{"id":11791,"date":"2008-03-05T17:54:00","date_gmt":"2008-03-05T17:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11791"},"modified":"2008-03-05T17:54:00","modified_gmt":"2008-03-05T17:54:00","slug":"uma-eixense-esposa-e-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/uma-eixense-esposa-e-mae\/","title":{"rendered":"Uma eixense, esposa e m\u00e3e"},"content":{"rendered":"<p>No Dia Internacional da Mulher <!--more--> No dia 5 do passado m\u00eas de Janeiro, ocorreu o quinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio do falecimento do inesquec\u00edvel aveirense D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal. Por tal motivo, para celebrar o \u00abDia Internacional da Mulher\u00bb, ocorre-me rememorar a m\u00e3e do saudoso Arcebispo-Bispo de Aveiro.<\/p>\n<p>D. Umbelina Elisa de Lima nasceu na Vila de Eixo em 1846. Os seus antepassados e parentes foram os Gon\u00e7alves, os Figueiredos e os Limas. Em 1872, na velha igreja da Vera-Cruz \u2013 que existiu no largo que hoje tem o nome de Maia Magalh\u00e3es \u2013 casou com Norberto Ferreira Vidal, natural de Vagos. De tal enlace nasceram seis filhos: &#8211; Augusto Belchior, Jo\u00e3o Evangelista, Carlos, Maria M\u00e1xima, Zulmira e Umbelina Celeste. Entretanto, em 1886 faleceu o marido, com apenas trinta e um anos de idade; dele ficou a lembran\u00e7a de ser um homem s\u00e9rio e um cavalheiro em toda a extens\u00e3o da palavra.<\/p>\n<p>A vi\u00fava, ainda t\u00e3o nova, defrontou-se sozinha com a responsabilidade da casa, com o infort\u00fanio da pobreza e com a educa\u00e7\u00e3o dos filhos e das filhas \u2013 a mais nova das quais contava tr\u00eas anos. D. Umbelina Elisa era uma aut\u00eantica senhora; ao olhar para o seu retrato, tem-se a impress\u00e3o de ver algu\u00e9m que \u00e0 decis\u00e3o aliava a fortaleza e \u00e0 eleg\u00e2ncia a simplicidade. Juntava as qualidades tradicionais da fam\u00edlia ancestral ao car\u00e1cter do marido. Nem as desventuras lhe retiraram o ar distinto do sangue que herdara e as maneiras senhoris do nome que recebera.<\/p>\n<p>Com a vida, os pais transmitem aos filhos muito de si e do seu temperamento; assim naturalmente aconteceu com os Lima Vidal. Contudo, como educadora, a m\u00e3e moldou-os nos valores da f\u00e9 crist\u00e3, do amor de Deus e da caridade para com os outros, sobretudo os mais necessitados. Podia esta fam\u00edlia viver em extremas dificuldades econ\u00f3micas; mas D. Jo\u00e3o Evangelista tanto queria ao seu lar e ao seu ambiente familiar que, pelos anos al\u00e9m, proclamaria que n\u00e3o havia outra coisa no mundo mais sumptuosa. E outrossim recordaria o ber\u00e7o alindado com a branca colcha rica de bordados, com as rosas frescas que o enchiam de perfume, com os sorrisos, os beijos, as meiguices e a ternura suave e delicada da m\u00e3e. <\/p>\n<p>Como eu pessoalmente recordo tantas e tantas confid\u00eancias de D. Jo\u00e3o Evangelista&#8230; Mais do que uma vez lhe ouvi dizer que a m\u00e3e, como catequista e testemunha do sobrenatural, andava sempre \u00e0 espera de p\u00f4r nos l\u00e1bios inocentes das suas crian\u00e7as o Nome sagrado de Deus, de Jesus e da Virgem Maria. Pode dizer-se que ela, como devem ser todas as m\u00e3es, era uma doutora e mestra, cuja c\u00e1tedra era o rega\u00e7o e cujos alunos eram os filhos. Santo Agostinho poderia n\u00e3o estar seguro do que afirmava e S. Tom\u00e1s de Aquino poderia gastar muita tinta para chegar a uma conclus\u00e3o; as m\u00e3es, essas s\u00e3o como que infal\u00edveis nestes seus ensinamentos. Conforme escreveu D. Jo\u00e3o Evangelista, \u00abn\u00e3o pode ser uma quimera quem alcan\u00e7a semelhantes vit\u00f3rias; nem outro, sen\u00e3o o Senhor Deus, poderia conseguir um tal sacrif\u00edcio da vaidade das m\u00e3es.\u00bb<\/p>\n<p>Ao longo da sua vida, D. Umbelina Elisa, animada e resoluta, foi quem encaminhou e estimulou o filho a seguir corajosamente o seu projecto do sacerd\u00f3cio e do episcopado, desde o encontro fortuito no Ver\u00e3o de 1887 com o Bispo de Coimbra, D. Manuel Correia de Bastos Pina, at\u00e9 ao dia da sua morte, que aconteceu em Abril de 1919. Numa p\u00e1gina de \u00edntimas mem\u00f3rias, D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal deixou-nos uns tra\u00e7os de elogio \u00e0 m\u00e3e, em que recordou o bem que dela carinhosamente havia recebido ao longo da vida, n\u00e3o apenas com os conselhos em palavras certeiras mas tamb\u00e9m com os momentos de companhia afectuosa, quando a solid\u00e3o o assoberbava e quando a multid\u00e3o o afligia.<\/p>\n<p>Ao lado de um grande filho esteve sempre uma grande m\u00e3e!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia Internacional da Mulher<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[],"class_list":["post-11791","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11791","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11791"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11791\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11791"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}