{"id":12049,"date":"2008-04-17T11:35:00","date_gmt":"2008-04-17T11:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12049"},"modified":"2008-04-17T11:35:00","modified_gmt":"2008-04-17T11:35:00","slug":"d-manuel-almeida-trindade-90-anos-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/d-manuel-almeida-trindade-90-anos-de-vida\/","title":{"rendered":"D. Manuel Almeida Trindade, 90 anos de vida"},"content":{"rendered":"<p>LU\u00cdS FILIPE SANTOS<\/p>\n<p>Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n<p>Se compararmos a vida a uma maratona, D. Manuel de Almeida Trindade est\u00e1 a entrar na recta final para o centen\u00e1rio do seu nascimento. Completar\u00e1 90 anos de vida no pr\u00f3ximo dia 20 de Abril. O seu natal foi em Monsanto, mas saiu de l\u00e1 com apenas tr\u00eas anos de idade. No livro \u00abMem\u00f3rias de um bispo\u00bb, da sua autoria, D. Manuel de Almeida Trindade real\u00e7a: \u201cFicou-me na mem\u00f3ria a configura\u00e7\u00e3o do penhasco recortado no horizonte azul do c\u00e9u, e tamb\u00e9m a de alguns cicl\u00f3picos que eu avistava da janela da nossa casa\u201d. <\/p>\n<p>Monsanto viu nascer o bispo em\u00e9rito de Aveiro e o Semin\u00e1rio de Coimbra soube acolh\u00ea-lo no primeiro m\u00eas da d\u00e9cada de trinta: primeiro como seminarista e depois vice-reitor daquela institui\u00e7\u00e3o. \u201cEstava eu a passar tranquilamente as f\u00e9rias na minha aldeia de Famalic\u00e3o [Anadia], quando, no princ\u00edpio de Setembro de 1941, o correio me trouxe uma carta de Coimbra\u201d \u2013 refere na obra citada. Dentro do envelope vinha um simples cart\u00e3o de visita com estas palavras: \u00abO bispo de Coimbra vem dizer que se prepare para assumir a direc\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio Maior, no pr\u00f3ximo ano lectivo\u00bb. <\/p>\n<p>Como era um jovem sacerdote, pensou que havia um engano no endere\u00e7o. Depois de falar com D. Ant\u00f3nio Antunes \u2013 na altura bispo de Coimbra \u2013 caiu-lhe \u201co cora\u00e7\u00e3o aos p\u00e9s\u201d e invocou todas as raz\u00f5es \u201cpara dissuadir o meu bispo\u201d. N\u00e3o conseguiu&#8230; e recebeu v\u00e1rios pedidos para que aceitasse a vice-reitoria do Semin\u00e1rio.  Coimbra viu nascer um  verdadeiro pastor e um orientador de voca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A sua fama ultrapassou os muros do semin\u00e1rio e a Faculdade de Letras de Coimbra convida-o para leccionar a cadeira \u00abOrigens do Cristianismo\u00bb. \u201cCreio que nessa altura, pelo que havia dito ou escrito, j\u00e1 se podia conhecer a fei\u00e7\u00e3o do meu esp\u00edrito. Sabiam quem eu era, e que n\u00e3o iria impor a ningu\u00e9m o que penso sobre o cristianismo\u201d \u2013 escreve na obra \u00abMem\u00f3rias de um bispo\u00bb.  <\/p>\n<p>Dois anos depois (1962), D. Manuel de Almeida Trindade estava de f\u00e9rias no Algarve e recebe uma carta da Nunciatura. Teve medo de se trair e foi para uma a\u00e7oteia abrir a correspond\u00eancia. Foi naquele terra\u00e7o, \u201csem que ningu\u00e9m visse as cores por que passou o meu rosto, que eu soube que o Papa Jo\u00e3o XXIII me queria bispo de Aveiro\u201d. Naquela noite de Ver\u00e3o deixou o Algarve e deslocou-se a Lisboa. \u201cN\u00e3o consegui dormir. Nunca sou capaz de dormir num comboio ou mesmo num avi\u00e3o\u201d. No entanto, naquela noite existia um motivo especial para se manter acordado. \u201cPensei e rezei toda a noite\u201d. Em breve seria bispo de Aveiro.<\/p>\n<p>Quando a diocese da ria foi restaurada, foi-lhe dada a hip\u00f3tese de optar por Coimbra ou Aveiro, \u201cao contr\u00e1rio dos outros padres ou seminaristas, a quem era imposta a diocese de origem\u201d. Optou por Coimbra. \u201cAgora vinha a hora de dar a Aveiro a parte que lhe pertencia\u201d \u2013 recorda.<\/p>\n<p>Nesse mesmo ano, desloca-se para Roma a fim de participar no II Conc\u00edlio do Vaticano. A cidade n\u00e3o lhe era desconhecida, porque estudou l\u00e1. A participa\u00e7\u00e3o neste encontro magno da Igreja foi uma esp\u00e9cie de noviciado episcopal. \u201cTomar parte num Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico \u00e9 um privil\u00e9gio que nem a todos os bispos \u00e9 dado a usufruir\u201d \u2013 escreveu nas mem\u00f3rias.   <\/p>\n<p>No dia 16 de Dezembro desse ano recebeu a sagra\u00e7\u00e3o episcopal na S\u00e9 Nova de Coimbra. A\u00ed pastoreou durante muitos anos e imprimiu um cunho pessoal. \u201cH\u00e1 homens que se gabam de nunca terem chorado diante de uma dificuldade; eu n\u00e3o posso dizer o mesmo\u201d porque \u201cfui chamado a servir a Igreja num per\u00edodo dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p>Para compreender os trabalhos da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) \u00e9 fundamental visitar a obra \u00abMem\u00f3rias de um bispo\u00bb. A\u00ed, D. Manuel de Almeida Trindade mostra ao leitor os prim\u00f3rdios da CEP e a colegialidade episcopal. Foi durante tr\u00eas mandatos presidente deste organismo e deixa registos para a hist\u00f3ria da Igreja  portuguesa nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Algumas semanas depois de ter sido ordenado bispo, D. Manuel de Almeida Trindade escreve na obra citada que recebeu uma carta do seu pai. Esta dizia: \u201cMeu filho: at\u00e9 agora tens sido tu a pedir a minha b\u00ean\u00e7\u00e3o. Daqui em diante vamos inverter as coisas: n\u00e3o ser\u00e1s tu a pedir a minha b\u00ean\u00e7\u00e3o, mas eu a pedir a tua\u201d. Quando leu a missiva paternal, \u201cas l\u00e1grimas rebentaram-me nos olhos\u201d. E acrescenta: \u201cMeu pai compreendera o que eu passara a ser. E, dado que a terra onde ele vivia pertencia \u00e0 diocese que eu ia pastorear, eu passava a ser bispo de meu pai. Ele entendia estas coisas. Meu pai era um contemplativo\u201d. <\/p>\n<p>Algumas datas de D. Manuel<\/p>\n<p>1918 (20 de Abril) \u2013 Nasce Manuel de Almeida Trindade, filho de Daniel Ferreira Trindade e de Gracinda Rodrigues de Almeida, em Monsanto da Beira.<\/p>\n<p>1934 \u2013Roma. Estuda na Universidade Gregoriana.<\/p>\n<p>1940 (21 de Dezembro) \u2013 \u00c9 ordenado padre por D. Ant\u00f3nio Antunes, no Sal\u00e3o de S. Tom\u00e1s, no Semin\u00e1rio de Coimbra.<\/p>\n<p>1941 \u2013 \u00c9 nomeado vice-reitor do Semin\u00e1rio de Coimbra (o cargo de reitor estava reservado ao Bispo).<\/p>\n<p>1960 \u2013 O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o nomeia-o professor da Universidade de Coimbra.<\/p>\n<p>1962 \u2013 D. Manuel \u00e9 eleito Bispo de Aveiro (16 de Setembro). Parte para Roma para participar no II Conc\u00edlio do Vaticano, que se inicia no dia 11 de Outubro, e toma posse de Aveiro, por procura\u00e7\u00e3o (porque estava em Roma), no dia 8 de Dezembro, feriado da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o. \u00c9 sagrado bispo por D. Ernesto Sena de Oliveira no dia 16 de Dezembro, na S\u00e9 Nova de Coimbra. <\/p>\n<p>1972 &#8211; \u00c9 eleito, pela primeira vez, presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa.<\/p>\n<p>1975 \u2013 (13 de Julho) A pretexto do assalto ao Patriarcado e da ocupa\u00e7\u00e3o da R\u00e1dio Renascen\u00e7a, durante o PREC, D. Manuel lidera a \u201cManifesta\u00e7\u00e3o dos Crist\u00e3os de Aveiro\u201d, que depois se repete em Viseu, Bragan\u00e7a, Coimbra, Leiria e Braga. O governo de Vasco Gon\u00e7alves cairia em Agosto.<\/p>\n<p>1976-80 \u2013 D. Ant\u00f3nio dos Santos \u00e9 Bispo Auxiliar de Aveiro (de 1980 a 2005, ser\u00e1 bispo residencial da Guarda).<\/p>\n<p>1981-88 \u2013 D. Ant\u00f3nio Marcelino \u00e9 bispo coadjutor de Aveiro.<\/p>\n<p>1983 \u2013 Vinda para a Diocese das Irm\u00e3s Carmelitas (o Carmelo seria inaugurado em 1991).<\/p>\n<p>1985 \u2013 Inaugura\u00e7\u00e3o da Casa Diocesana.<\/p>\n<p>1987 \u2013 Institui\u00e7\u00e3o do Centro Universit\u00e1rio F\u00e9 e Cultura (que j\u00e1 existia h\u00e1 v\u00e1rios anos, enquanto grupo de estudantes e professores cat\u00f3licos).<\/p>\n<p>1987-88 &#8211; Celebra\u00e7\u00e3o das Bodas de Prata Episcopais de D. Manuel de Almeida Trindade e das Festas Jubilares da Restaura\u00e7\u00e3o da Diocese. Funda\u00e7\u00e3o D. Manuel de Almeida Trindade.<\/p>\n<p>1988 \u2013 D. Manuel \u201cregressa\u201d ao Semin\u00e1rio de Coimbra.<\/p>\n<p>1988 (15 de Setembro) \u2013 A Universidade de Aveiro distingue D. Manuel com o t\u00edtulo de Doutor \u201cHonoris Causa\u201d.       <\/p>\n<p>1993 \u2013 Publica as \u201cMem\u00f3rias de um Bispo\u201d (Gr\u00e1fica de Coimbra).<\/p>\n<p>J.P.F.\/CV<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LU\u00cdS FILIPE SANTOS Ag\u00eancia Ecclesia Se compararmos a vida a uma maratona, D. Manuel de Almeida Trindade est\u00e1 a entrar na recta final para o centen\u00e1rio do seu nascimento. Completar\u00e1 90 anos de vida no pr\u00f3ximo dia 20 de Abril. 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