no nosso Pa\u00eds: para os pobres, devolvendo-lhes a consci\u00eancia da sua dignidade e o sentido do seu vigor; para os ricos, o choque da verdade, que lhes mostre os seus \u201cp\u00e9s de barro\u201d e os fa\u00e7a descer dos seus tronos, antes que os apeiem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A habitual tend\u00eancia dos portugueses para o pessimismo n\u00e3o \u00e9 cong\u00e9nita, n\u00e3o \u00e9 heredit\u00e1ria. 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