{"id":12507,"date":"2008-06-19T10:44:00","date_gmt":"2008-06-19T10:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12507"},"modified":"2008-06-19T10:44:00","modified_gmt":"2008-06-19T10:44:00","slug":"crise-permanente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/crise-permanente\/","title":{"rendered":"Crise permanente?&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>A crise \u00e9, por origem sem\u00e2ntica, um momento de purifica\u00e7\u00e3o. Permite separar o joio do trigo, distinguir o essencial do acess\u00f3rio, conservar o que \u00e9 permanente e mudar o que \u00e9 ef\u00e9mero\u2026 Teoricamente \u00e9 assim! E \u00e9 sempre ben\u00e9fica, quando se assume como tal e se opera esta metamorfose pessoal, social, eclesial\u2026<\/p>\n<p>Preocupante \u00e9 que as crises se instalem como forma permanente de vida, seja a que n\u00edvel for: nunca se perceber\u00e1 o que importa conservar e consolidar, o que importa corrigir, o que importa deixar cair. Se bem que as metamorfoses sejam um dinamismo permanente, elas t\u00eam de apresentar-se em sucessivas fases estabilizadas, que permitam identificar o rumo que se leva e as etapas percorridas.<\/p>\n<p>A crise de valores trazida pela modernidade foi ben\u00e9fica, para purificar, mesmo a n\u00edvel religioso, o que \u00e9 permanente daquilo que \u00e9 o p\u00f3 da hist\u00f3ria, dos tempos e dos quadrantes diversos. Grave foi e \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o que se perpetua num relativismo constante e generalizado de todos os valores. \u00c9 absolutamente indispens\u00e1vel \u00e0 sobreviv\u00eancia da Humanidade que reencontre os valores estruturantes, que ser\u00e3o eles pr\u00f3prios a relativizar o acess\u00f3rio de cada \u00e9poca ou circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f3mica e social que atravessamos &#8211; pre\u00e7o dos combust\u00edveis, perigo de car\u00eancias alimentares generalizadas, o espectro da falta de \u00e1gua pot\u00e1vel, o efeito de estufa\u2026- consequ\u00eancia, sem d\u00favida, da crise de valores, pode trazer benef\u00edcios incalcul\u00e1veis a todos. O que reclama \u00e9 o empenho de todos em redescobrir e assumir quadros de valores inquestion\u00e1veis.<\/p>\n<p>A come\u00e7ar por exigir que se coloque a pessoa humana e a sua dignidade no centro das decis\u00f5es, pessoais e comunit\u00e1rias. E a educa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica deixar\u00e1 de ser um verniz epid\u00e9rmico, para ser um convicto amor \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, reconhecendo e respeitando, mesmo sem o saber, o projecto de Deus para o Mundo e para o Homem.<\/p>\n<p>O uso dos bens deixar\u00e1 de ser uma express\u00e3o desbragada de liberdade feita libertinagem, para ser uma consci\u00eancia s\u00f3bria do que \u00e9 saud\u00e1vel, um h\u00e1bito de austeridade que educa e desperta a solidariedade, uma alegre e generosa partilha fraterna, directa ou por forma de uso social dos mesmos bens.<\/p>\n<p>O respeito pelos recursos dispon\u00edveis, a sua justa distribui\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o para os multiplicar por formas ao ritmo da pr\u00f3pria natureza, a procura de muitos outros meios at\u00e9 agora desconsiderados\u2026, abrem portas a uma consci\u00eancia e viv\u00eancia da fam\u00edlia humana, numa aldeia que \u00e9 global nas suas fronteiras, mas que subsiste explosivamente \u201centrincheirada\u201d na diversidade de ra\u00e7as e povos, de estratos sociais abissalmente distantes.<\/p>\n<p>A crise \u00e9 salutar, se lhe n\u00e3o voltarmos as costas, se dela n\u00e3o nos alhearmos com fen\u00f3menos narc\u00f3ticos, se n\u00e3o nos acomodarmos e consentirmos que venha para ficar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise \u00e9, por origem sem\u00e2ntica, um momento de purifica\u00e7\u00e3o. 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