{"id":12274,"date":"2008-05-14T17:22:00","date_gmt":"2008-05-14T17:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12274"},"modified":"2008-05-14T17:22:00","modified_gmt":"2008-05-14T17:22:00","slug":"portugueses-e-espanhois-unidos-no-voluntariado-das-prisoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/portugueses-e-espanhois-unidos-no-voluntariado-das-prisoes\/","title":{"rendered":"Portugueses e espanh\u00f3is unidos no voluntariado das pris\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>\u201cCada vez h\u00e1 mais presos e est\u00e3o mais longe de tudo. A sociedade organizada n\u00e3o liga \u00e0 sociedade desorganizada\u201d, afirma P. Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, nas v\u00e9speras de partir para um encontro que, em Ciudad Rodrigo, cidade fronteiri\u00e7a de Espanha, congrega respons\u00e1veis da pastoral prisional (ou penitenci\u00e1ria \u2013 como se diz no pa\u00eds vizinho, pretendendo abranger a preven\u00e7\u00e3o e a reinser\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apenas o per\u00edodo atr\u00e1s das grades) dos dois lados da fronteira, nos dias 16 e 17 de Maio. Este encontro sucede a um outro que decorreu nos dias 18 e 19 de Abril, em Badajoz, particularmente destinado \u00e0s Dioceses do Sul de Portugal e de Espanha.<\/p>\n<p>Da primeira parte do I Encontro Interdiocesano Hispano-Luso de Pastoral Penitenci\u00e1ria sa\u00edram umas conclus\u00f5es provis\u00f3rias em que se pode ler: \u201cO grande desafio que se p\u00f5e a Capel\u00e3es, Visitadores e Dioceses \u00e9 sempre a certeza de que Cristo est\u00e1 na Pris\u00e3o e l\u00e1 O vamos encontrar e visitar; de que os Reclusos s\u00e3o Igreja, s\u00e3o baptizados \u2013 ou n\u00e3o \u2013 que sofrem, por quem temos de ter um \u201camor preferencial\u201d; de que a lembran\u00e7a que a Igreja nasceu com uma forte liga\u00e7\u00e3o \u00e0s pris\u00f5es e a Presos (Cristo esteve preso, tal como os Ap\u00f3stolos e tantos outros Crist\u00e3os\u2026) nos deve mobilizar para uma presen\u00e7a sempre nova, generosa e jubilosa no servi\u00e7o libertador da pessoa que sofre; de modo a sentirmos a Cadeia como um lugar de verdadeiro \u00abencontro teol\u00f3gico\u00bb\u201d.<\/p>\n<p> \u00abEncontro teol\u00f3gico\u00bb quer dizer encontro com presen\u00e7a di-vina. N\u00e3o se trata de um desejo. \u00c9 uma realidade, como testemunham P.e Jo\u00e3o Gon\u00e7alves e a Ir. Louise Bonnet, volunt\u00e1ria no Estabelecimento Prisional de Aveiro (EPA), em declara\u00e7\u00f5es ao Correio do Vouga. No dia de P\u00e1scoa, em Aveiro, um grupo de reclusas, por sua pr\u00f3pria iniciativa, juntou as visitas e entoou c\u00e2nticos religiosos, comovendo quem com elas cantou ou simplesmente assistiu. \u00c9 encontro, tamb\u00e9m, teol\u00f3gico ou n\u00e3o, quando os reclusos conseguem na pris\u00e3o a amizade com que nunca foram agraciados fora dela \u2013 como refere o Capel\u00e3o e a visitadora do EPA. N\u00e3o admira, pois, que, para alguns, a sa\u00edda da pris\u00e3o, al\u00e9m da incerteza que comporta quanto ao sustento econ\u00f3mico, significa a perda de amizades sinceras. A reinser\u00e7\u00e3o do ex-recluso \u00e9 quest\u00e3o a que n\u00e3o tem sido dada resposta satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p>O amor aprende-se<\/p>\n<p>Nos encontros dos respons\u00e1veis dos dois pa\u00edses ib\u00e9ricos, a que t\u00eam assistido alguns bispos (mais espanh\u00f3is que portugueses), debate-se o perfil do voluntariado cat\u00f3lico dentro das pris\u00f5es e estudam-se formas de coopera\u00e7\u00e3o. Em Badajoz, numa das palestras, afirmou-se que \u201co Amor \u00e9 uma compet\u00eancia e, por isso, ele aprende-se; n\u00e3o pode ser apenas um sentimento nem mero voluntarismo, nem sequer uma op\u00e7\u00e3o: o Amor \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia; sem Amor, a Igreja n\u00e3o \u00e9\u201d.<\/p>\n<p>O amor \u00e9 o tra\u00e7o principal da identidade do cat\u00f3lico que faz voluntariado na pris\u00e3o e \u00e9 a grande lacuna na sociedade que despreza quem sai da pris\u00e3o. A sociedade olha para o ex-recluso com preconceito. \u201cCheira mal\u201d, \u201crouba\u201d, \u201cdroga-se\u201d, diz P.e Jo\u00e3o Gon\u00e7alves, fazendo eco do pensar e sentir das tais sociedades \u201cmuito arrumadas\u201d \u2013 a nossa \u2013 e por isso marginalizantes.<\/p>\n<p>O volunt\u00e1rio prisional deve ser o princ\u00edpio de algo novo. \u201cN\u00e3o somos volunt\u00e1rios em sentido social\u201d, afirma o coordenador da pastoral prisional em Portugal. E acrescenta: \u201cA nossa identidade deve ser a evang\u00e9lica. O volunt\u00e1rio cat\u00f3lico est\u00e1 em liga\u00e7\u00e3o com a capelania e a Igreja. \u00c9 presen\u00e7a de Igreja. \u00c9 sinal de Jesus Cristo, leva a boa nova da liberta\u00e7\u00e3o e da alegria\u201d. Por outras palavras, o volunt\u00e1rio \u00e9 sinal de que a nova sociedade \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>J.P.F<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCada vez h\u00e1 mais presos e est\u00e3o mais longe de tudo. 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