{"id":12501,"date":"2008-06-11T15:08:00","date_gmt":"2008-06-11T15:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12501"},"modified":"2008-06-11T15:08:00","modified_gmt":"2008-06-11T15:08:00","slug":"liberdade-responsavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/liberdade-responsavel\/","title":{"rendered":"Liberdade respons\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> Existe um entendendimento segundo o qual a liberdade n\u00e3o consiste na liberta\u00e7\u00e3o de instintos: &#8211; consiste, sim, em cada pessoa responder por si, perante si pr\u00f3pria, perante outrem, perante o universo e perante o transcendente, acreditando ou n\u00e3o em Deus. Este entendimento consolidou-se ao longo de s\u00e9culos e acha-se muito difundido, mesmo onde predominam ideias consideradas modernas; ele resulta n\u00e3o s\u00f3 de imperativos \u00e9ticos, mas tamb\u00e9m dos imperativos de viabilidade de todas as actividades humanas, particularmente na esfera familiar e em todos os dom\u00ednios que implicam a assun\u00e7\u00e3o de responsabilidades. Pode, assim, falar-se de liberdade respons\u00e1vel: &#8211; n\u00e3o porque a responsabilidade limite a liberdade, mas porque faz parte integrante dela, sob pena de a deixar reduzida a impulsos incontrolados.<\/p>\n<p>O liberalismo representou um grande surto hist\u00f3rico de afirma\u00e7\u00e3o da liberdade. Nascido sob a forma revolucion\u00e1ria, deparou com reac\u00e7\u00f5es v\u00e1rias, e ele pr\u00f3prio acabou por reagir atrav\u00e9s de impulsos deturpadores da liberdade. Fruto destes, bem como do confronto de valores e da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as sociais, a breve trecho se perfilaram v\u00e1rios tipos de  liberalismo, com realce para o econ\u00f3mico e para o moral: &#8211; o liberalismo econ\u00f3mico traduziu-se na liberdade de iniciativa que, deturpada, chegou at\u00e9 \u00e0 \u00abexplora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem\u00bb; e o liberalismo moral traduziu-se na liberdade de agir que, tamb\u00e9m deturpada, chegou at\u00e9 \u00e0 idolatria egoista do bem-estar humano. Uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o pouco beneficiou da deturpa\u00e7\u00e3o destes dois liberalismos, e muita gente foi v\u00edtima da opress\u00e3o exercida por ambos, at\u00e9 porque, no limite, as duas deturpa\u00e7\u00f5es, quando levadas ao extremo, se instalaram nos circuitos do crime.<\/p>\n<p>Devido a um paradoxo hist\u00f3rico insensato, estabeleceu-se, no pensamento dominante, que o liberalismo econ\u00f3mico era de direita, favorecendo os grandes grupos econ\u00f3micos, e que o liberalismo moral era de esquerda, favorecendo os comportamentos \u00abfracturantes\u00bb. Por estranho que pare\u00e7a, n\u00e3o se tomou consci\u00eancia generalizada de que os dois liberalismos s\u00e3o da mesma natureza, nada t\u00eam a ver com a direita nem com a esquerda e, quando deturpados, constituem fundamentalmente express\u00f5es extremas de ego\u00edsmo e de irresponsabilidade.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o desej\u00e1vel parece consistir no esclarecimento e na promo\u00e7\u00e3o da \u00e9tica da responsabilidade, facilitadora da liberdade de todos os cidad\u00e3os; liberdade sem depend\u00eancia dos impulsos da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica nem do laxismo pessoal. Nesta perspectiva, \u00e9 deveras preocupante o fatalismo difuso, observado perante os dois liberalismos deturpados; e \u00e9 igualmente preocupante que os defensores de cada um ignorem que est\u00e3o fazendo o jogo do outro. No fundo, convergem, mesmo contrapondo-se.<\/p>\n<p>O liberalismo econ\u00f3mico e o moral, na sua genuinidade e sem deturpa\u00e7\u00f5es, brotam da liberdade respons\u00e1vel, que \u00e9 fundamental na dignifica\u00e7\u00e3o humana; h\u00e1 que aprofund\u00e1-la e difundi-la.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-12501","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12501","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12501"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12501\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12501"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12501"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12501"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}