{"id":12125,"date":"2008-04-23T17:46:00","date_gmt":"2008-04-23T17:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12125"},"modified":"2008-04-23T17:46:00","modified_gmt":"2008-04-23T17:46:00","slug":"homenagem-ao-p-e-manuel-de-oliveira-junior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/homenagem-ao-p-e-manuel-de-oliveira-junior\/","title":{"rendered":"Homenagem ao P.e Manuel de Oliveira J\u00fanior"},"content":{"rendered":"<p>BAS\u00cdLIO DE OLIVEIRA*<\/p>\n<p>Fez, no dia 16 de Abril de 2008, 130 anos que, no muito antigo e nobre lugar de S. Rom\u00e3o, freguesia de Santo Andr\u00e9 de Vagos viu a luz do dia o  Padre Manuel de Oliveira J\u00fanior que foi Presidente da C\u00e2mara Municipal de Vagos, primeiro P\u00e1roco da freguesia de Santo Andr\u00e9 e um grande benem\u00e9rito da freguesia de Santo Andr\u00e9 e do concelho.<\/p>\n<p>Quem teve a felicidade de conviver de perto com o Padre Oliveira J\u00fanior jamais se esquecer\u00e1 das qualidades de honradez, lealdade, seriedade, bondade e amor ao seu semelhante que durante a sua longa vida (94 anos) nunca deixaram de ornar a sua bela alma.<\/p>\n<p>Sem em nada prejudicar os muitos afazeres eclesi\u00e1sticos, conseguiu sempre tempo para dar aos interesses do seu concelho, a come\u00e7ar pela vila de Vagos, que muito amava, to-da a colabora\u00e7\u00e3o que lhe era pedida.<\/p>\n<p>Com que solicitude trabalhou para que Vagos tivesse aquela ma-ravilhosa casa que durante dezenas e dezenas de anos foi os Pa\u00e7os do Concelho, mais conhecida pelo Palacete do Visconde de Valdemouro!&#8230; Coube-lhe a honra, como Presidente da C\u00e2mara, de assinar a escritura de compra.<\/p>\n<p>Com que carinho falava na sua Banda de M\u00fasica de que era s\u00f3cio contribuinte, defendendo-a e elogiando-a em quaisquer circunst\u00e2ncias! Os Bombeiros de Vagos mereceram-lhe sempre igual afei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nunca recusou o seu contributo aos neg\u00f3cios da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica sempre que para tal foi solicitado, considerando-se um expropriado a bem de todos.<\/p>\n<p>Apesar de o concelho n\u00e3o ser rico e as dificuldades econ\u00f3micas, na altura, serem enormes (estamos em 1925-1930), n\u00e3o descuidou como Vice-Presidente e Presidente da C\u00e2mara os interesses do concelho e do povo em geral na constru\u00e7\u00e3o de caminhos, fontes, pontes, estradas e escolas.<\/p>\n<p>Com que entusiasmo o ouvimos falar da constru\u00e7\u00e3o da Escola da Gafanha da Boa Hora, em que os adobes, constru\u00eddos em Vagos, \u00e0 falta de estrada ou caminho condigno (o senhor Padre Al\u00edrio de Melo, ent\u00e3o p\u00e1roco de Vagos, ia para l\u00e1 a cavalo), tiveram de ir para a Gafanha de barco moliceiro.<\/p>\n<p>J\u00e1 muito idoso, ainda jogou a sua influ\u00eancia pol\u00edtica para que a sua terra, S. Rom\u00e3o, tivesse uma estrada alcatroada que a ligasse ao mundo, libertando os seus habitantes do isolamento em que viviam, e viesse tamb\u00e9m a ter luz el\u00e9ctrica, melhoramentos de que ainda usufruiu durante bastante tempo.<\/p>\n<p>Como sacerdote, foi sempre com toda a sua humildade um exemplar cumpridor dos seus deveres sacerdotais. Com verdade, ningu\u00e9m poder\u00e1 dizer que algum dia ele se tenha deixado dominar pelo pecado da pregui\u00e7a. Trabalhou imenso para que fosse poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o da freguesia religiosa de Santo Andr\u00e9, acontecimento que se concretizou em 29 de Junho de 1956.