{"id":12296,"date":"2008-05-14T18:14:00","date_gmt":"2008-05-14T18:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12296"},"modified":"2008-05-14T18:14:00","modified_gmt":"2008-05-14T18:14:00","slug":"emergencia-educativa-ou-beco-sem-saida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/emergencia-educativa-ou-beco-sem-saida\/","title":{"rendered":"Emerg\u00eancia educativa ou beco sem sa\u00edda"},"content":{"rendered":"<p>Fiquei perplexo ao ouvir, na r\u00e1dio, a Ministra da Educa\u00e7\u00e3o a fazer contas sobre o rombo financeiro que constitui para o pa\u00eds o facto de muitos alunos, milhares segundo consta, das escolas estatais que n\u00e3o passam e t\u00eam de repetir o ano. \u00c9 um rombo de milh\u00f5es que a outros fazem falta. Logo se ficou a perceber que, preparados ou n\u00e3o, todos t\u00eam de passar. Calam-se assim os impertinentes e inc\u00f3modos fiscais da Europa e gasta-se menos dinheiro com os profissionais da cabulice\u2026<\/p>\n<p>Esta tem sido, mais ou menos, a sa\u00edda f\u00e1cil para v\u00e1rios problemas nacionais graves, que o s\u00e3o no presente e que, mal resolvidos, comprometem sempre o futuro.<\/p>\n<p>Eu sei que h\u00e1 aulas de recupera\u00e7\u00e3o, professores dispon\u00edveis para ajudar os que n\u00e3o querem ou podem menos, propostas diversas para evitar os maus resultados escolares. Mas, pelos vistos, o resultado \u00e9 pouco e, em alguns casos, parece que nulo.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m pode dispensar um governo, nem ele pr\u00f3prio se pode dispensar, de se orientar por princ\u00edpios \u00e9ticos e de ter, no seu horizonte di\u00e1rio, realismo, vontade e decis\u00e3o de lutar pelo melhor bem do povo a que serve. A fidelidade \u00e9 \u00e0s pessoas e ao seu bem, presente e futuro, n\u00e3o \u00e9 a projectos ou ideias meramente pessoais, ao seguidismo empobrecedor de estranhos, ainda que pintados da mesma cor e fazendo alarde e propaganda dos seus pretensos \u00eaxitos. E, sem menosprezar o or\u00e7amento, ele n\u00e3o \u00e9 tudo. <\/p>\n<p>Os problemas que implicam comportamentos pessoais e sociais com maior repercuss\u00e3o, exigem sempre um ju\u00edzo objectivo e sereno sobre as suas causas, as capacidades dos atingidos, a envolv\u00eancia pessoal e ambiental com as suas ajudas e desajudas, a prepara\u00e7\u00e3o qualificada dos intervenientes activos para que sejam educadores e n\u00e3o meros funcion\u00e1rios e realizadores de tarefas, pouco preocupados com os resultados finais. E, se tais problemas s\u00e3o objecto de leis ou de normas, n\u00e3o dispensam uma vis\u00e3o acertada daqueles que as produzem, legisladores ou governantes, para que n\u00e3o caiam na ingenuidade de querer atingir avi\u00f5es a jacto com fisgas de crian\u00e7as, pensarem que, feita a lei ou a norma, tudo fica resolvido, ou fazerem do seu posto jeito a grupos e a amigos.<\/p>\n<p>Temos visto, em problemas humanos e sociais graves, as solu\u00e7\u00f5es mais inadequadas, porque n\u00e3o atingem o cerne do problema. Alguns exemplos: evitar a sida ou a maternidade precoce distribuindo preservativos nas escolas; atacar a toxicodepend\u00eancia, cedendo \u00e0 press\u00e3o de legalizar e liberalizar o consumo de algumas drogas; sonhar com o fim do aborto clandestino designando meses e lugares e pouco mais; pensar que se curam as chagas dolorosas de um casal em crise com a facilita\u00e7\u00e3o do div\u00f3rcio; p\u00f4r termo \u00e0 desmotiva\u00e7\u00e3o e cabulice dos alunos, passando-os sempre de ano; acabar com a criminalidade e a inseguran\u00e7a, multiplicando os pol\u00edcias; diminuir os riscos nefastos da vida nocturna oficializada com seguran\u00e7as junto dos focos de crimes nunca esclarecidos\u2026 E por a\u00ed adiante.<\/p>\n<p>Brincou-se h\u00e1 anos com \u201ca paix\u00e3o pela educa\u00e7\u00e3o\u201d. Afinal \u00e9 esse o \u00fanico, mas dif\u00edcil caminho emergente, do qual se pode esperar algum \u00eaxito, a m\u00e9dio e a longo prazo. Agora, se os problemas envolvem pessoas, cai-se nas solu\u00e7\u00f5es cosm\u00e9ticas, afectivas, emocionais, facilitadoras. Por isso mesmo e com raz\u00e3o, in\u00fateis no presente e consequentes no futuro. Vai-se dizendo com sinais de irresponsabilidade: \u201cQuem vier depois, que se arranje, que isto j\u00e1 n\u00e3o tem concerto\u201d. Porque tudo isto e desta maneira?<\/p>\n<p>Os valores \u00e9ticos e morais acabam no caixote do lixo; as institui\u00e7\u00f5es que podem ajudar h\u00e1 que cal\u00e1-las, por inc\u00f3modas; os pol\u00edticos confundem poder com saber e pensam que ao povo basta p\u00e3o e jogos; as ordens v\u00eam de fora, dadas por quem s\u00f3 fala do nosso atraso\u2026Ou educa\u00e7\u00e3o a s\u00e9rio, ou beco sem sa\u00edda. A menos que se toque a rebate e se acorde de vez, com vontade e decis\u00e3o de investir no essencial insubstitu\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fiquei perplexo ao ouvir, na r\u00e1dio, a Ministra da Educa\u00e7\u00e3o a fazer contas sobre o rombo financeiro que constitui para o pa\u00eds o facto de muitos alunos, milhares segundo consta, das escolas estatais que n\u00e3o passam e t\u00eam de repetir o ano. \u00c9 um rombo de milh\u00f5es que a outros fazem falta. 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