{"id":11797,"date":"2008-03-05T18:04:00","date_gmt":"2008-03-05T18:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11797"},"modified":"2008-03-05T18:04:00","modified_gmt":"2008-03-05T18:04:00","slug":"corrupcao-contra-a-corrupcao-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/corrupcao-contra-a-corrupcao-1\/","title":{"rendered":"&#8220;Corrup\u00e7\u00e3o&#8221; contra a corrup\u00e7\u00e3o? (1)"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> A Quaresma \u00e9 um tempo deveras prop\u00edcio \u00e0 abordagem de quest\u00f5es graves, que nos afectam e responsabilizam a todos n\u00f3s. O mal end\u00e9mico da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 uma delas: &#8211; grassa em todo o pa\u00eds e em todo o mundo, \u00e9 uma realidade ancestral e suscita reac\u00e7\u00f5es que podem contribuir para a sua manuten\u00e7\u00e3o e, eventualmente, para o seu agravamento. A luta contra a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9, geralmente, bem intencionada; por\u00e9m n\u00e3o vai directamente \u00e0 raiz do mal, deixando-se envolver nas teias do interesse pr\u00f3prio, do exibicionismo \u00e9tico, do manique\u00edsmo, da sede de sangue e da transfer\u00eancia de responsabilidades para outrem. <\/p>\n<p>Dentro  da multiplicidade de problemas a resolver na luta contra a corrup\u00e7\u00e3o, h\u00e1 tr\u00eas que s\u00e3o fundamentais e que justificam a mais alta prioridade, at\u00e9 porque v\u00eam sendo bastante descurados: &#8211; um respeita ao pr\u00f3prio conceito de corrup\u00e7\u00e3o; o outro incide no conhecimento do fen\u00f3meno; e o terceiro consiste nas posi\u00e7\u00f5es oficiais e particulares perante ele. <\/p>\n<p>A clarifica\u00e7\u00e3o do conceito de corrup\u00e7\u00e3o implica a resposta a v\u00e1rias perguntas: &#8211; s\u00e3o actos de corrup\u00e7\u00e3o as ofertas a profissionais de creches, jardins de inf\u00e2ncia, escolas, estabelecimentos de sa\u00fade, lares, e a tantos outros funcion\u00e1rios? &#8211; Alegadamente, trata-se de simples express\u00f5es de reconhecimento e apre\u00e7o; por\u00e9m, na realidade, podem originar tenta\u00e7\u00f5es para tratamentos discriminat\u00f3rios. As tradicionais ofertas ao domic\u00edlio praticadas por empresas a entidades p\u00fablicas, na quadra natal\u00edcia ou noutras oportunidades, como \u00e9 que se podem classificar em termos de corrup\u00e7\u00e3o? Alguns outros actos j\u00e1 s\u00e3o vistos, quase unanimemente, como corruptos; tal \u00e9, por exemplo, o caso dos extras acrescidos a certos pagamentos de servi\u00e7os, as luvas pagas para se obterem determinadas decis\u00f5es, ou ainda a pr\u00e1tica de entregas regulares, em dinheiro ou noutros bens, a funcion\u00e1rios que asseguram servi\u00e7os r\u00e1pidos e favor\u00e1veis. Os concursos p\u00fablicos aparecem como oportuni-dades \u00abnormais\u00bb de corrup\u00e7\u00e3o, mas justifica-se perguntar: &#8211; ser\u00e1 mesmo assim? E, em qualquer hip\u00f3tese, n\u00e3o ser\u00e3o apenas uma ponta do icebergue?<\/p>\n<p>O conceito de corrup\u00e7\u00e3o suscita d\u00favidas de tal peso que se corre o risco de ele pr\u00f3prio denotar uma postura potencialmente corrupta ou marcada por um puritanismo desumano. Mas os processos de conhecimento do fen\u00f3meno, na sua realidade, tamb\u00e9m aparecem recheados de dificuldades: &#8211; a apresenta\u00e7\u00e3o de queixa, a den\u00fancia an\u00f3nima, a ac\u00e7\u00e3o fiscalizadora ou de inspec\u00e7\u00e3o e outras pr\u00e1ticas trazem inconvenientes diversos, embora sejam necess\u00e1rias; a queixa reverte, muitas vezes, contra a v\u00edtima; a den\u00fancia an\u00f3nima acha-se condenada eticamente; a ac\u00e7\u00e3o fiscalizadora ou de inspec\u00e7\u00e3o corre o risco de injusti\u00e7a grave e de ela pr\u00f3pria actuar corruptamente&#8230; <\/p>\n<p>Sejam quais forem os conceitos de corrup\u00e7\u00e3o e os meios de conhecimento do fen\u00f3meno na realidade, acontece que as posi\u00e7\u00f5es oficiais e privadas, supostamente \u00e9ticas ou defensoras da legalidade, se encontram bastante inquinadas na sua g\u00e9nese, como acima se referiu no in\u00edcio desta reflex\u00e3o; h\u00e1, pois, que ir mais longe (continua).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-11797","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11797","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11797"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11797\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11797"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11797"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11797"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}