{"id":11914,"date":"2008-03-19T17:10:00","date_gmt":"2008-03-19T17:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=11914"},"modified":"2008-03-19T17:10:00","modified_gmt":"2008-03-19T17:10:00","slug":"cruz-florida-de-cristo-a-forca-confiante-dos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/cruz-florida-de-cristo-a-forca-confiante-dos-pobres\/","title":{"rendered":"Cruz florida de Cristo, a for\u00e7a confiante dos pobres"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSe as pessoas tivessem em conta a palavra de Cristo: amar os inimigos, n\u00e3o havia atitudes de rejei\u00e7\u00e3o nem de descrimina\u00e7\u00e3o como estas de que falamos\u201d. <\/p>\n<p>Quem o afirma \u00e9 um sex\u00f3logo psiquiatra com programa di\u00e1rio na r\u00e1dio portuguesa. A conversa que mantinha com a sua interlocutora versava a situa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as infectadas pelo v\u00edrus que provoca o HIV e, na sua fase mais avan\u00e7ada, a SIDA. <\/p>\n<p>Manter o sil\u00eancio a respeito de tais crian\u00e7as para fazerem a sua vida normal, sobretudo na escola? Deixar correr o \u201cpresumido\u201d perigo de cont\u00e1gio, colocando as outras crian\u00e7as em risco? Dar a conhecer essa situa\u00e7\u00e3o, ainda que discretamente, e aceitar o \u201calvoro\u00e7o\u201d dos pais temendo o pior para os seus filhos?<\/p>\n<p>A conversa ia animada, matizando aqui, esclarecendo al\u00e9m, ilustrando umas vezes, denunciando outras. A conclus\u00e3o, com sabor a senten\u00e7a, chega quando s\u00e3o descritas as atitudes das pessoas face a quem \u00e9 v\u00edtima daquela situa\u00e7\u00e3o e de tantas outras que debilitam e arru\u00ednam a sa\u00fade, a honra, a honestidade, a posse e o uso de bens, a identidade cultural, as convic\u00e7\u00f5es e as pr\u00e1ticas religiosas. A senten\u00e7a veio clara e sonante \u2013 ap\u00f3s uma s\u00e9rie de advert\u00eancias aos radiouvintes para que n\u00e3o achassem estranho o que ia ser dito: Amar como Jesus amou at\u00e9 os pr\u00f3prios inimigos.<\/p>\n<p>Sinceramente fiquei perplexo. N\u00e3o pelo acerto da afirma\u00e7\u00e3o, mas por vir de quem veio, conhecido que \u00e9 pela sua \u201cdist\u00e2ncia\u201d em mat\u00e9ria religiosa e \u201calergia\u201d a assuntos que dizem respeito \u00e0 Igreja e \u00e0 mensagem que anuncia. A minha perplexidade foi moment\u00e2nea, vencida pela recorda\u00e7\u00e3o de tantas frases bonitas e dignas do amor humano onde brilha uma centelha divina.<\/p>\n<p>E ocorre-me Einstein na sua c\u00e9lebre afirma\u00e7\u00e3o: \u201cVivemos no mundo quando amamos. S\u00f3 uma vida vivida para os outros merece ser vivida\u201d. E Saint Exup\u00e9ry: \u201cO amor \u00e9 a \u00fanica realidade que cresce quando se partilha\u201d. E Papini: \u201cO amor \u00e9 como o fogo: se n\u00e3o se comunica, apaga\u201d. E Unamuno: \u201cO amor \u00e9 compassivo; quem mais ama, mais se compadece\u201d.<\/p>\n<p>Estes e outros autores descobrem, saboreiam e apregoam o amor como radical modo de ser humano. O \u00f3dio \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima de desumanidade e constitui o maior perigo para a vida em sociedade. O cortejo das suas v\u00edtimas, ainda que se observe apenas o in\u00edcio do novo Mil\u00e9nio, \u00e9 incont\u00e1vel e a malvadez do seu requinte \u00e9 indescrit\u00edvel.