<\/p>\n<p>Pelo seu zelo apost\u00f3lico foi poss\u00edvel dinamizar o povo de S. Rom\u00e3o e lev\u00e1-lo nos anos 1929 e 1930 a lan\u00e7ar-se na constru\u00e7\u00e3o da capela de S. Rom\u00e3o.<\/p>\n<p>Com que entusiasmo garantiu a D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, na altura Bispo de Aveiro, o terreno necess\u00e1rio para a constru\u00e7\u00e3o da resid\u00eancia paroquial que adquiriu a expensas suas e que hoje grande parte est\u00e1 destinado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do futuro Centro Social Comunit\u00e1rio e onde se encontra a Resid\u00eancia Paroquial.<\/p>\n<p>As obras materiais nunca impediram o seu zelo sacerdotal de olhar pela educa\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica das crian\u00e7as, instru\u00e7\u00e3o religiosa dos adultos, assist\u00eancia moral e espiritual a doentes e velhinhos e a orienta\u00e7\u00e3o em f\u00e9rias dos muitos estudantes e seminaristas do concelho de Vagos, um bom n\u00famero dos quais chegou ao doutoramento, ao sacerd\u00f3cio e ao episcopado, que exercem fun\u00e7\u00f5es de relevo na sociedade portuguesa e que muito honram o nosso concelho.<\/p>\n<p>A sua caridade verdadeiramente evang\u00e9lica e as necessidades tremendas do seu tempo levaram-no a fundar no concelho de Vagos a chamada \u201cCaixa dos Pobres\u201d, quando ainda n\u00e3o se falava nas Confer\u00eancias de S. Vicente de Paulo e outras obras de benefic\u00eancia, Caixa que tanta dor minorou entre o povo menos favorecido de bens materiais.<\/p>\n<p>O mesmo povo, em tempos, altamente desfavorecido, no aspecto cultural, sempre encontrou no Padre Oliveira o amigo, o conselheiro, o protector, o pai, de cujos conselhos e orienta\u00e7\u00e3o tanto carecia e de que auto beneficiou durante mais de 50 anos.<\/p>\n<p>E a pena que lhe causava o analfabetismo dos seus conterr\u00e2neos levou-o a tornar-se Mestre-Escola, fundando um Centro de Instru\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria, na sua terra, por onde muitos rapazes passaram, incluindo D. Manuel dos Santos Rocha, de Calv\u00e3o, de saudosa mem\u00f3ria, que foi Bispo de Beja.<\/p>\n<p>O Padre Oliveira J\u00fanior transformou a sua pr\u00f3pria casa numa Escola Prim\u00e1ria.<\/p>\n<p>Amigo do esplendor lit\u00fargico (era de facto grande cultor da Liturgia Cat\u00f3lica que estudava a preceito) punha todo o seu zelo e entusiasmo crist\u00e3os na exactid\u00e3o e rigor das cerim\u00f3nias religiosas da Semana Santa, que com tanto esplendor se realizavam na velha igreja de Vagos.<\/p>\n<p>Aquando da implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, obedecendo a ordens que cumpria zelosamente, de administradores pol\u00edticos concelhios menos escrupulosos, sofreu as amarguras do desterro, sendo obrigado a deixar a sua terra, as suas gentes, o seu concelho, passando a viver durante algum tempo, desterrado na vila de Ovar, onde granjeou muitos amigos e irradiou simpatia.<\/p>\n<p>Esta a vida e a obra do sacerdote que faleceu em 5-8-1970 e que a C\u00e2mara Municipal de Vagos e a Junta de Freguesia homenagearam perpetuando a sua mem\u00f3ria com um monumento implantado junto \u00e0 casa onde nasceu.<\/p>\n<p>* Interven\u00e7\u00e3o proferida por Bas\u00edlio de Oliveira, sobrinho do homenageado, na altura da inaugura\u00e7\u00e3o do monumento em S\u00e3o Rom\u00e3o, freguesia de Santo Andr\u00e9-Vagos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BAS\u00cdLIO DE OLIVEIRA* Fez, no dia 16 de Abril de 2008, 130 anos que, no muito antigo e nobre lugar de S. 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