{"id":12047,"date":"2008-04-17T11:30:00","date_gmt":"2008-04-17T11:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12047"},"modified":"2008-04-17T11:30:00","modified_gmt":"2008-04-17T11:30:00","slug":"solidariedade-em-cabo-verde-em-vez-de-bebedeiras-no-sul-de-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/solidariedade-em-cabo-verde-em-vez-de-bebedeiras-no-sul-de-espanha\/","title":{"rendered":"Solidariedade em Cabo Verde em vez de bebedeiras no sul de Espanha"},"content":{"rendered":"<p>Alunos do Col\u00e9gio de Calv\u00e3o empreenderam viagem solid\u00e1ria <!--more--> \u00c9 sempre assim na semana da P\u00e1scoa: milhares de estudantes portugueses do secund\u00e1rio rumam ao sul de Espanha em viagem de finalistas. Os resultados, alguns lament\u00e1veis, aparecem depois nas p\u00e1ginas dos jornais e na televis\u00e3o e incluem \u201cbebedeiras valentes que levaram a urg\u00eancias de hospitais\u201d, como referiu D. Ant\u00f3nio Marcelino na sua \u201cPedrada\u201d da semana passada.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre assim, mas n\u00e3o \u00e9 para todos assim. Uma dezena de alunos da turma D do 12\u00ba ano do Col\u00e9gio de Calv\u00e3o fez a sua viagem de finalistas, de uma semana, a Cabo Verde, n\u00e3o para \u201cdesbundar\u201d, mas para partilhar viv\u00eancias com os habitantes da Ilha de Santiago, onde est\u00e3o os mission\u00e1rios espiritanos, entre os quais se destaca o P.e Nuno Rodrigues, de Leiria.<\/p>\n<p>A ideia partiu da aluna Carla Santos, que, conhecendo a experi\u00eancia mission\u00e1ria do professor Jorge Carvalhais (colaborador do Correio do Vouga e leigo mission\u00e1rio), falou com ele e divulgou o projecto entre os colegas. A turma  aceitou a ideia e empenhou-se com entusiasmo na angaria\u00e7\u00e3o dos 500 euros que custaria a viagem por pessoa. \u201cAss\u00e1mos tr\u00eas porcos no rod\u00edzio para arranjar dinheiro\u201d, explica o aluno S\u00e9rgio Neves. A essa iniciativa juntaram-se outras mais habituais, como os jantares de finalistas ou os sorteios de rifas.<\/p>\n<p>Uma vez em Cabo Verde, os alunos dinamizaram actividades desportivas e l\u00fadicas, principalmente para os 130 escuteiros da Ilha de Santiago, e colaboraram com os quatro professores e tr\u00eas ex-alunos do Col\u00e9gio que os acompanharam. Os professores M\u00e1rio Paulo, Wanderley, Maria do C\u00e9u Pinho e Jorge Carvalhais, mais os tr\u00eas antigos alunos, ensinaram Cidadania, Higiene &#038; Sa\u00fade, Capoeira e Ingl\u00eas \u00e0s crian\u00e7as e jovens cabo-verdianos.<\/p>\n<p>A viagem n\u00e3o foi de divers\u00e3o, mas \u201cfoi toda ela uma divers\u00e3o\u201d, conta o S\u00e9rgio. O colega M\u00e1rcio acrescenta: \u201cPraticamente n\u00e3o houve trabalho\u201d, porque as muitas actividades foram vividas com grande esp\u00edrito de inter-ajuda. Durante a semana, houve ainda espa\u00e7o para visitar a antiga pris\u00e3o do Tarrafal, para onde a PIDE enviou opositores ao regime, as ru\u00ednas da Cidade Velha, o hospital e uma ou outra praia (desilus\u00e3o: numa delas s\u00f3 havia pedras; nada de areia!) e serem recebidos pelo presidente da C\u00e2mara da Calheta.<\/p>\n<p>Uma semana no pa\u00eds africano serviu tamb\u00e9m para dispensar algumas comodidades de todos os dias. O banho era de \u201cpote e caneca\u201d, o que implicou uma mudan\u00e7a de h\u00e1bitos. Telem\u00f3veis, nada. Internet, muito pouca e utilizada apenas por um professor e um aluno. \u201cNem sequer pens\u00e1vamos nisso. Est\u00e1vamos muito ocupados\u201d, refere um aluno ao Correio do Vouga, que visitou a turma numa das primeiras aulas do terceiro per\u00edodo.