{"id":11861,"date":"2008-03-12T16:49:00","date_gmt":"2008-03-12T16:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11861"},"modified":"2008-03-12T16:49:00","modified_gmt":"2008-03-12T16:49:00","slug":"batalha-em-campo-aberto-sem-vencedores-a-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/batalha-em-campo-aberto-sem-vencedores-a-vista\/","title":{"rendered":"Batalha em campo aberto, sem vencedores \u00e0 vista"},"content":{"rendered":"<p>O que se est\u00e1 a passar no mundo do ensino e da educa\u00e7\u00e3o escolar \u00e9 altamente preocupante. Minist\u00e9rio, professores, pais, cidad\u00e3os, porque tamb\u00e9m estes t\u00eam palavra, parece que j\u00e1 ningu\u00e9m se entende. Todos falam de todos, todos atiram pedras, todos se queixam, todos dizem que n\u00e3o cedem, todos se consideram vencedores numa batalha que, j\u00e1 por si, mais parece de vencidos, antecipados ou a curto prazo.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 ac\u00e7\u00e3o em que toda a gente se deve entender para colaborar sem preconceitos, sendo pressuposto, como \u00e9 normal e leg\u00edtimo, o di\u00e1logo em que se discutam abertamente os problemas em campo, bem como o modo poss\u00edvel de os ir resolvendo, com m\u00e9rito e civilidade, \u00e9 a ac\u00e7\u00e3o educativa, que se espera da escola e de todos os seus mais directos intervenientes. Neste mundo concreto, o mais importante s\u00e3o os alunos, que querem e t\u00eam direito a aprender, com pais, professores, governantes e cidad\u00e3os em geral, a preparar-se para a vida e a capacitar-se para serem cidad\u00e3os respons\u00e1veis, conscientes e participativos. O livro que lhe abrem com toda esta batalha, que podia ser dispens\u00e1vel, n\u00e3o traz li\u00e7\u00e3o apetec\u00edvel que se possa aprender. <\/p>\n<p>Os professores de h\u00e1 muito se v\u00eam desmotivando, por raz\u00e3o das cont\u00ednuas medidas do Minist\u00e9rio, unilaterais e n\u00e3o admitindo r\u00e9plica, dando a impress\u00e3o de que quem governa l\u00e1 de longe tudo resolve com ordens e papeis, parecendo n\u00e3o ter em conta, nem a natureza do trabalho de quem ensina, nem a realidade de muitas escolas que hoje, em muitos casos, s\u00e3o campo dif\u00edcil, que s\u00f3 o conhece bem quem vive e actua l\u00e1 dentro. <\/p>\n<p>Os educadores escolares s\u00e3o agentes necess\u00e1rios na escola e na miss\u00e3o que a esta compete. H\u00e1 que contar sempre com eles e n\u00e3o entrar em conflitos evit\u00e1veis, que deixam muitas vezes marcas dif\u00edceis de apagar. <\/p>\n<p>H\u00e1, em liga\u00e7\u00e3o \u00e0 escola, problemas urgentes a resolver. Todos o sabemos. N\u00e3o s\u00e3o sempre boas as condi\u00e7\u00f5es de trabalho. O ambiente, dentro e fora da escola, deteriorou-se. Em muitos casos, deparamos com gente que est\u00e1 no ensino porque n\u00e3o teve outra sa\u00edda e se mostra incapaz de criar rela\u00e7\u00f5es prop\u00edcias para comunicar vida e saber aos seus alunos e proporcionar boa colabora\u00e7\u00e3o aos seus colegas. Gente que parece ter feito da escola um ap\u00eandice do seu dia a dia. Mas, se s\u00e3o estes agentes que o Minist\u00e9rio quer atingir, deve saber que se trata de uma minoria, que n\u00e3o pode constituir motivo ou ocasi\u00e3o para se esquecer a grande maioria dos professores das escolas do Estado, que fazem esfor\u00e7os her\u00f3icos para serem fieis \u00e0 sua miss\u00e3o, gente com direitos adquiridos e vidas organizadas, gente s\u00e9ria, competente e sabedora, que vai marcando vidas e gera\u00e7\u00f5es, colegas amigos e fi\u00e9is aos outros colegas, profissionais que se gastam, diariamente, numa tarefa que constitui para si uma aut\u00eantica paix\u00e3o. N\u00e3o o reconhecer, se for o caso, \u00e9 ser injusto, exacerbar e irritar, por menosprezo, um mundo de gente de que o pa\u00eds precisa. Est\u00e1 na rua e em luta o que nunca deveria ser preciso levar \u00e0 rua.<\/p>\n<p>O governo assume-se como reformador e, quando h\u00e1 que reformar, est\u00e1 no seu direito e cumpre o seu dever. Nunca, por\u00e9m, a ditar sozinho do palanque alto e distante do poder. Diz a t\u00e9cnica jur\u00eddica que, para que as leis sejam aceites e eficazes, se deve procurar, antes da sua promulga\u00e7\u00e3o, que sejam desejadas e esperadas. Isto n\u00e3o se faz sem ausculta\u00e7\u00e3o aberta e pedagogia adequada. O poder emanado do povo nunca pode dispensar o povo e os que o servem nas bases. A fidelidade de quem faz do governar um servi\u00e7o, n\u00e3o \u00e9 simplesmente fidelidade a um programa eleitoral, mas ao servi\u00e7o a prestar, em cada momento e circunst\u00e2ncia, ao conjunto nacional.<\/p>\n<p>Parece urgente acabar-se com esta batalha em campo aberto, entre o Minist\u00e9rio e os professores, com manifesta\u00e7\u00f5es e contra manifesta\u00e7\u00f5es. H\u00e1 batalhas muito graves e urgentes na vida e no agir da escola e no campo da educa\u00e7\u00e3o. Elas n\u00e3o se podem adiar e a\u00ed todos fazem falta. O importante n\u00e3o pode apagar o essencial. Na escola est\u00e1 o futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que se est\u00e1 a passar no mundo do ensino e da educa\u00e7\u00e3o escolar \u00e9 altamente preocupante. Minist\u00e9rio, professores, pais, cidad\u00e3os, porque tamb\u00e9m estes t\u00eam palavra, parece que j\u00e1 ningu\u00e9m se entende. 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