{"id":12177,"date":"2008-04-30T16:15:00","date_gmt":"2008-04-30T16:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12177"},"modified":"2008-04-30T16:15:00","modified_gmt":"2008-04-30T16:15:00","slug":"procurar-a-verdade-para-compartilha-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/procurar-a-verdade-para-compartilha-la\/","title":{"rendered":"Procurar a Verdade para compartilh\u00e1-la"},"content":{"rendered":"<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social: na encruzihada ente protMensagem de Bento XVI para o 42.\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, que este ano se comemora no dia 4 de Maio <!--more--> Mensagem de Bento XVI para o 42.\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, que este ano se comemora no dia 4 de Maio<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>1. O tema da pr\u00f3xima Jornada Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais \u2013 \u00abOs meios de comunica\u00e7\u00e3o social: na encruzilhada entre protagonismo e servi\u00e7o. Buscar a verdade para partilh\u00e1-la\u00bb \u2013 coloca em relevo como \u00e9 importante o papel destes instrumentos na vida das pessoas e da sociedade. De facto, n\u00e3o existe nenhum \u00e2mbito da experi\u00eancia humana, sobretudo se enquadrada no vasto fen\u00f3meno da globaliza\u00e7\u00e3o, onde os media n\u00e3o se tenham tornado parte constitutiva das rela\u00e7\u00f5es interpessoais e dos processos sociais, econ\u00f3micos, pol\u00edticos e religiosos.<\/p>\n<p>A tal prop\u00f3sito, escrevi na Mensagem para a Jornada da Paz do passado dia 1 de Janeiro: \u00abOs meios de comunica\u00e7\u00e3o social, pelas potencialidades educativas de que disp\u00f5em, t\u00eam a responsabilidade especial de promover o respeito pela fam\u00edlia, de ilustrar as suas expectativas e os seus direitos, de p\u00f4r em evid\u00eancia a sua beleza\u00bb (n. 5).<\/p>\n<p>2. Gra\u00e7as a uma vertiginosa evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, estes meios foram adquirindo potencialidades extraordin\u00e1rias, ao mesmo tempo que levantavam novas e in\u00e9ditas interroga\u00e7\u00f5es e problemas. \u00c9 ineg\u00e1vel a contribui\u00e7\u00e3o que podem dar para a circula\u00e7\u00e3o das not\u00edcias, o conhecimento dos factos e a difus\u00e3o do saber: por exemplo, contribu\u00edram de modo decisivo para a alfabetiza\u00e7\u00e3o e a socializa\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m para o avan\u00e7o da democracia e do di\u00e1logo entre os povos. Sem a sua contribui\u00e7\u00e3o, seria verdadeiramente dif\u00edcil favorecer e melhorar a compreens\u00e3o entre as na\u00e7\u00f5es, conferir uma dimens\u00e3o universal aos di\u00e1logos de paz, garantir ao homem o bem prim\u00e1rio da informa\u00e7\u00e3o, assegurando ao mesmo tempo a livre circula\u00e7\u00e3o de pensamento a bem, nomeadamente, dos ideais de solidariedade e justi\u00e7a social. <\/p>\n<p>Sim! Os media, no seu conjunto, n\u00e3o servem apenas para a difus\u00e3o das ideias, mas podem e devem ser tamb\u00e9m instrumentos ao servi\u00e7o de um mundo mais justo e solid\u00e1rio. Infelizmente, \u00e9 bem real o risco de, pelo contr\u00e1rio, se transformarem em sistemas que visam submeter o homem a l\u00f3gicas ditadas pelos interesses predominantes de momento. \u00c9 o caso de uma comunica\u00e7\u00e3o usada para fins ideol\u00f3gicos ou para a venda de produtos de consumo mediante uma publicidade obsessiva. Com o pretexto de se apresen-tar a realidade, de facto tende-se a legitimar e a impor modelos errados de vida pessoal, familiar ou social. <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para atrair os ouvintes, a chamada quota de audi\u00eancias, por vezes n\u00e3o se hesita em recorrer \u00e0 transgress\u00e3o, \u00e0 vulgaridade e \u00e0 viol\u00eancia Existe ainda a possibilidade de serem propostos e defendidos, atrav\u00e9s dos media, modelos de desenvolvimento que, em vez de reduzir, aumentam o desn\u00edvel tecnol\u00f3gico entre pa\u00edses ricos e pobres.