{"id":12443,"date":"2008-06-04T11:57:00","date_gmt":"2008-06-04T11:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12443"},"modified":"2008-06-04T11:57:00","modified_gmt":"2008-06-04T11:57:00","slug":"mundo-rico-mundo-pobre-que-lugar-para-as-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/mundo-rico-mundo-pobre-que-lugar-para-as-pessoas\/","title":{"rendered":"Mundo rico, mundo pobre, que lugar para as pessoas?"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 no presente que a vida acontece e \u00e9 nele que se torna poss\u00edvel caminhar para a plenitude que desejamos, porque a ela somos chamados. Quando se recua cinquenta anos na mem\u00f3ria do tempo vivido, j\u00e1 pouco se encontra de n\u00f3s, al\u00e9m de n\u00f3s pr\u00f3prios que persistimos ainda e das nossas viv\u00eancias. Iguais, mas diferentes, parecendo que veio de um sonho para viver outro sonho.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o tem passado, tem mais dificuldade em perceber o presente. As pessoas e as coisas, tal como as plantas, t\u00eam ra\u00edzes e estas s\u00e3o quase sempre ocultas. Delas, por\u00e9m, vem a vida e a sua raz\u00e3o de ser. Nada por acaso, nada a nascer j\u00e1 feito, nada a ser perfeito antes do tempo, nada que dispense a colabora\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n<p>O mundo de hoje n\u00e3o tem s\u00f3 as desgra\u00e7as e as coisas de que todos se v\u00e3o queixando. Est\u00e1, tamb\u00e9m, cheio de riquezas naturais e humanas, de renovadas possibilidades e conquistas que antes nem se podiam imaginar, e n\u00e3o passavam de \u201cfic\u00e7\u00f5es cient\u00edficas\u201d, que recheavam romances empolgantes para gente nova e menos nova. A maior das aventuras era para jovens sonhadores \u201ca volta ao mundo em oitenta dias\u201d, que, ent\u00e3o, n\u00e3o passava de um sonho que permitia voar nas asas da imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mundo novo, mundo rico de oportunidades alargadas, de riquezas diversas hoje mais acess\u00edveis, mundo globalizado e sem quaisquer fronteiras, possibilidades diversas de usufruir o patrim\u00f3nio cultural, condi\u00e7\u00f5es para usar a liberdade de opini\u00e3o e express\u00e3o, mundo em que muitas coisas que ontem se mendigavam, hoje se esbanjam\u2026<\/p>\n<p>Se no bojo enriquecido da sociedade em que vivemos vai a riqueza da liberdade, da solidariedade, da cultura multiforme, dos compromissos pela justi\u00e7a e pela paz, da vontade eficaz do bem, dos valores morais e \u00e9ticos mais universais, dos apelos de transcend\u00eancia libertadora, tamb\u00e9m neste bojo coabitam sementes empobrecedoras de ego\u00edsmo, orgulho, desprezo dos outros, insensibilidade a situa\u00e7\u00f5es dolorosas de necessidades b\u00e1sicas, \u00e2nsia incontida de ter, poder e gozar, prepot\u00eancia f\u00edsica e moral sob muitas formas, tenta\u00e7\u00e3o de p\u00f4r o emotivo e o imediato a comandar a vida, n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia pessoal e social, presun\u00e7\u00e3o de ser dono dos outros\u2026Tudo, at\u00e9 que o cora\u00e7\u00e3o aque\u00e7a e se abra\u2026<\/p>\n<p>Hoje podem ler-se, com melhor compreens\u00e3o e mais responsabilidade, as amea\u00e7as da natureza n\u00e3o respeitada, as manchas inc\u00f3modas mais graves e preocupantes da pobreza,  como a fome que alastra, desemprego que cresce, as doen\u00e7as sem cura, a crescente e fomentada fragilidade das fam\u00edlias, a perda de sentido na vida de muita gente, a insensibilidade frente \u00e0s injusti\u00e7as, mentiras, prepot\u00eancias, a viol\u00eancia e todas as formas de explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, o ego\u00edsmo na procura do bem estar, os privil\u00e9gios escandalosos de uns poucos a afrontar as car\u00eancias injustas de muitos\u2026  Num clima assim, percebem-se os jogos do poder, o desrespeito pela democracia, a sobreposi\u00e7\u00e3o dos interesses particulares aos colectivos, as portas e janelas fechadas ao sobrenatural e ao transcendente.<\/p>\n<p>Dar \u00e0 pessoa humana, em tudo, o lugar primeiro; reconhecer \u00e0 natureza criada a sua dignidade; alargar o c\u00edrculo da responsabilidade; hierarquizar, com sabedoria, capacidades e necessidades; colocar de novo o bem comum como objectivo da ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social; deixar o esp\u00edrito soltar-se rumo ao bem; aceitar, com alegria, a for\u00e7a determinante da humildade, do di\u00e1logo e do servi\u00e7o aos outros, ser\u00e1 o caminho comum de edifica\u00e7\u00e3o de um mundo que n\u00e3o seja de ricos ou de pobres, mas de todos.<\/p>\n<p>Apostar nas riquezas pessoais e nas possibilidades da natureza criada, duas d\u00e1divas gratuitas e \u00fanicas do Criador, tornou-se uma urg\u00eancia num mundo \u00e0 deriva. Mas n\u00e3o \u00e9 menor urg\u00eancia que cada um de n\u00f3s olhe \u00e0 sua volta as situa\u00e7\u00f5es graves de pobreza e se interrogue, consequentemente, sobre o que pode fazer, n\u00e3o apenas com palavras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 no presente que a vida acontece e \u00e9 nele que se torna poss\u00edvel caminhar para a plenitude que desejamos, porque a ela somos chamados. Quando se recua cinquenta anos na mem\u00f3ria do tempo vivido, j\u00e1 pouco se encontra de n\u00f3s, al\u00e9m de n\u00f3s pr\u00f3prios que persistimos ainda e das nossas viv\u00eancias. 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