{"id":12503,"date":"2008-06-11T15:10:00","date_gmt":"2008-06-11T15:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12503"},"modified":"2008-06-11T15:10:00","modified_gmt":"2008-06-11T15:10:00","slug":"raciocinios-limitados-o-pais-a-empobrecer-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/raciocinios-limitados-o-pais-a-empobrecer-se\/","title":{"rendered":"Racioc\u00ednios limitados, o pa\u00eds a empobrecer-se"},"content":{"rendered":"<p>Muitos pol\u00edticos, felizmente que n\u00e3o todos, t\u00eam, por vezes, racioc\u00ednios sobre a vida social e pol\u00edtica, que n\u00e3o saem das baias estabelecidas pelos seus partidos. Nota-se, assim, a falta de horizontes mais largos e profundos e alguma pris\u00e3o interior que n\u00e3o os deixa ser livres, nem expressar-se livremente. A disciplina de voto passa muitas vezes a ser, tamb\u00e9m, disciplina de pensamento e de opini\u00e3o. Quando se sonham ou esperam favores, n\u00e3o se ousa dissentir dos que mandam ou influenciam as decis\u00f5es, ou ir mais longe nas opini\u00f5es pensadas e reflectidas. \u00c9 perigoso sair do estabelecido, se n\u00e3o se tem estofo para aguentar consequ\u00eancias, que podem ser fatais para quem sonha. O terreno da pol\u00edtica partid\u00e1ria est\u00e1, frequentemente, armadilhado e com percal\u00e7os inesperados.<\/p>\n<p>Gostava, e \u00e9 leg\u00edtimo esper\u00e1-lo, de ver gente com lugar na Assembleia da Rep\u00fablica, em postos de governa\u00e7\u00e3o ou em estruturas pol\u00edticas e administrativas, ser livre no seu pensamento e n\u00e3o se sentir acorrentado por interesses pessoais ou outros de qualquer ordem. Ponderar as pr\u00f3prias opini\u00f5es deve ser uma coisa normal, \u00e0 luz das exig\u00eancias do bem comum, da conviv\u00eancia sadia e do servi\u00e7o \u00e0 comunidade, sob a inspira\u00e7\u00e3o de postulados democr\u00e1ticos, princ\u00edpios fundamentais e valores universais, como a subsidiariedade, a solidariedade, o respeito pelos outros, a intimidade e a interioridade pessoal, a liberdade de consci\u00eancia, princ\u00edpios e valores sempre enriquecedores, quando bem entendidos e respeitados.<\/p>\n<p>H\u00e1 chav\u00f5es que passam na pol\u00edtica de pais a filhos, ou seja, de veteranos a novatos, sobre os quais j\u00e1 n\u00e3o se perde tempo a reflectir. Afirma-se, e pronto. Uma pobreza ainda generalizada. As ideologias perderam cor e vigor, nivelaram-se ou constru\u00edram muros inacess\u00edveis de incomunica\u00e7\u00e3o e as pessoas vivem de interesses.<\/p>\n<p>Raciocinar \u00e0 superf\u00edcie \u00e9 raciocinar de modo pobre, interessado e n\u00e3o gratuito. O medo de ir mais longe, descobrir novos horizontes de vida, aceitar confrontos \u00e9, para muita gente, uma fuga \u00e0 verdade e \u00e0 realidade, e um aconchegar-se no ninho. S\u00f3 a verdade liberta, s\u00f3 a verdade \u00e9 fundamento da liberdade interior, s\u00f3 ela tem futuro.<\/p>\n<p>Um dos aspectos mais comuns na pobreza do racioc\u00ednio e dos confrontos, normais e necess\u00e1rios para um enriquecimento m\u00fatuo, v\u00ea-se na confus\u00e3o entre governo e Estado, fazendo-se do primeiro o senhor e dono das pessoas e dos seus bens, dono de tudo como Estado provid\u00eancia. As iniciativas privadas e as ideias dos outros nunca s\u00e3o boas porque diminuem ou beliscam o poder e a miss\u00e3o de um tal Estado. Basta reflectir um pouco, libertos da cegueira dos preconceitos, para logo se ver a pobreza em que se foi caindo.<\/p>\n<p>Esta reflex\u00e3o, sempre inc\u00f3moda porque a realidade a isso leva e nunca \u00e9 agrad\u00e1vel tocar feridas ocultas, veio-me agora ao de cima, quando li num di\u00e1rio (DA, 26.5.08) artigo assinado por um deputado em exerc\u00edcio com este t\u00edtulo: \u201cMais e melhor escola p\u00fablica, sim. Privatiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o\u201d. Se o signat\u00e1rio se despisse do preconceito partid\u00e1rio, o racioc\u00ednio seria mais aberto e objectivo e teria uma dimens\u00e3o de servi\u00e7o ao pa\u00eds, para al\u00e9m do pendor partid\u00e1rio. Quem \u00e9 que n\u00e3o deseja uma melhor escola p\u00fablica? O mal, a meu ver e como parece evidente, est\u00e1 em dizer \u201cmais e melhor escola p\u00fablica\u201d, porque, ent\u00e3o, cai-se no facciosismo de pensar que s\u00f3 o que \u00e9 estatal \u00e9 que \u00e9 p\u00fablico. Ser\u00e1 que o signat\u00e1rio est\u00e1 mesmo convencido? \u00c9 o racioc\u00ednio, fascista e totalit\u00e1rio, do \u201c\u00fanico\u201d e do \u201cn\u00f3s\u201d, que nega valor \u00e0 participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica plural, porque s\u00f3 v\u00ea inimigos nos que n\u00e3o pensam segundo o sistema. Assim n\u00e3o vamos longe. Os partidos pol\u00edticos passam e, quando est\u00e3o, t\u00eam de aceitar o jogo democr\u00e1tico aberto. De contr\u00e1rio, anulam tudo \u00e0 sua volta que n\u00e3o seja concord\u00e2ncia acr\u00edtica com o dito e o decidido. Pensamento pobre \u00e9 pobreza de decis\u00e3o. J\u00e1 todos vimos que calar os dissidentes \u00e9 empobrecer o pa\u00eds. A diferen\u00e7a \u00e9 riqueza a acolher e a aproveitar, se o respeito pelos outros ainda tem lugar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos pol\u00edticos, felizmente que n\u00e3o todos, t\u00eam, por vezes, racioc\u00ednios sobre a vida social e pol\u00edtica, que n\u00e3o saem das baias estabelecidas pelos seus partidos. Nota-se, assim, a falta de horizontes mais largos e profundos e alguma pris\u00e3o interior que n\u00e3o os deixa ser livres, nem expressar-se livremente. A disciplina de voto passa muitas vezes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-12503","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12503"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12503\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}