<\/p>\n<p>O amor de Jesus d\u00e1 sentido a tudo o que faz e diz, silencia e suporta. A sua paix\u00e3o dura a vida inteira e tem um \u00fanico prop\u00f3sito: Que todas as pessoas consintam em ser irm\u00e3s umas das outras, porque filhas do mesmo Deus que \u00e9 Pai, e aceitem gerir os bens da terra de modo que n\u00e3o falte o necess\u00e1rio a cada uma nem se estrague coisa alguma na casa de outra. Que os seres humanos consintam na grandeza da sua voca\u00e7\u00e3o e realizem fielmente a sua miss\u00e3o para gl\u00f3ria de Deus Pai \u00e9 o que d\u00e1 for\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o a Jesus Cristo. Sempre, mas sobretudo no per\u00edodo final da sua vida terrena, aquele que a Igreja celebra na Semana Santa Pascal.<\/p>\n<p>Na paix\u00e3o de Jesus de Nazar\u00e9, brilha o contraste de opostos irreconcili\u00e1veis: amor e \u00f3dio, compaix\u00e3o e inj\u00faria, presen\u00e7a e afastamento, poder e debilidade, ostenta\u00e7\u00e3o e pobreza, desprezo infamante e proximidade radical. <\/p>\n<p>Chegada a manh\u00e3 da ressurrei\u00e7\u00e3o, verifica-se que a raz\u00e3o est\u00e1 do lado de Jesus. A sua op\u00e7\u00e3o \u00e9 confirmada para sempre por Deus Pai. O futuro \u2013 para al\u00e9m da morte f\u00edsica \u2013 est\u00e1 definitivamente aberto. \u00c0 sua luz, tudo tem outro valor, aquele que Jesus foi desvendando nas suas atitudes terrenas.<\/p>\n<p>O Deus que se manifesta em Jesus n\u00e3o est\u00e1 vinculado \u00e0 for\u00e7a, ao poder, ao \u00eaxito. Mant\u00e9m e renova a alian\u00e7a com o seu povo. Assume a condi\u00e7\u00e3o humana, as leis f\u00edsicas e morais; \u00e9 v\u00edtima de conspira\u00e7\u00e3o dos dirigentes e da trai\u00e7\u00e3o de um amigo; sujeita-se a um processo de desacredita\u00e7\u00e3o da sua honra, morre no maior abandono e sil\u00eancio. <\/p>\n<p>Por isso, os empobrecidos da terra e os espoliados da dignidade se rev\u00eaem em Jesus e encontram na sua atitude corajosa a for\u00e7a indestrut\u00edvel para o calv\u00e1rio da vida, para a agonia de todas as horas, para o peso de tantas cruzes.<\/p>\n<p>Em Jesus, o amor sem medida faz-se respeito a todos: a Judas, a Pedro, aos disc\u00edpulos ensonados, \u00e0 trupe que o prende, ao sin\u00e9drio que o julga, a Pilatos que o condena, ao povo \u201cvol\u00e1til\u201d que, ora o aclama festivamente, ora pede a sua crucifix\u00e3o, aos soldados que o guardam e insultam, a Deus Pai que parece tardar em dar resposta aos seus pedidos. <\/p>\n<p>A resposta chega em tempo oportuno. A cruz seca cede o lugar \u00e0 cruz florida. \u00c9 a ressurrei\u00e7\u00e3o que culmina a P\u00e1scoa. Do mais profundo do opr\u00f3brio humano, Jesus \u00e9 elevado \u00e0 glorifica\u00e7\u00e3o, abrindo um caminho de futuro a todos os que vivem a sua mensagem e se orientam pelos valores do seu Esp\u00edrito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe as pessoas tivessem em conta a palavra de Cristo: amar os inimigos, n\u00e3o havia atitudes de rejei\u00e7\u00e3o nem de descrimina\u00e7\u00e3o como estas de que falamos\u201d. Quem o afirma \u00e9 um sex\u00f3logo psiquiatra com programa di\u00e1rio na r\u00e1dio portuguesa. A conversa que mantinha com a sua interlocutora versava a situa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as infectadas pelo v\u00edrus [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-11914","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11914"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11914\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}