<\/p>\n<p>3. A humanidade encontra-se hoje numa encruzilhada. Vale tamb\u00e9m para os media aquilo que escrevi, na Enc\u00edclica \u201cSpe salvi\u201d, sobre a ambiguidade do progresso, que oferece in\u00e9ditas potencialidades para o bem, mas ao mesmo tempo abre possibilidades abissais de mal, que antes n\u00e3o existiam (cf. n. 22). Por isso, h\u00e1 que interrogar-se se \u00e9 sensato deixar que os instrumentos de comunica\u00e7\u00e3o social se ponham ao servi\u00e7o de um protagonismo indiscriminado ou acabem em poder de quem se serve deles para manipular as consci\u00eancias. N\u00e3o se deveria, antes, fazer com que permane\u00e7am ao servi\u00e7o da pessoa e do bem comum e favore\u00e7am \u00aba forma\u00e7\u00e3o \u00e9tica do homem, o crescimento do homem interior\u00bb (\u201cSpe salvi\u201d, 22)? A sua influ\u00eancia extraordin\u00e1ria na vida das pessoas e da sociedade \u00e9 um facto amplamente reconhecido, mas hoje h\u00e1 que p\u00f4r em evid\u00eancia a viragem, diria mesmo a verdadeira mudan\u00e7a de fun\u00e7\u00e3o que os media est\u00e3o a enfrentar. <\/p>\n<p>Hoje, de modo cada vez mais acentuado, a comunica\u00e7\u00e3o parece \u00e0s vezes ter a pretens\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de apresentar a realidade, mas tamb\u00e9m de a determinar gra\u00e7as \u00e0 capacidade e for\u00e7a de sugest\u00e3o que possui. Constata-se, por exemplo, que em certos casos os media s\u00e3o utilizados, n\u00e3o para um correcto servi\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o, mas para \u00abcriar\u00bb os pr\u00f3prios acontecimentos. Esta perigosa altera\u00e7\u00e3o da sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 vista com preocupa\u00e7\u00e3o por muitos Pastores. Exactamente porque se trata de realidades que incidem profundamente em todas as dimens\u00f5es da vida humana (moral, intelectual, religiosa, relacional, afectiva, cultural), estando em jogo o bem da pessoa, imp\u00f5e-se reafirmar que nem tudo aquilo que for tecnicamente poss\u00edvel \u00e9 eticamente pratic\u00e1vel. Por isso, o impacto dos meios de comunica\u00e7\u00e3o na vida do homem contempor\u00e2neo coloca quest\u00f5es inevit\u00e1veis, que aguardam decis\u00f5es e respostas que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o adi\u00e1veis.<\/p>\n<p>4. O papel que os instrumentos de comunica\u00e7\u00e3o assumiram na sociedade \u00e9 j\u00e1 considerado parte integrante da quest\u00e3o antropol\u00f3gica, que surge como desafio crucial do terceiro mil\u00e9nio. De modo semelhante ao que se verifica no sector da vida humana, do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia e no \u00e2mbito das grandes quest\u00f5es contempor\u00e2neas relativas \u00e0 paz, \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 defesa da cria\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m no sector das comunica\u00e7\u00f5es sociais est\u00e3o em jogo dimens\u00f5es constitutivas do homem e da sua verdade. <\/p>\n<p>Quando a comunica\u00e7\u00e3o perde as amarras \u00e9ticas e se esquiva ao controlo social, acaba por deixar de ter em conta a centralidade e a dignidade inviol\u00e1vel do homem, arriscando-se a influir negativamente sobre a sua consci\u00eancia, sobre as suas decis\u00f5es, e a condicionar em \u00faltima an\u00e1lise a liberdade e a pr\u00f3pria vida das pessoas. Por este motivo \u00e9 indispens\u00e1vel que as comunica\u00e7\u00f5es sociais defendam ciosamente a pessoa e respeitem plenamente a sua dignidade. S\u00e3o muitos a pensar que, neste \u00e2mbito, \u00e9 actualmente necess\u00e1ria uma \u00abinfo\u00e9tica\u00bb tal como existe a bio\u00e9tica no campo da me-dicina e da pesquisa cient\u00edfica relacionada com a vida.