{"id":12569,"date":"2008-06-25T16:24:00","date_gmt":"2008-06-25T16:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12569"},"modified":"2008-06-25T16:24:00","modified_gmt":"2008-06-25T16:24:00","slug":"censura-debatida-no-iscia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/censura-debatida-no-iscia\/","title":{"rendered":"Censura debatida no ISCIA"},"content":{"rendered":"<p>A censura esteve em debate na tert\u00falia intitulada \u201cA liberdade de express\u00e3o. \u00abEst\u00f3rias\u00bb da censura. E hoje?\u201d, promovida pela Associa\u00e7\u00e3o de Estudantes do ISCIA (Instituto Superior de Ci\u00eancias da Informa\u00e7\u00e3o e da Comunica\u00e7\u00e3o) de Aveiro, que convidou para o efeito Costa Carvalho, antigo director dos jornais \u201cJornal de Not\u00edcias\u201d, \u201cO Primeiro de Janeiro\u201d e \u201cO Com\u00e9rcio do Porto\u201d, e actualmente docente no ISCIA, e Carlos Candal, antigo deputado aveirense. O deputado Manuel Alegre, devido a uma altera\u00e7\u00e3o de trabalhos na Assembleia da Rep\u00fablica, n\u00e3o pode estar presente.<\/p>\n<p>Para os dois oradores convidados, a concentra\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, incluindo os de \u00e2mbito regional, num limitado grupos de empresas \u00e9 o mais grave obst\u00e1culo \u00e0 liberdade de express\u00e3o na actualidade, porque um jornalista que escreva algo que n\u00e3o agrade ao \u201cpatr\u00e3o\u201d do grupo econ\u00f3mico que controla o seu jornal dificilmente conseguir\u00e1 emprego noutro \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o controlado por esse grupo econ\u00f3mico. Por isso, Carlos Candal real\u00e7ou que \u201cos jornalistas t\u00eam que ter cuidado com o que escrevem, para n\u00e3o desagradar ao patr\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No per\u00edodo do Estado Novo, os jornalistas conheciam as \u201cregras\u201d ditadas pela censura do poder pol\u00edtico. Hoje, isso j\u00e1 n\u00e3o acontece, porque as \u201cregras\u201d n\u00e3o s\u00e3o ditadas pelo poder pol\u00edtico mas pelos interesses (econ\u00f3micos e outros) dos grupos empresariais que controlam os respectivos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com Costa Carvalho, a censura organizada come\u00e7ou, em Portugal, com a Inquisi\u00e7\u00e3o. O per\u00edodo entre 1851 e a entrada de Jo\u00e3o Franco para a chefia do governo (no final da monarquia) foi o de maior liberdade de imprensa em Portugal. <\/p>\n<p>Para Carlos Candal, liberdade de imprensa n\u00e3o significa \u201clibertinagem\u201d, porque a \u00fanica coisa pior do que a limita\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o \u00e9 o excesso de liberdade, que resulta no insulto e na cal\u00fania pessoal.<\/p>\n<p>Como jornalista profissional desde 1960 e director dos tr\u00eas grandes di\u00e1rios da cidade do Porto, Costa Carvalho conheceu a censura do regime de Salazar e Marcelo Caetano. Carlos Candal tamb\u00e9m sofreu os efeitos da censura, como director do \u201cVia Latina\u201d, \u00f3rg\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Acad\u00e9mica de Coimbra (jornal que dirigiu quando ganhou as elei\u00e7\u00f5es para presidente daquela associa\u00e7\u00e3o, em 1960), e como autor, visto que lhe foi confiscado o original do livro \u201cEm defesa das associa\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas\u201d, com pref\u00e1cio de Jorge Sampaio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A censura esteve em debate na tert\u00falia intitulada \u201cA liberdade de express\u00e3o. \u00abEst\u00f3rias\u00bb da censura. 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