{"id":1236,"date":"2010-04-21T14:52:00","date_gmt":"2010-04-21T14:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1236"},"modified":"2010-04-21T14:52:00","modified_gmt":"2010-04-21T14:52:00","slug":"ave-aveiro-abril-sempre-em-liberdade-e-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ave-aveiro-abril-sempre-em-liberdade-e-justica\/","title":{"rendered":"&#8220;Ave, Aveiro&#8221; &#8211; Abril sempre em liberdade e justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores <!--more--> \u201cEscrevo-te e n\u00e3o sei quem \u00e9s &#8211; como face para sempre talhada! A mais antiga mem\u00f3ria que guardo de ti \u00e9 da ria a transbordar por pra\u00e7as e vielas, nas mar\u00e9s vivas\u201d. Eis um extracto do que disse ent\u00e3o o testamento do escritor Dr. M\u00e1rio Sacramento, intitulado: AVE, AVEIRO.<\/p>\n<p>Eram pouco mais de oito horas da matina de 25 de Abril de 1974. Corri para junto do Governo Civil de Aveiro. A partir das tr\u00eas horas tinha sido alertado do meu jornal (o C.P.) que estava na rua uma revolu\u00e7\u00e3o. A entrar pelas portas largas do Governo Civil, caminhava lentamente o ent\u00e3o Chefe de Secretaria, Sr. Martins, homem bom. Dei-lhe a not\u00edcia e pedi-lhe que me deixasse telefonar dali para o Dr. Hor\u00e1cio Mar\u00e7al, recentemente nomeado Governador Civil pelo liberal Dr. Vale Guimar\u00e3es. Acedeu ao meu pedido e galguei as escadas, conseguindo contact\u00e1-lo: \u201cSim, diz-me, est\u00e1 tudo na rua. Vou ver se consigo chegar \u00e0s nossas terras de Aveiro\u201d.<\/p>\n<p>Posteriormente, j\u00e1 em Aveiro, revelou-me que, nessa noite, tinha estado com Marcelo Caetano e o estadista lhe dissera que a intentona das Caldas tinha sido um epis\u00f3dio morto \u00e0 nascen\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>Hor\u00e1cio Mar\u00e7al foi, assim, o \u00faltimo Governador Civil a falar com o homem que prometeu uma Primavera que n\u00e3o viria a desabrochar\u2026<\/p>\n<p>Abril da Esperan\u00e7a nasceu, cresceu, amadureceu em terras da Ria.<\/p>\n<p>Abril da Esperan\u00e7a para os portugueses e, de alguma maneira, para o mundo, germinou, cresceu e amadureceu em terras da Ria, da Serra, do Mar, na rota do Malhadinhas, do Vouga Arriba; emergiu do drama de um Povo, lutando por uma vida digna, humana; deixando de atravessar as fronteiras, calando, porventura, as balas dos carabineiros, nas serras de Vilar Formoso; evitando a partida de milhares dos nossos jovens para uma guerra injusta! Isso, isso, mesmo!<\/p>\n<p>Terras liberais aveirenses, do Vouga, de Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o, de Homem Cristo, do inconfund\u00edvel aveirense nascido na proa de um moliceiro, o bispo Evangelista de Lima Vidal, depois de ter passado por \u00c1frica de miss\u00e3o, de Tr\u00e1s-os-Montes, de Lisboa, de M\u00e1rio Sacramento, de Orlando Oliveira, de Vale Guimar\u00e3es (erguendo a cidade universit\u00e1ria, de que hoje se orgulha a Veneza Portuguesa e o pa\u00eds se ufana, sem ci\u00fames), homens e mulheres deram o mote de um descontentamento generalizado.<\/p>\n<p> Foram estes e outros eventos que estiveram na g\u00e9nese levando os capit\u00e3es de Abril a arriscarem o seu futuro, o futuro de seus familiares\u2026<\/p>\n<p>E finalizando o testamento de \u201cAve, Aveiro\u201d, M\u00e1rio Sacramento, canta, chora, salmodia, qui\u00e7\u00e1, na esperan\u00e7a. E desabafa: \u201cFa\u00e7am um mundo melhor, ouviram? N\u00e3o me obriguem a voltar c\u00e1!\u201d (c\u00f3pia da carta-testamento de M\u00e1rio Sacramento, escrita no Caramulo, em 7 de Abril de 1967 e gentilmente entregue ao autor desta evoca\u00e7\u00e3o pela extremosa esposa, Cec\u00edlia Sacramento).<\/p>\n<p>Continua\u2026 E assim eu digo tamb\u00e9m, como se pode falar de Aveiro que n\u00e3o se evoque a capital da Liberdade?<\/p>\n<p>Daniel Rodrigues<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colabora\u00e7\u00e3o dos Leitores<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-1236","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espaco-comum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1236"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1236\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}