<\/p>\n<p>5. \u00c9 preciso evitar que os media se tornem o megafone do materialismo econ\u00f3mico e do relativismo \u00e9tico, verdadeiras chagas do nosso tempo. Pelo contr\u00e1rio, eles podem e devem contribuir para dar a conhecer a verdade sobre o homem, defendendo-a face \u00e0queles que tendem a neg\u00e1-la ou a destru\u00ed-la. Pode mesmo afirmar-se que a busca e a apresenta\u00e7\u00e3o da verdade sobre o homem constituem a voca\u00e7\u00e3o mais sublime da comunica\u00e7\u00e3o social. Usar para tal fim todas as linguagens, cada vez mais belas e primorosas, de que disp\u00f5em os media \u00e9 uma tarefa grandiosa, confiada em primeiro lugar aos respons\u00e1veis e operadores do sector. Mas tal tarefa, de algum modo, diz respeito a todos n\u00f3s, porque todos, nesta \u00e9poca da globaliza\u00e7\u00e3o, somos utentes e operadores de comunica\u00e7\u00f5es sociais. Os novos media, sobretudo os telem\u00f3veis e a Internet, est\u00e3o a modificar a pr\u00f3pria fisionomia da comunica\u00e7\u00e3o, e talvez esta seja uma ocasi\u00e3o preciosa para a redesenhar, ou seja, para tornar mais vis\u00edveis, como disse o meu venerado predecessor Jo\u00e3o Paulo II, os tra\u00e7os essenciais e irrenunci\u00e1veis da verdade sobre a pessoa humana (cf. Carta apost\u00f3lica \u201cO r\u00e1pido desenvolvimento\u201d, 10).<\/p>\n<p>6. O homem tem sede de verdade, anda \u00e0 procura da verdade; demonstram-no nomeadamente a aten\u00e7\u00e3o e o sucesso registados por muitas publica\u00e7\u00f5es, programas ou filmes de qualidade, onde s\u00e3o reconhecidas e bem apresentadas a verdade, a beleza e a grandeza da pessoa, incluindo a sua dimens\u00e3o religiosa. Jesus disse: \u00abConhecereis a verdade e a verdade vos libertar\u00e1\u00bb (Jo 8, 32). <\/p>\n<p>A verdade que nos torna livres \u00e9 Cristo, porque s\u00f3 Ele pode corresponder plenamente \u00e0 sede de vida e de amor que est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do homem. Quem O encontrou e se apaixona pela sua mensagem, experimenta o desejo irreprim\u00edvel de partilhar e comunicar esta verdade: \u00abO que era desde o princ\u00edpio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos \u2013 escreve S\u00e3o Jo\u00e3o \u2013, o que contempl\u00e1mos, o que toc\u00e1mos com as nossas m\u00e3os acerca do Verbo da Vida, \u00e9 o que n\u00f3s vos anunciamos [\u2026], para que estejais tamb\u00e9m em comunh\u00e3o connosco. E a nossa comunh\u00e3o \u00e9 com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Escrevemos tudo isto, para que a vossa alegria seja completa\u00bb (1 Jo 1, 1-3). Invocamos o Esp\u00edrito Santo para que n\u00e3o faltem comunicadores corajosos e testemunhas aut\u00eanticas da verdade que, fi\u00e9is ao mandato de Cristo e apaixonados pela mensagem da f\u00e9, \u00absaibam tornar-se int\u00e9rpretes das exig\u00eancias culturais contempor\u00e2neas, comprometendo-se a viver esta \u00e9poca da comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o como um tempo de aliena\u00e7\u00e3o e de confus\u00e3o, mas como um per\u00edodo precioso para a investiga\u00e7\u00e3o da verdade e para o desenvolvimento da comunh\u00e3o entre as pessoas e entre os povos\u00bb (Jo\u00e3o Paulo II, Discurso no Congresso Par\u00e1bolas medi\u00e1ticas, 9 de Novembro de 2002).<\/p>\n<p>Com estes votos, afectuosamente concedo a todos a minha B\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>BENTO XVI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social: na encruzihada ente protMensagem de Bento XVI para o 42.\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, que este ano se comemora no dia 4 de Maio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-12177","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12177\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}