{"id":11855,"date":"2008-03-12T16:38:00","date_gmt":"2008-03-12T16:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11855"},"modified":"2008-03-12T16:38:00","modified_gmt":"2008-03-12T16:38:00","slug":"e-preciso-recordar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-preciso-recordar\/","title":{"rendered":"\u00c9 preciso recordar"},"content":{"rendered":"<p>Na manh\u00e3 do passado dia 3 de Mar\u00e7o, pelas not\u00edcias da regi\u00e3o aos microfones da R\u00e1dio Voz de Vagos, tive conhecimento da reuni\u00e3o anterior da Assembleia Municipal de Vagos. Baseando-me no texto que ouvi, resolvi escrever a seguinte nota\u2026 apenas para recordar.<\/p>\n<p>TERRENO NA GAFANHA <\/p>\n<p>DA BOA-HORA<\/p>\n<p>Um dos pontos da agenda, segundo a not\u00edcia, foi a poss\u00edvel doa\u00e7\u00e3o do terreno onde est\u00e3o implantados e constru\u00eddos, desde 1984, os edif\u00edcios da igreja matriz e das salas da catequese em favor da \u201cF\u00e1brica da Igreja Paroquial da Freguesia da Gafanha da Boa-Hora\u201d (Par\u00f3quia), pessoa colectiva religiosa que goza de autonomia pr\u00f3pria, cumpre-me dizer o quanto segue:<\/p>\n<p>I.\u00ba &#8211; O terreno onde est\u00e3o constru\u00eddos os edif\u00edcios da igreja matriz e das salas de catequese da mencionada \u201cF\u00e1brica da Igreja Paroquial da Freguesia da Gafanha da Boa-Hora\u201d, com a \u00e1rea prevista de 4.000 m2, foram oralmente cedidos, sem quaisquer condi\u00e7\u00f5es, pelos Servi\u00e7os Florestais do Minist\u00e9rio da Agricultura, no ano de 1971. Sem nenhum embargo, logo os respons\u00e1veis da Par\u00f3quia entregaram o estudo do projecto de arquitectura ao Arq. Santos Malta, do Porto. Feito isto, em 2 de Fevereiro de 1972 iniciou-se no local a constru\u00e7\u00e3o da igreja, que foi solenemente benzida e inaugurada no dia 22 de Julho de 1984 pelo Bispo da Diocese de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade, com a presen\u00e7a da Presidente da C\u00e2mara Municipal de Vagos, D. Alda dos Santos Vitor, e do Presidente da Junta de Freguesia. N\u00e3o se percebe o motivo de a Assembleia Municipal de Vagos n\u00e3o aceitar a resolu\u00e7\u00e3o daqueles Servi\u00e7os Florestais, quando o terreno em quest\u00e3o ainda n\u00e3o era da propriedade do Munic\u00edpio.<\/p>\n<p>II.\u00ba &#8211; Foi dito na referida reuni\u00e3o que a Igreja nunca d\u00e1 nada; por isso, a C\u00e2mara Municipal apenas deve fazer a tal doa\u00e7\u00e3o, se a Diocese (!) der \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o de Solidariedade Social e Cultural de Santo Andr\u00e9 de Vagos o terreno da resid\u00eancia paroquial da mesma freguesia. A pessoa que isto afirmou e lan\u00e7ou \u00e0 discuss\u00e3o at\u00e9 disse que tinha conhecimento de causa. Aqui recordo apenas dois processos em que a Par\u00f3quia de Santo Andr\u00e9 de Vagos foi solicitada para colaborar \u2013 e colaborou efectivamente \u2013 no bem da Freguesia:<\/p>\n<p>II.1 &#8211; Em 20 de Fevereiro de 2002, o Bispo da Diocese de Aveiro homologou e autorizou a \u201cF\u00e1brica da Igreja Paroquial da Freguesia de Santo Andr\u00e9 de Vagos\u201d, pessoa colectiva religiosa que goza de autonomia pr\u00f3pria, a ceder o direito de superf\u00edcie, a t\u00edtulo totalmente gratuito, de cerca de 800 metros quadrados do quintal da resid\u00eancia \u201ccom o interesse de colaborar para o melhor bem da popula\u00e7\u00e3o\u201d, em favor da Associa\u00e7\u00e3o de Solidariedade Social e Cultural de Santo Andr\u00e9 de Vagos. Respondeu-se assim ao que fora solicitado pelo Presidente da Direc\u00e7\u00e3o em of\u00edcio de 22 de Outubro de 2001. Isto foi deliberado pelo Conselho Econ\u00f3mico da Par\u00f3quia, em reuni\u00e3o presidida pelo P\u00e1roco e realizada em 30 de Outubro anterior. Como se previa que a escritura de doa\u00e7\u00e3o iria demorar e se dizia ser urgente o in\u00edcio do processo para a nova constru\u00e7\u00e3o, optou-se por aquele tipo de ced\u00eancia.