{"id":11868,"date":"2008-03-19T15:51:00","date_gmt":"2008-03-19T15:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11868"},"modified":"2008-03-19T15:51:00","modified_gmt":"2008-03-19T15:51:00","slug":"da-pascoa-a-profecia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/da-pascoa-a-profecia\/","title":{"rendered":"Da P\u00e1scoa \u00e0 Profecia"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem Pascal do Bispo de Aveiro <!--more--> Em horas de alegria e de festa ou em momentos de passos magoados pelo longo caminho do deserto, o povo de Israel recordava sempre a sua primeira p\u00e1scoa. A\u00ed se afirmava o sentido da viagem e se confirmava o horizonte da terra da promessa.<\/p>\n<p>Na longa viagem da vida, da cultura e da hist\u00f3ria deste povo, a presen\u00e7a e a interven\u00e7\u00e3o de Deus s\u00e3o permanentemente lembradas atrav\u00e9s da voz dos profetas e dos acontecimentos da hist\u00f3ria. <\/p>\n<p>Foi mais f\u00e1cil para o povo de Israel abra\u00e7ar a liberdade do que escolher a santidade e assumir a fidelidade.<\/p>\n<p>Estava pr\u00f3xima a celebra\u00e7\u00e3o desta festa da p\u00e1scoa, quando Jesus sentiu aproximar-se a Sua Hora. No horizonte ainda toldado pela imin\u00eancia do sofrimento e pela certeza da morte, desenhava-se j\u00e1 a profecia do tempo novo, da alian\u00e7a eterna e da P\u00e1scoa definitiva.<\/p>\n<p>\u00c9 esta P\u00e1scoa que nos revisita e se revive agora.<\/p>\n<p>Assim como os Israelitas liam a hist\u00f3ria do seu povo \u00e0 luz da p\u00e1scoa, da liberta\u00e7\u00e3o e da alian\u00e7a, igualmente os contempor\u00e2neos de Jesus s\u00f3 compreenderam o drama de uma condena\u00e7\u00e3o inocente e o valor prof\u00e9tico das palavras do centuri\u00e3o romano iluminados pelo mist\u00e9rio e pelo milagre da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus: \u201cNa verdade este homem \u00e9 o Filho de Deus\u201d.<\/p>\n<p>O povo de Israel parava para reunir a fam\u00edlia \u00e0 volta da mesa e da hist\u00f3ria; para evocar o que Deus fizera pelos seus antepassados; para fazer mem\u00f3ria da liberdade e para saborear a passagem de um pa\u00eds de escravid\u00e3o a uma terra de liberdade.<\/p>\n<p>A pressa com que hoje se percorre a viagem humana, que \u00e9 a vida de cada um de n\u00f3s, das fam\u00edlias, do trabalho e da conviv\u00eancia social, quase n\u00e3o nos deixa tempo para parar, para fazer evoca\u00e7\u00e3o, para celebrar mem\u00f3ria, para reviver, vivendo e contemplando.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio parar demoradamente nesta Semana, maior do que o tempo todo; por isso a chamamos Maior. Aqui a pressa n\u00e3o tem lugar.<\/p>\n<p>\u00c9 imperioso parar: para acolher-mos e agradecermos a vida; para nos colocarmos em atitude de presen\u00e7a e em gestos de venera\u00e7\u00e3o ao lado dos pobres, dos doentes e dos idosos; para experimentarmos o encanto do sil\u00eancio contemplativo diante do mist\u00e9rio da paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. <\/p>\n<p>No murm\u00fario dos sil\u00eancios calados e na aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0s palavras de Jesus no Calv\u00e1rio, ouve-se a alma de todos os que vivem, sente-se o cora\u00e7\u00e3o de todos os que sofrem e percebe-se que Deus est\u00e1 por perto de todos. A\u00ed come\u00e7a a P\u00e1scoa. A P\u00e1scoa da vida, da esperan\u00e7a e da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A P\u00e1scoa \u00e9 a profecia dos tempos novos. Destes tempos em que a vida reencontra sentido e dignidade e recupera valor sagrado; em que o pecado humano \u00e9 redimido; em que a humanidade \u00e9 salva dos seus medos, inseguran\u00e7as e atropelos da justi\u00e7a, da verdade e da paz.<\/p>\n<p>O mundo precisa desta P\u00e1scoa, que nos traz Deus, de novo, em Jesus Cristo, vivo e ressuscitado.<\/p>\n<p>Uma das miss\u00f5es primeiras da Igreja \u00e9 trazer a alegria e a certeza da P\u00e1scoa ao mundo, porque em Cristo ressuscitado encontramos a esperan\u00e7a que salva, a for\u00e7a que redime, a palavra que ilumina e o alimento espiritual que fortalece. Este \u00e9 o memorial da P\u00e1scoa, sempre revivido e renovado em cada Eucaristia que celebramos.<\/p>\n<p>Propusemo-nos como caminhada Quaresma-P\u00e1scoa, na Diocese de Aveiro, tudo fazer para que em Cristo ressuscitado haja vida nova para todos. Desejo esta vida nova, de alegria, de esperan\u00e7a e de f\u00e9, \u00e0s pessoas e \u00e0s fam\u00edlias, aos movimentos apost\u00f3licos e \u00e0s comunidades crist\u00e3s, em experi\u00eancias criativas de fraternidade e de comunh\u00e3o, e em servi\u00e7o cuidado aos mais pobres, para que a todos se revele a verdade da P\u00e1scoa que celebramos.<\/p>\n<p>Que esta P\u00e1scoa seja uma cont\u00ednua profecia de um admir\u00e1vel tempo novo, onde a aud\u00e1cia e a beleza do an\u00fancio do Evangelho se unem \u00e0 coer\u00eancia e \u00e0 coragem do testemunho crist\u00e3o, para que mesmo aqueles que n\u00e3o se rev\u00eaem na Igreja ou n\u00e3o acreditam em Deus se interpelem sobre as raz\u00f5es da nossa esperan\u00e7a e as certezas da nossa f\u00e9.<\/p>\n<p> \u00c9 no testemunho de alegria, de f\u00e9 e de vida de toda a Igreja diocesana, bispo, sacerdotes, di\u00e1conos, consagrados e leigos de Aveiro, que esta mensagem assume o seu sentido mais belo e o seu aut\u00eantico valor pascal.<\/p>\n<p>O anseio de um admir\u00e1vel mundo novo, que foi lema da Jornada Diocesana da Juventude de Aveiro, ser\u00e1 sempre um dom nascido da P\u00e1scoa, que todos, na comunh\u00e3o da Igreja que somos, incessantemente procuramos.<\/p>\n<p>Santa e Feliz P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>+Ant\u00f3nio Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem Pascal do Bispo de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-11868","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11868"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11868\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}