{"id":12074,"date":"2008-04-17T12:15:00","date_gmt":"2008-04-17T12:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12074"},"modified":"2008-04-17T12:15:00","modified_gmt":"2008-04-17T12:15:00","slug":"agnosticos-e-igreja-catolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/agnosticos-e-igreja-catolica\/","title":{"rendered":"Agn\u00f3sticos e Igreja Cat\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p>Sempre que na Igreja h\u00e1 qualquer acontecimento que a comunica\u00e7\u00e3o social real\u00e7a, normalmente os primeiros comentadores v\u00eam do lado dos que se professam agn\u00f3sticos ou s\u00e3o conhecidos como tal. Penso que \u00e9 bem que assim aconte\u00e7a. \u00c9 sinal de que o que se passa n\u00e3o deixa desatentos os que se preocupam com o evoluir da sociedade e reconhecem que a ac\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os ou incomoda ou n\u00e3o \u00e9 sempre de desprezar.<\/p>\n<p>Mesmo entre estes comentadores, os tons s\u00e3o diferentes, as perspectivas nem sempre coincidem, o que, para uns, \u00e9 mais ou menos indiferente, para outros, n\u00e3o o \u00e9 tanto. H\u00e1 preconceitos n\u00e3o ultrapassados e nostalgias dif\u00edceis de apagar ou esquecer.<\/p>\n<p>N\u00e3o falta quem se fixe mais nas pessoas da Igreja, outros mais nas suas afirma\u00e7\u00f5es, sempre com um misto de cultura adquirida noutro contexto e com horizontes onde a Igreja ainda cabe, apesar de tudo. Procuro estar muito atento e apreciar, sem r\u00f3tulos nem preconceitos, estas cr\u00edticas. Estou convicto de que, se a Igreja n\u00e3o atende os que n\u00e3o concordam com ela ou pensam que os seus caminhos devem ser outros, estar\u00e1 cada vez mais ausente de tudo e mais fechada numa torre inacess\u00edvel, mas insegura.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria est\u00e1 cheia de p\u00e1ginas que denunciam atitudes de superioridade e sobranceria de membros da Igreja, sempre carregadas de consequ\u00eancias que n\u00e3o foram de convers\u00e3o evang\u00e9lica.<\/p>\n<p>Vasco Pulido Valente faz tamb\u00e9m a sua leitura da \u00faltima assembleia dos bispos, insistindo nos inc\u00f3modos da Igreja ao verificar que perde cada vez mais a sua influ\u00eancia na sociedade portuguesa, e conclui o seu artigo no P\u00fablico (4.4.08) dizendo: \u201cSe a Igreja quer recuperar o que perdeu, esque\u00e7a finalmente o Estado e os rid\u00edculos privil\u00e9gios de que ainda goza, e venha para a rua. N\u00e3o h\u00e1 outra maneira de ganhar uma exist\u00eancia p\u00fablica e pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>A Igreja, quando interv\u00e9m em problemas de ordem \u00e9tica e moral ou de bem comum e humaniza\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o pode esquecer quem actua no mesmo terreno. Como institui\u00e7\u00e3o religiosa que tem por miss\u00e3o servir, tamb\u00e9m n\u00e3o pode pretender a recupera\u00e7\u00e3o de prest\u00edgios e privil\u00e9gios. A sua miss\u00e3o \u00e9 dar um contributo, no meio do marasmo reinante e, tamb\u00e9m, do pluralismo aceite, para a o reencontro normal, no seio da sociedade portuguesa, do sentido da vida e da dignifica\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, no contexto cultural e hist\u00f3rico que nos plasmou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m eu estou de acordo que \u00e9 na rua que se ganham as batalhas em que vale a pena entrar. A Igreja tem por voca\u00e7\u00e3o viver com as pessoas e sempre pr\u00f3xima das suas vidas. Nasceu no meio do povo, sente-se ao seu servi\u00e7o, alegra-se e sofre com ele, bebe da sua sabedoria e enriquece esta com a mensagem e a solidariedade evang\u00e9lica. A sua pedagogia n\u00e3o \u00e9 de pal\u00e1cios, de linguagem erudita, de trato privilegiado com os senhores, sem que deixe de ser para todos e para a todos ajudar a ser mais de Deus, origem e a garantia da sua dignifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma pedagogia de presen\u00e7a e de testemunho convincente. Foi isso que o Conc\u00edlio Vaticano II lhe veio recordar, quando a levou a considerar que, por sua natureza, ela \u00e9 povo e n\u00e3o elite, povo que serve, porque, ao ser servido pela hierarquia, deve ter capacidade para se tornar um povo original, fermento e refer\u00eancia de valores novos e determinantes, que o tempo n\u00e3o pode desgastar, porque s\u00e3o indispens\u00e1veis na ordena\u00e7\u00e3o da sociedade e na rela\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<p>Quando se esqueceu ou menosprezou o rumo certo, deu-se mais valor ao templo, que \u00e9 sempre um lugar de passagem, e menos \u00e0 rua, onde a vida \u00e9 concreta e se joga todos os dias o destino, se alcan\u00e7am as vit\u00f3rias e se sentem as derrotas.<\/p>\n<p>Concordo com VPV. A Igreja tem de andar na rua, falar uma linguagem que todos entendam, dialogar com todos, concordem ou n\u00e3o com a sua mensagem.<\/p>\n<p>O mundo laico e plural aceita a Igreja hoje, se ela aceitar e respeitar as regras do jogo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre que na Igreja h\u00e1 qualquer acontecimento que a comunica\u00e7\u00e3o social real\u00e7a, normalmente os primeiros comentadores v\u00eam do lado dos que se professam agn\u00f3sticos ou s\u00e3o conhecidos como tal. 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