{"id":12180,"date":"2008-04-30T16:25:00","date_gmt":"2008-04-30T16:25:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12180"},"modified":"2008-04-30T16:25:00","modified_gmt":"2008-04-30T16:25:00","slug":"confissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/confissao\/","title":{"rendered":"Confiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>1. Senhor, meu Pai:<\/p>\n<p>Perdoa-me.<\/p>\n<p>Por mais que me esforce, n\u00e3o consigo ser bom suficiente para os n\u00edveis que Tu indicas (ou que indicam por Ti) como aceit\u00e1veis. N\u00e3o consigo ser bom, ser santo. Nem chegar l\u00e1 perto. N\u00e3o consigo sequer ter essa postura de cabe\u00e7a inclinada, m\u00e3os a direito.<\/p>\n<p>Pela l\u00f3gica, n\u00e3o tenho a m\u00ednima hip\u00f3tese de ser salvo, \u00e9 um facto. Mas\u2026 como \u00e9 pela tua Gra\u00e7a que todos os seremos!<\/p>\n<p>Penso que estou safo, tenho f\u00e9 nisso como tenho na Tua ressurrei\u00e7\u00e3o! <\/p>\n<p>Por mais longe que esteja do aceit\u00e1vel (embora eu tente, a s\u00e9rio que tento!), o Teu Amor e a Tua Gra\u00e7a infinita v\u00e3o resolver isto!<\/p>\n<p>2. Senhor, meu Pai:<\/p>\n<p>D\u00e1-me entendimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o compreendo porque \u00e9 que nos havemos de matar uns aos outros por causa de petr\u00f3leo que n\u00e3o passa de um l\u00edquido, de diamantes que n\u00e3o passam de pedras, de ouro que n\u00e3o passa de um metal\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o compreendo porque \u00e9 que cri\u00e1mos um sistema de troca de bens baseado na especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o compreendo porque \u00e9 que, por causa dessa especula\u00e7\u00e3o, o essencial \u00e0 vida como o arroz, os cereais sobem de pre\u00e7o deixando \u00e0 beira do abismo da fome quem j\u00e1 pisava os limites da vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o compreendo porque d\u00e1 tanto trabalho, porque \u00e9 preciso apresentar tantos planos, tantos or\u00e7amentos previsionais, tantos impressos diferentes\u2026 s\u00f3 para se poder dar um p\u00e3o a um pobre.<\/p>\n<p>N\u00e3o compreendo porque h\u00e1 pessoas que se aproveitam da Religi\u00e3o para fazer valer os seus interesses. At\u00e9 dizem que matam em Teu nome! E h\u00e1 tantas maneiras de matar\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o compreendo Senhor, porque \u00e0s vezes nos sentimos com o dever cumprido porque fomos \u00e0 ora\u00e7\u00e3o por n\u00e3o sei o qu\u00ea e sa\u00edmos da capela de cora\u00e7\u00e3o tranquilo por termos estado l\u00e1, t\u00e3o felizes e contentes\u2026 e depois c\u00e1 fora, n\u00e3o fazemos nada por esse n\u00e3o sei o qu\u00ea por que Te rez\u00e1mos antes\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o compreendo porque desistimos t\u00e3o facilmente.<\/p>\n<p>N\u00e3o compreendo porque \u00e9 que na Igreja de Amor ao pr\u00f3ximo que Tu quiseste fundar\u2026 \u00e9 necess\u00e1rio um padre nomear o presidente dos ac\u00f3litos da par\u00f3quia.<\/p>\n<p>N\u00e3o compreendo tantas estruturas, tantas hierarquias, tantos cargos e tantos nomes, presidentes, directores, direc\u00e7\u00f5es\u2026 da catequese, dos leitores, dos organizadores dos c\u00e1lices para a Missa. Precisamos disso tudo? N\u00f3s que somos irm\u00e3os\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o compreendo Senhor meu Pai, tantas fragilidades em mim, tanto cansa\u00e7o para nada, t\u00e3o pouco fulgor e desenvoltura para caminharmos em direc\u00e7\u00e3o ao que interessa, sem distinguir o que vale a pena do que n\u00e3o vale! <\/p>\n<p>N\u00e3o compreendo tanta complica\u00e7\u00e3o \u00e0 volta da simplicidade do p\u00e3o e do vinho, \u00e0 volta da entrega na Cruz, com sacrif\u00edcio e ang\u00fastia por Amor.<\/p>\n<p>N\u00e3o compreendo sequer a minha ingenuidade em pensar que poderia ser de outro modo!<\/p>\n<p>N\u00e3o compreendo porque acontecem desgra\u00e7as \u00e0s pessoas boas? Porque morrem inocentes?&#8230; Alguns at\u00e9 perguntam por que O permites!<\/p>\n<p>J\u00e1 sei\u2026 liberdade! Foi uma das maiores coisas que nos deste! Se nos tiras isso, tiras-nos tudo! At\u00e9 porque os inocentes que morrem, \u00e9 pelas nossas op\u00e7\u00f5es erradas como humanidade\u2026 as mesmas do petr\u00f3leo, dos diamantes, do fanatismo, e de tantos outros \u2018ismos\u2019.<\/p>\n<p>3. Senhor, meu Pai:<\/p>\n<p>D\u00e1-me entendimento,<\/p>\n<p>Para continuar a olhar as coisas boas, sinais de Ti, nas pessoas e no mundo!<\/p>\n<p>Que elas me continuem a encantar,<\/p>\n<p>Ao menos, tanto quanto as m\u00e1s me perturbam.<\/p>\n<p>D\u00e1-me, meu Pai, o entendimento da Tua Gra\u00e7a!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Senhor, meu Pai: Perdoa-me. Por mais que me esforce, n\u00e3o consigo ser bom suficiente para os n\u00edveis que Tu indicas (ou que indicam por Ti) como aceit\u00e1veis. N\u00e3o consigo ser bom, ser santo. Nem chegar l\u00e1 perto. N\u00e3o consigo sequer ter essa postura de cabe\u00e7a inclinada, m\u00e3os a direito. 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