{"id":12130,"date":"2008-04-23T17:55:00","date_gmt":"2008-04-23T17:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12130"},"modified":"2008-04-23T17:55:00","modified_gmt":"2008-04-23T17:55:00","slug":"modernidade-casamento-familia-e-divorcio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/modernidade-casamento-familia-e-divorcio\/","title":{"rendered":"Modernidade, casamento, fam\u00edlia e div\u00f3rcio"},"content":{"rendered":"<p>Li, com cuidado, a longa \u201cExposi\u00e7\u00e3o de motivos\u201d, dezasseis folhas, nada menos, com que o PS apresenta e justifica o seu Projecto de Lei, no qual prop\u00f5e Altera\u00e7\u00f5es ao Regime Jur\u00eddico do Div\u00f3rcio e que, a meu ver, vai acelerar a destrui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. <\/p>\n<p>Aqui se verifica que a modernidade com seus postulados \u00e9 para os legisladores da maioria, e neste ponto com outros colegas a ler pela mesma cartilha, o novo dogma e o ponto de partida indiscut\u00edvel para leis e orienta\u00e7\u00f5es superiores. Na modernidade est\u00e3o impl\u00edcitos os apregoados \u201cvalores republicanos\u201d, como \u00e9 evidente. <\/p>\n<p>Deste modo, o que, por sua natureza, tem car\u00e1cter de respons\u00e1vel e permanente d\u00e1 de m\u00e3o beijada lugar ao transit\u00f3rio e ao ef\u00e9mero, sem hist\u00f3ria nem futuro, ainda que culturalmente disseminado e acolhido por muita gente. Trata-se de um legado, pobre e discut\u00edvel, que se transmite para o futuro de um pa\u00eds que, em alguns aspectos essenciais, j\u00e1 vagueia sem rumo, nem sentido. O destino de um povo n\u00e3o pode estar dependente de correntes culturais, nem de decis\u00f5es apressadas e sem horizontes largos.<\/p>\n<p>Nada mais ef\u00e9mero que o tempo e nenhuma corrente cultural que nele se vai gerando tem for\u00e7a para ser a \u00faltima palavra pronunciada no mundo da cultura ou o \u00faltimo elo de uma cadeia importante e feliz para que o tempo a respeite.<\/p>\n<p>Quem vive e decide pelo que ouve e copia dos outros, sem crit\u00e9rios nem discernimento, quem corre atr\u00e1s das emo\u00e7\u00f5es, desligando estas da intelig\u00eancia emocional e social que abre caminhos novos \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o pessoal e interpessoal, quem desliga a vida do que sem ela fica sem consist\u00eancia nem futuro, quem acha que s\u00f3 os afectos s\u00e3o determinantes para que a fam\u00edlia perdure, agarra-se ao chav\u00e3o da modernidade, cujo sentido se captou, talvez muito superficialmente. <\/p>\n<p>A modernidade, como corrente cultural, trouxe aquisi\u00e7\u00f5es de aproveitar sem as desvirtuar, nem as desligar de outros valores humanos n\u00e3o negoci\u00e1veis, sejam eles inatos ou adquiridos. A personaliza\u00e7\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, a igualdade radical, a liberdade interior, por exemplo, s\u00e3o valores n\u00e3o inventados agora, mas que a modernidade sublinhou e que n\u00e3o se podem ignorar ou menosprezar. Por\u00e9m, considerados sem liga\u00e7\u00e3o a outros, insepar\u00e1veis da sua compreens\u00e3o, levam normalmente  a individualismos empobrecedores, a quistos sociais de interesses, partid\u00e1rios ou de grupos ideol\u00f3gicos fechados, \u00e0 aniquila\u00e7\u00e3o dos mais fracos para os quais liberdade, igualdade e respeito n\u00e3o s\u00e3o mais que palavras, que n\u00e3o dizem o mesmo para todos. Entrando neste caminho, fala-se de realiza\u00e7\u00e3o pessoal, direito a ser feliz, vida \u00e0 base de afectos, rotura e desprezo necess\u00e1rio por institui\u00e7\u00f5es que exigem responsabilidades e geram compromissos. Neste contexto, pretende-se dar resposta f\u00e1cil a casos pontuais de dificuldade ou rotura familiar, com pouco lugar para a justi\u00e7a, respeito e cuidado em atender aos direitos e exig\u00eancias dos intervenientes, sen\u00e3o com receitas legais, discut\u00edveis e, por vezes, mesmo contradit\u00f3rias.<\/p>\n<p>O verdadeiro humanismo \u00e9 sempre integral e solid\u00e1rio, e as leis, por sua natureza, n\u00e3o s\u00e3o orientadas para o bem individual, mas sim para o bem comum. <\/p>\n<p>A Igreja n\u00e3o denuncia a facilita\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio por causa dos matrim\u00f3nios can\u00f3nicos, como se pretende agora, mas sim pela defesa e dignidade de uma institui\u00e7\u00e3o que deve ser considerada e defendida pelo Estado como b\u00e1sica e respons\u00e1vel, como deve ser o casamento, seja ele religioso ou civil; por causa da fam\u00edlia, nascida de um casamento a s\u00e9rio, pois ela \u00e9 o mais indispens\u00e1vel espa\u00e7o de humaniza\u00e7\u00e3o, partilha de viv\u00eancias e de afectos consistentes, clima normal da transmiss\u00e3o de valores, reconhecimento da dignidade das pessoas e das rela\u00e7\u00f5es interpessoais normais; por causa do div\u00f3rcio convidativo e f\u00e1cil, a grande chaga de uma sociedade sem rumo, nem princ\u00edpios.<\/p>\n<p>Quando se abandalha o casamento, subverte-se a fam\u00edlia e j\u00e1 nada se pode esperar dela. <\/p>\n<p>H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. Por\u00e9m, se n\u00e3o acreditamos no valor do perd\u00e3o, nas possibilidades do di\u00e1logo, na capacidade do reencontro, e se o horizonte legal \u00e9 de canonizar rupturas, o dif\u00edcil torna-se imposs\u00edvel. O div\u00f3rcio ser\u00e1 sempre solu\u00e7\u00e3o de excep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por fidelidade \u00e0 pessoa e defesa da fam\u00edlia, a Igreja nunca se calar\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Li, com cuidado, a longa \u201cExposi\u00e7\u00e3o de motivos\u201d, dezasseis folhas, nada menos, com que o PS apresenta e justifica o seu Projecto de Lei, no qual prop\u00f5e Altera\u00e7\u00f5es ao Regime Jur\u00eddico do Div\u00f3rcio e que, a meu ver, vai acelerar a destrui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. 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