<\/p>\n<p>II.2 &#8211; Em Setembro de 2003, o Presidente da Junta de Freguesia de Santo Andr\u00e9 de Vagos pediu a ced\u00eancia de parte do adro da igreja velha de Santo Andr\u00e9 para o alargamento do cemit\u00e9rio. Sem qualquer retic\u00eancia nem qualquer acto notarial, depois de um di\u00e1logo no pr\u00f3prio local, a ced\u00eancia foi acordada sem demora pela \u201cF\u00e1brica da Igreja Paroquial da Freguesia de Santo Andr\u00e9\u201d, que nisso teve a concord\u00e2ncia do Bispo da Diocese.<\/p>\n<p>III.\u00ba &#8211; Recordo tamb\u00e9m outra abertura de colabora\u00e7\u00e3o de uma entidade da Igreja no Concelho de Vagos. Em of\u00edcio de 20 de Junho de 1997, a Presidente da Direc\u00e7\u00e3o do Centro de Ac\u00e7\u00e3o Social de Cov\u00e3o do Lobo solicitou a ced\u00eancia provis\u00f3ria, simples e gratuita, da casa paroquial, que \u00e9 propriedade da \u201cF\u00e1brica da Igreja Paroquial da Freguesia de Cov\u00e3o do Lobo\u201d, pessoa colectiva que goza de autonomia pr\u00f3pria; na ocasi\u00e3o, houve algumas retic\u00eancias do P\u00e1roco e do seu Conselho Econ\u00f3mico Paroquial. Verificada a impossibilidade de outra solu\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio de solidariedade daquele Centro Social em favor das crian\u00e7as da Freguesia, a mesma Presidente reiterou o pedido em 3 de Julho de 1998. Em face das circunst\u00e2ncias, em 17 de Agosto de 1998 o Bispo da Diocese de Aveiro homologou a delibera\u00e7\u00e3o do Conselho Econ\u00f3mico Paroquial de Cov\u00e3o do Lobo, sendo cedida aquela casa para o referido fim, por tr\u00eas anos. Em 31 de Agosto de 2001, foi autorizada a ced\u00eancia por mais quatro anos.<\/p>\n<p>ACTIVIDADE DA IGREJA <\/p>\n<p>EM FAVOR DA PESSOA<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m dito, no desenrolar da mesma al\u00ednea em discuss\u00e3o, que a Igreja apenas se deve interessar com as almas. Sobre isto, tenho a lembrar que a Igreja tem por miss\u00e3o colaborar no bem-estar de toda e qualquer pessoa humana\u2026 e n\u00e3o apenas das almas. Neste campo, seria injusto n\u00e3o recordar o que generosamente foi feito \u2013 e \u00e9 feito \u2013 pelos respons\u00e1veis e pelas comunidades da Igreja Cat\u00f3lica, sofrendo sem descanso as car\u00eancias do povo e ajudando-o a libertar-se de certas condi\u00e7\u00f5es desumanas. N\u00e3o recuo aos s\u00e9culos passados da hist\u00f3ria, sobre o que tanto haveria que referir; nem saio sequer dos limites do Concelho de Vagos, a partir do segundo quartel do s\u00e9culo XX. Apenas anoto, por acto de justi\u00e7a:<\/p>\n<p>I &#8211; Desde Junho de 1927 at\u00e9 Junho de 1939, foi p\u00e1roco de Calv\u00e3o o saudoso Padre Ant\u00f3nio Martins Baptista, que, em 1931, iniciou um \u201ccol\u00e9gio\u201d para a forma\u00e7\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o de rapazes; em 1936, no Rocio de Calv\u00e3o, iniciou a constru\u00e7\u00e3o de um edif\u00edcio propositadamente destinado para o efeito; assim nasceu uma escola para estudos, depois da instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, que perdurou at\u00e9 Junho de 1939. Ser\u00e1 que o Padre Baptista, no exerc\u00edcio da sua miss\u00e3o pastoral, dedicando-se singularmente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de jovens e adultos, apenas ter\u00e1 pensado nas almas?<\/p>\n<p>II &#8211; Aproveitando o edif\u00edcio abandonado e em ru\u00edna, a \u201cDiocese Aveiro\u201d recuperou-o e ampliou-o e a\u00ed estabeleceu o Semin\u00e1rio Menor de Nossa Senhora da Apresenta\u00e7\u00e3o, inaugurado em Outubro de 1960, ao qual, em 1992, sucedeu o actual Col\u00e9gio Diocesano de Nossa Senhora da Apresenta\u00e7\u00e3o, com a actividade formativa e escolar que todos os vaguenses (e n\u00e3o s\u00f3) conhecem e apreciam.  Ser\u00e1 que a Diocese, no exerc\u00edcio da sua miss\u00e3o pastoral, apenas ter\u00e1 pensado nas almas, ao despender energias e cuidados em v\u00e1rios ramos do ensino, ministrados nesta escola?