<\/p>\n<p>No final da viagem, o professor Jorge Carvalhais, director de turma, faz um balan\u00e7o muito positivo: \u201cEra uma inc\u00f3gnita a viagem. Conhecendo-os, pensei que pudesse haver algum problema. Mas cheguei ao fim da actividade sem nunca lhes ter levantado a voz uma \u00fanica vez\u201d. Por outro lado, sublinha o valor principal subjacente \u00e0 viagem: \u201cEles tiveram mentalidade de volunt\u00e1rios: deram testemunho e estiveram dispon\u00edveis para fazer o que era necess\u00e1rio\u201d. E conclui: \u201c\u00c9 um lugar comum dizer que recebemos muito mais do que o que demos. Mas eles deram tudo que tinham. Agora h\u00e1 o compromisso de continuar a ajudar\u201d.<\/p>\n<p>Pedro Neto considerou muito positiva a actividade da turma de Calv\u00e3o. Enquanto presidente da ONG Orbis, este ex-aluno do Col\u00e9gio acompanhou a viagem, na perspectiva da sua organiza\u00e7\u00e3o apoiar algum futuro projecto. \u201cEles revelaram grande maturidade. Integraram-se bem, e acolheram a cultura que encontraram. A prova disso \u00e9 que alguns est\u00e3o entran\u00e7ados\u201d, afirma, referindo-se \u00e0s tran\u00e7as de \u201ctipo africano\u201d na cabe\u00e7a dos alunos.<\/p>\n<p>De certa forma, a viagem de finalistas s\u00f3 se conclui depois da festa solid\u00e1ria do pr\u00f3ximo domingo (ver destaque). Mas mesmo essa n\u00e3o deve ser a \u00faltima palavra no \u201cassunto Cabo Verde\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuero voltar l\u00e1 para o ano\u201d, afirma Carla Santos. \u201cDepois do que vimos, temos de desenvolver algum projecto. Pode ser, por exemplo, incentivar a recolha do lixo\u201d. \u00c9 uma possibilidade entre muitas. Talvez surjam outros projectos volunt\u00e1rios. Talvez outras viagens de finalistas escolham como destino a solidariedade.<\/p>\n<p>Experi\u00eancias<\/p>\n<p>\u201cFoi tudo \u00fanico. S\u00f3 vivendo \u00e9 que se d\u00e1 valor ao que se tem. Ficamos distantes do mundo daqui e quando chegamos [a Portugal] \u00e9 que damos valor ao que temos\u201d.<\/p>\n<p>Luciana<\/p>\n<p>Foi uma experi\u00eancia muito enriquecedora. \u00c9 incr\u00edvel o choque de culturas, separadas por apenas 4 horas de voo. Uma das riquezas desta viagem foi a da gratuidade do sorriso. Na Europa pagamos para ter terapias, aulas de riso, ioga&#8230; Pagamos para tirar de n\u00f3s coisas que temos em n\u00f3s.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Paulo, professor<\/p>\n<p>Sentimos saudades daquelas crian\u00e7as. Para sair \u00e0 noite temos todos os fins-de-semana. N\u00e3o \u00e9 preciso ser finalista.<\/p>\n<p>In\u00eas Resende<\/p>\n<p>As despedidas de Cabo Verde foram dif\u00edceis. Estivemos l\u00e1 pouco tempo, mas gostamos muito. Vimos crian\u00e7as a chorar e, pode parecer lamechas, mas tamb\u00e9m choramos. Houve uma festa de despedida em que todos se vestiram a rigor.<\/p>\n<p>Vasco<\/p>\n<p>Festa das Fam\u00edlias ajuda constru\u00e7\u00e3o de centro social em Cabo Verde<\/p>\n<p>O Col\u00e9gio de Calv\u00e3o promove no pr\u00f3ximo Domingo, 20 de Abril, um grande encontro festivo para alunos e fam\u00edlias. A festa come\u00e7a com a apresenta\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia \u201cUma semana em Cabo Verde\u201d (10h30), seguindo-se a Eucaristia (12h) e um espect\u00e1culo musical, ap\u00f3s o almo\u00e7o, que conta com a actua\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Alberto Reis, P.e Marcos Alvim (de Viseu) e a banda cabo-verdiana Sabura CV.<\/p>\n<p>As receitas da festa (o bilhete individual custa sete euros; para grupos \u00e9 mais barato) revertem para a constru\u00e7\u00e3o de um centro social em Cabo Verde, para m\u00e3es solteiras, crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s e projectos de alfabetiza\u00e7\u00e3o. A ONG aveirense Orbis apoia esta constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alunos do Col\u00e9gio de Calv\u00e3o empreenderam viagem solid\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-12047","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12047"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12047\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}