{"id":11799,"date":"2008-03-05T18:05:00","date_gmt":"2008-03-05T18:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11799"},"modified":"2008-03-05T18:05:00","modified_gmt":"2008-03-05T18:05:00","slug":"pao-e-remedios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pao-e-remedios\/","title":{"rendered":"P\u00e3o e rem\u00e9dios"},"content":{"rendered":"<p>Os bens do dia a dia a que as pessoas s\u00e3o mais sens\u00edveis, quando eles faltam ou o seu pre\u00e7o aumenta e se torna incomport\u00e1vel, s\u00e3o estes bens de primeira necessidade que d\u00e3o pelo nome de p\u00e3o e de rem\u00e9dios. De novo se anuncia que o p\u00e3o vai ser mais caro. Dos rem\u00e9dios nem \u00e9 preciso dizer, nem anunciar, por estar \u00e0 vista a dificuldade de os pagar, quando n\u00e3o se pode passar sem eles e os ordenados e reformas permanecem magros.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao p\u00e3o, todos sabemos como ele \u00e9 mesmo alimento necess\u00e1rio, verdadeiramente indispens\u00e1vel sempre, mas sobretudo quando na fam\u00edlia h\u00e1 crian\u00e7as. Na sabedoria do povo, ouvimos como o p\u00e3o \u00e9 sinal de amor e de vida. \u201cTira-se o p\u00e3o da boca para o dar aos filhos\u201d, como se tiravam os an\u00e9is dos dedos, ao surgir uma doen\u00e7a ou um contratempo que tinha de se enfrentar, sem olhar a gostos e a sacrif\u00edcios.<\/p>\n<p>A pobreza aumenta, e agora tamb\u00e9m a das crian\u00e7as. Diz-se e verifica-se, cada dia, que assim \u00e9 mesmo. Que nas crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de p\u00e3o, mas para muitas tamb\u00e9m o \u00e9 de aten\u00e7\u00e3o, de carinho, de amor sens\u00edvel, de respeito. <\/p>\n<p>Uma pobreza, quando \u00e0 vista de todos, sempre vai contando com alguma ajuda. Mais ajuda de pobres, que sabem como \u00e9 n\u00e3o ter o necess\u00e1rio, do que ricos. Fascinados por ter mais, envolvem-se em desculpas para manter o cora\u00e7\u00e3o e a bolsa fechados. Outra pobreza, n\u00e3o menos dolorosa, encoberta e envergonhada, nem sempre por culpa pr\u00f3pria ou da fam\u00edlia, em que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil enfrentar a vida de rosto destapado, quando ela foi madrasta e atirou para a valeta quem sempre andou na estrada.<\/p>\n<p>O povo tamb\u00e9m diz que \u201cquem precisa, precisa todos os dias\u201d, mas quem ajuda nem sempre o pode fazer todos os dias. <\/p>\n<p>Ao lado da pobreza que aumenta, vemos com preocupa\u00e7\u00e3o definhar a solidariedade de muitos para com quem precisa, tornando-se um desafio inaceit\u00e1vel a sua faustosa ostenta\u00e7\u00e3o. Quando na sociedade falta a muitos o necess\u00e1rio e a outros sobra aquilo de que disp\u00f5em, a ponto de o desbaratar, o esp\u00edrito de compaix\u00e3o e de partilha fica tolhido pela insensibilidade que o ego\u00edsmo gera e alimenta. Ent\u00e3o o mundo caminha para a degrada\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Quem sustenta as rela\u00e7\u00f5es humanas sadias \u00e9 o amor m\u00fatuo feito partilha, n\u00e3o a ostenta\u00e7\u00e3o que a uns ensoberbece e a outros humilha.<\/p>\n<p>P\u00e3o e rem\u00e9dios, que rem\u00e9dios tamb\u00e9m s\u00e3o p\u00e3o! <\/p>\n<p>Sobram computadores, distribu\u00eddos em profus\u00e3o, com televis\u00e3o atr\u00e1s, \u00e0s crian\u00e7as das escolas. Sobram \u201cviagens de estudo\u201d, j\u00e1 a partir do ensino pr\u00e9-prim\u00e1rio, quando a capacidade de apreciar \u00e9 ainda pouca. Sobram passeios, jantares e almo\u00e7os festivos aos idosos, quando se deixam, de lado e sem resposta, necessidades b\u00e1sicas, que todas estas cabem quando se fala de p\u00e3o e de rem\u00e9dios.<\/p>\n<p>N\u00e3o que tudo isto seja in\u00fatil ou sem sentido, mas porque se torna importante e urgente, num pa\u00eds sem grandes recursos, que n\u00e3o se descuide o essencial, para privilegiar o secund\u00e1rio, muito menos quando o essencial \u00e9 inc\u00f3modo e o secund\u00e1rio leva a elogios a quem o proporciona.<\/p>\n<p>A vida do dia-a-dia de muita gente, pessoas e fam\u00edlias, est\u00e1-se tornando um problema grave, mormente quando surgem situa\u00e7\u00f5es de desemprego, de falta de sa\u00fade, de urg\u00eancias inadi\u00e1veis, de inseguran\u00e7a constante, quando pela frente surge um futuro fechado a sonhos auspiciosos. Quem n\u00e3o tem dificuldades, ou nunca as teve, nem se apercebe desta dolorosa realidade.<\/p>\n<p>A solidariedade \u00e9 campo aberto onde todos podem e devem caminhar. O governo, que administra dinheiros que n\u00e3o lhe pertencem, tem de ser s\u00e9rio e realista perante as necessidades concretas das pessoas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os bens do dia a dia a que as pessoas s\u00e3o mais sens\u00edveis, quando eles faltam ou o seu pre\u00e7o aumenta e se torna incomport\u00e1vel, s\u00e3o estes bens de primeira necessidade que d\u00e3o pelo nome de p\u00e3o e de rem\u00e9dios. De novo se anuncia que o p\u00e3o vai ser mais caro. 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