<\/p>\n<p>III &#8211; Na mesma freguesia de Calv\u00e3o, o Padre Domingos Jos\u00e9 Rebelo dos Santos, vig\u00e1rio paroquial de Calv\u00e3o de Outubro de 1953 a Outubro de 1955, com a anu\u00eancia do Padre Augusto Gomes da Silva (1939-1957), al\u00e9m dos seus deveres sacerdotais, tamb\u00e9m se entregou \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o da rede el\u00e9ctrica na freguesia, com uma cabine de transforma\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. E mais tarde, o Padre Jos\u00e9 F\u00e9lix de Almeida, p\u00e1roco de Calv\u00e3o (1957-1961), dedicar-se-ia \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o efectiva com o Presidente da Junta de Freguesia na constru\u00e7\u00e3o do novo edif\u00edcio da Escola Prim\u00e1ria. Ser\u00e1 que os Padres Rebelo e F\u00e9lix, no exerc\u00edcio da sua miss\u00e3o pastoral, apenas ter\u00e3o pensado nas almas?<\/p>\n<p>IV &#8211; Foi p\u00e1roco de Cov\u00e3o do Lobo, de 1941 a 1983, o Padre Ma-tias Ribau. A sede da freguesia n\u00e3o tinha liga\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis com os seus lugares de ent\u00e3o, Santa Catarina e Fonte de Ange\u00e3o; eram caminhos abertos nos terrenos de areia, sem quaisquer estradas de macadame ou esfalto. Quando, em Agosto de 1943, o Arcebispo-Bispo de Aveiro, D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, fez a visita pastoral \u00e0 Par\u00f3quia, teve de ser transportado em carro de bois desde o lugar da Parada, para conseguir chegar \u00e0 igreja matriz, regressando da mesma forma por Febres. Conhecido o facto, logo os respons\u00e1veis pol\u00edticos decidiram construir uma estrada at\u00e9 Calv\u00e3o por Fonte de Ange\u00e3o e o pr\u00f3prio p\u00e1roco foi o orientador das obras da estrada para Santa Catarina, mesmo com a p\u00e1 nas m\u00e3os. Ser\u00e1 que o Padre Matias Ribau, no exerc\u00edcio da sua miss\u00e3o pastoral, apenas ter\u00e1 pensado nas almas? <\/p>\n<p>V &#8211; No campo da solidariedade social, quando o povo n\u00e3o tinha infant\u00e1rios nem lares de idosos, foram as Par\u00f3quias, incentivadas pelos seus p\u00e1rocos, que primeiramente se lan\u00e7aram na sua cria\u00e7\u00e3o e t\u00eam continuado com a sua direc\u00e7\u00e3o. Assim aconteceu com o Centro Social Paroquial de Fonte de Ange\u00e3o (1966; Padre Manuel dos Santos Silva), com o Centro Social Paroquial de Santo Ant\u00f3nio (1977; Padre Manuel da Rocha Creoulo), Centro Social e Bem-Estar de Ouca (1980; Padre Ant\u00f3nio Correia Martins) e Centro Social Paroquial de Calv\u00e3o (1986; Padre Jos\u00e9 Arnaldo Sim\u00f5es). Ser\u00e1 que estes p\u00e1rocos, no exerc\u00edcio da sua miss\u00e3o pastoral, apenas ter\u00e3o pensado nas almas?<\/p>\n<p>VI &#8211; Finalizando, n\u00e3o se pode igualmente esquecer a valiosa ac\u00e7\u00e3o material e moral das Confer\u00eancias Vicentinas junto dos carenciados e abandonados\u2026 e elas existem nas Par\u00f3quias de Vagos (desde 1931), de Cov\u00e3o do Lobo (desde 1935) e de Santo Andr\u00e9 de Vagos (desde 1952). Al\u00e9m delas, ainda se registam os Grupos C\u00e1ritas, sediados nas Par\u00f3quias da Gafanha da Boa-Hora, de Ouca e de Soza. A sua benem\u00e9rita actividade orienta-se ao bem das pessoas, sem se limitar \u00e0s almas.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um breve e poss\u00edvel apontamento que me foi sugerido, quando, atrav\u00e9s da R\u00e1dio Voz de Vagos, ouvi a not\u00edcia do debate na Assembleia Municipal de Vagos. Esta mesma R\u00e1dio, propriedade da \u201cCooperativa R\u00e1dio Emissor Santo Ant\u00f3nio de Vagos, C. R. L.\u201d, foi sonhada pelo dito Padre Manuel da Rocha Creoulo e por v\u00e1rias pessoas interessadas; concretizando o plano, em 1988, meteram m\u00e3os \u00e0 obra em 1988. O mesmo p\u00e1roco disponibilizou uns anexos da igreja matriz de Santo Ant\u00f3nio de Vagos e permitiu a montagem da antena na torre do mesmo templo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na manh\u00e3 do passado dia 3 de Mar\u00e7o, pelas not\u00edcias da regi\u00e3o aos microfones da R\u00e1dio Voz de Vagos, tive conhecimento da reuni\u00e3o anterior da Assembleia Municipal de Vagos. 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