{"id":12561,"date":"2008-06-19T14:49:00","date_gmt":"2008-06-19T14:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12561"},"modified":"2008-06-19T14:49:00","modified_gmt":"2008-06-19T14:49:00","slug":"o-livro-e-os-livros-os-catolicos-e-a-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-livro-e-os-livros-os-catolicos-e-a-biblia\/","title":{"rendered":"O livro e os livros, os cat\u00f3licos e a B\u00edblia"},"content":{"rendered":"<p>Zade Smith, uma inglesa de origem oriental, das mais respeitadas escritoras brit\u00e2nicas na actualidade, ao dar conta, em entrevista recente (Expresso, 31\/5\/08, caderno Actual), da sua car\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o religiosa, diz textualmente: \u201cEu cresci numa fam\u00edlia sem filia\u00e7\u00e3o religiosa. Quando n\u00e3o se tem um grande Livro, \u00e9 natural olhar para uma data de livros pequenos\u201d. Uma palavra de largo e ponderado sentido, que a vida ilustra em cada dia.<\/p>\n<p>Para aos crist\u00e3os, o grande Livro \u00e9 e ser\u00e1 sempre a B\u00edblia. Sair dela ou prestar-lhe menos aten\u00e7\u00e3o \u00e9 deixar sem alimento a f\u00e9 pessoal e a f\u00e9 comunit\u00e1ria sem fundamento s\u00f3lido e inspirador.<\/p>\n<p>Recentemente, uma sondagem feita na diocese de Lisboa, e da qual se deu not\u00edcia muito alargada, trouxe ao de cima a consci\u00eancia de como h\u00e1 ainda muitos crist\u00e3os que n\u00e3o l\u00eaem, n\u00e3o meditam, nem rezam a B\u00edblia, mesmo quando a t\u00eam em suas casas e sabem o seu valor e import\u00e2ncia para a viv\u00eancia da f\u00e9 e para a vida segundo Cristo.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os da reforma protestante e outros que, ao longo do tempo, foram nascendo, separando-se das correntes iniciais, mantiveram sempre grande liga\u00e7\u00e3o \u00e0 B\u00edblia. O mesmo fazem hoje as incont\u00e1veis seitas que v\u00e3o proliferando por esse mundo fora, muitas vezes sem pejo de utilizarem e manipularem o Livro Sagrado para justificar  opini\u00f5es e interesses. <\/p>\n<p>Num contexto hist\u00f3rico conhecido, a Igreja Cat\u00f3lica, durante s\u00e9culos, preocupada em defender a f\u00e9 tradicional do povo, amea\u00e7ada por uma livre interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica, deu prioridade, na sua ac\u00e7\u00e3o, \u00e0 catequese das crian\u00e7as, apoiando-a no testemunho activo da fam\u00edlia, primeiro espa\u00e7o de transmiss\u00e3o e express\u00e3o da f\u00e9. A B\u00edblia, suporte doutrin\u00e1rio do catecismo, foi um Livro usado sobretudo pelo clero, a quem competia ensinar as verdades crist\u00e3s \u00e0s crian\u00e7as e motivar os pais para o seu dever de primeiros educadores da f\u00e9 dos seus filhos. Muito tempo assim, tempo de mais, dada a evolu\u00e7\u00e3o das mentalidades e da sociedade. Maior preocupa\u00e7\u00e3o em continuar a defender, sem garantia, a f\u00e9 dos crentes, e menor em evangelizar e alimentar essa f\u00e9, cada vez mais d\u00e9bil. Mesmo nos semin\u00e1rios, o estudo da Escritura foi deficiente, por haver mais preocupa\u00e7\u00e3o com os problemas exeg\u00e9ticos que com a riqueza espiritual inesgot\u00e1vel da Palavra Revelada. <\/p>\n<p>J\u00e1 em pleno s\u00e9culo XX, a B\u00edblia, traduzida em portugu\u00eas e, com notas explicativas, tornou-se mais acess\u00edvel aos cat\u00f3licos. Os padres Capuchinhos tiveram grande m\u00e9rito neste acordar b\u00edblico com a prega\u00e7\u00e3o popular, os grupos paroquiais, as Semanas B\u00edblicas nacionais, a publica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da B\u00edblia e a Revista B\u00edblica. Milhares de pessoas e muitas centenas de par\u00f3quias v\u00eam beneficiando desta ac\u00e7\u00e3o. O Vaticano II fez acerca da Palavra de Deus uma Constitui\u00e7\u00e3o conciliar ainda pouco conhecida. D\u00e1-se, agora, cada vez mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura espiritual da B\u00edblia, dita \u201cLectio Divina\u201d, que leva \u00e0 participa\u00e7\u00e3o pessoal de quem escuta ou l\u00ea a Palavra. As celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, mormente a Eucaristia, d\u00e3o lugar central \u00e0 Palavra de Deus e ao minist\u00e9rio de leitor, ajudando a crescer o amor \u00e0 B\u00edblia.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tempos faz-se a campanha \u201cEm cada casa uma B\u00edblia\u201d. V\u00ea-se, por\u00e9m, que n\u00e3o chega colocar o Livro nos lares crist\u00e3os, se, antes ou ao mesmo tempo, n\u00e3o se mete, com cuidado e persist\u00eancia, no cora\u00e7\u00e3o dos crentes, o amor \u00e0 Palavra e a capacidade de a ler e meditar, com fruto espiritual e apost\u00f3lico.<\/p>\n<p>A prepara\u00e7\u00e3o do pr\u00f3ximo S\u00ednodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus est\u00e1 acordando a Igreja das suas rotinas, omiss\u00f5es e demoras. Se evangeliza\u00e7\u00e3o, inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, forma\u00e7\u00e3o dos adultos e agentes pastorais s\u00e3o hoje urg\u00eancias na Igreja, n\u00e3o se dar\u00e1 passo v\u00e1lido sem dar \u00e0 B\u00edblia ou \u00e0 Palavra de Deus o lugar indispens\u00e1vel que lhe compete.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Zade Smith, uma inglesa de origem oriental, das mais respeitadas escritoras brit\u00e2nicas na actualidade, ao dar conta, em entrevista recente (Expresso, 31\/5\/08, caderno Actual), da sua car\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o religiosa, diz textualmente: \u201cEu cresci numa fam\u00edlia sem filia\u00e7\u00e3o religiosa. Quando n\u00e3o se tem um grande Livro, \u00e9 natural olhar para uma data de livros pequenos\u201d. 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