{"id":12070,"date":"2008-04-17T12:09:00","date_gmt":"2008-04-17T12:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12070"},"modified":"2008-04-17T12:09:00","modified_gmt":"2008-04-17T12:09:00","slug":"bento-xvi-tres-anos-de-pontificado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/bento-xvi-tres-anos-de-pontificado\/","title":{"rendered":"Bento XVI, tr\u00eas anos de pontificado"},"content":{"rendered":"<p>GUILHERME D&#8217;OLIVEIRA MARTINS<\/p>\n<p>Suceder a Jo\u00e3o Paulo II seria sempre uma tarefa muito dif\u00edcil. Est\u00e1 bem presente nas nossas retinas o exemplo do Pont\u00edfice peregrino, interveniente e activo (mesmo na doen\u00e7a), sobretudo preocupado com as tarefas pastorais. N\u00e3o poderemos, por\u00e9m, fazer uma aprecia\u00e7\u00e3o das realiza\u00e7\u00f5es do actual Papa com base numa compara\u00e7\u00e3o \u2013 quer pela longa dura\u00e7\u00e3o do anterior pontificado, quer pela diferencia\u00e7\u00e3o de prioridades de duas personalidades t\u00e3o diferentes. Tamb\u00e9m n\u00e3o deveremos centrar-nos no confronto entre expectativas e concretiza\u00e7\u00f5es, uma vez que h\u00e1 uma clar\u00edssima distin\u00e7\u00e3o entre as fun\u00e7\u00f5es anteriores do Cardeal Ratzinger, na Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, e o magist\u00e9rio do Sumo Pont\u00edfice.<\/p>\n<p>Naturalmente que estamos perante a mesma pessoa, mas as preocupa\u00e7\u00f5es e prioridades s\u00e3o agora de \u00edndole diferente \u2013 da\u00ed que sempre tenha pensado que a ac\u00e7\u00e3o do novo Papa deveria ser vista nos passos concretos e n\u00e3o no campo das imagens feitas. Bento XVI \u00e9 um intelectual de prest\u00edgio, um homem de grande intelig\u00eancia, centrado na busca da coer\u00eancia reflexiva. Assim, se \u00e9 dif\u00edcil fazer um balan\u00e7o, h\u00e1 sinais positivos a real\u00e7ar, avultando, entre tudo o mais, a publica\u00e7\u00e3o de duas enc\u00edclicas (Deus Caritas Est e Spe Salvi) que constituem reflex\u00f5es muito s\u00e9rias e inovadoras, a prop\u00f3sito de dois temas centrais na vida crist\u00e3: a caridade e a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Em ambos os textos, Bento XVI atingiu os pontos mais altos dos tr\u00eas \u00faltimos anos. Seguindo uma s\u00f3lida fundamenta\u00e7\u00e3o, o Papa escolheu, com muita felicidade, come\u00e7ar por enaltecer a virtude perene da caridade, a partir do testemunho de Jesus Cristo e do entendimento magistral de Paulo. Est\u00e1, no fundo, em causa a virtude que tem como voca\u00e7\u00e3o a eternidade, assumindo o amor toda a sua riqueza e express\u00e3o mult\u00ed-moda (agap\u00e9, filia e eros). E o tempo revelar\u00e1, por certo, que este documento do magist\u00e9rio papal ter\u00e1 a maior import\u00e2ncia futura, sobretudo se adequadamente prosseguido em ac\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja Universal.<\/p>\n<p>O mesmo se diga da recente enc\u00edclica sobre a Esperan\u00e7a, elaborada em linha com o texto sobre a Caridade, tamb\u00e9m em termos de grande seguran\u00e7a e abertura. Em ambos os documentos, o Papa utiliza um m\u00e9todo inovador e muito promissor, que \u00e9 o de citar textos e autores profanos, em confronto com textos da Igreja, para melhor ilustrar as ideias e reflex\u00f5es propostas.<\/p>\n<p>Este procedimento, in\u00e9dito at\u00e9 este pontificado, abre horizontes novos, uma vez que p\u00f5e o pensamento religioso em di\u00e1logo com o mundo e as ideias contempor\u00e2neas, em nome do enaltecimento da raz\u00e3o e da compreens\u00e3o dos seus limites (a invoca\u00e7\u00e3o de autores como Adorno e Horkheimer \u00e9, neste sentido, muito curiosa e significativa).<\/p>\n<p>O tema das rela\u00e7\u00f5es entre raz\u00e3o e f\u00e9 \u00e9 crucial no pensamento e no ensino de Bento XVI. Leiam-se, por isso, os discursos de Ratisbona (que suscitou incompreens\u00f5es, sobretudo para quem n\u00e3o leu ou n\u00e3o compreendeu) e da Sapienza em Roma e verifique-se que h\u00e1 uma genu\u00edna preocupa\u00e7\u00e3o de fundamentar e de mobilizar os nossos contempor\u00e2neos para o essencial da mensagem crist\u00e3, num contexto pluralista, que n\u00e3o deve ser confundido com o relativismo moral ou \u00e9tico. Num momento em que a indiferen\u00e7a e o vazio de valores parecem querer dominar a vida, e em que a consequ\u00eancia desses fen\u00f3menos \u00e9 o desenvolvimento da intoler\u00e2ncia e do fanatismo, Bento XVI tem procurado contribuir para lan\u00e7ar pistas de resposta para os grandes problemas da exist\u00eancia humana nos dias de hoje, e tamb\u00e9m para que a paz e a justi\u00e7a n\u00e3o sejam palavras v\u00e3s. Nesta perspectiva, \u00e9 importante salientar estes factores positivos, at\u00e9 para que eles se traduzam em uma maior efic\u00e1cia pastoral, quer nos novos continentes, quer na Europa.<\/p>\n<p>Tudo depender\u00e1 agora do modo como a Boa Nova continuar\u00e1 a ser proclamada. E \u00e9 fundamental aproximar as pessoas concretas dessa exig\u00eancia. O Amor n\u00e3o pode ser uma abstrac\u00e7\u00e3o. A Esperan\u00e7a tem de animar a vida quotidiana. Eis por que raz\u00e3o Justi\u00e7a e Gra\u00e7a, F\u00e9 e Raz\u00e3o, Liberdade e Cren\u00e7a t\u00eam de se ligar com equil\u00edbrio e fecundidade.<\/p>\n<p>E essas bases s\u00f3lidas ter\u00e3o de fundamentar uma audaciosa e prudente ac\u00e7\u00e3o de exemplo e de persist\u00eancia (como a levedura na massa). E em tempo de lan\u00e7ar a semente \u00e0 terra, importa pensar na colegialidade e na maior partilha de responsabilidades no seio da Igreja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GUILHERME D&#8217;OLIVEIRA MARTINS Suceder a Jo\u00e3o Paulo II seria sempre uma tarefa muito dif\u00edcil. Est\u00e1 bem presente nas nossas retinas o exemplo do Pont\u00edfice peregrino, interveniente e activo (mesmo na doen\u00e7a), sobretudo preocupado com as tarefas pastorais. 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