{"id":12616,"date":"2008-06-25T17:49:00","date_gmt":"2008-06-25T17:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12616"},"modified":"2008-06-25T17:49:00","modified_gmt":"2008-06-25T17:49:00","slug":"associacao-rede-de-cuidadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/associacao-rede-de-cuidadores\/","title":{"rendered":"Associa\u00e7\u00e3o rede de cuidadores"},"content":{"rendered":"<p>No passado dia 1 de Junho, Dia da Crian\u00e7a, foi tornada p\u00fablica a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Rede de Cuidadores, que tem como primeiro objectivo contribuir para a preven\u00e7\u00e3o de maus-tratos sobre crian\u00e7as e adolescentes. <\/p>\n<p>Como a pr\u00f3pria palavra indica \u00e9 Rede e \u00e9 de Cuidadores. Tem um sentido greg\u00e1rio e solid\u00e1rio. A favor de uma \u00e9tica da responsabilidade de cuidar. Com enfoque no dia-gn\u00f3stico, na preven\u00e7\u00e3o, na interven\u00e7\u00e3o precoce e na disponibiliza\u00e7\u00e3o de respostas personalizadas. Atrav\u00e9s do refor\u00e7o da qualidade polinizadora da resposta e n\u00e3o apenas da quantidade. Onde existe um ser indefeso, deve tamb\u00e9m existir um conhecer, um ajudar, um cuidar. Se existem redes de abusadores, deveremos saber responder com redes de cuidadores!<\/p>\n<p>As pessoas que se juntaram para avan\u00e7ar com este projecto, em boa hora impulsionado por Catalina Pestana e ao qual tamb\u00e9m me associei de imediato, fizeram-no em nome de um imperativo de consci\u00eancia, de uma atitude de servi\u00e7o contra o conformismo e a indiferen\u00e7a, pelo valor da solidariedade e da partilha contra o individualismo e a desconsidera\u00e7\u00e3o, pela ac\u00e7\u00e3o e entusiasmo contra a viol\u00eancia do sil\u00eancio e pela humaniza\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es contra a tecnocracia estat\u00edstica que \u00e9 a nova forma de diluir ou banalizar os problemas e de transformar as pessoas em n\u00fameros e algoritmos.<\/p>\n<p>Por outras palavras, esta Associa\u00e7\u00e3o quer ser parte activa no exerc\u00edcio de uma verdadeira e independente magistratura social. Em nome da ess\u00eancia do bem comum, da centralidade e dignidade da pessoa humana e sobretudo da defesa dos mais fracos e dos que raramente t\u00eam voz ou s\u00e3o escutados. Em nome da esperan\u00e7a sempre renovada, da verdade, da autenticidade, da sensibilidade, da dec\u00eancia. Verdade nas an\u00e1lises, autenticidade na ac\u00e7\u00e3o, sensibilidade na rela\u00e7\u00e3o, dec\u00eancia entendida como a est\u00e9tica da \u00e9tica. E porque n\u00e3o em nome da utopia e do sonho que s\u00e3o as \u00fanicas aparentes mentiras que podem deixar de o ser pela ac\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>N\u00e3o se est\u00e1 contra ningu\u00e9m, mas a favor de alguns e algumas. N\u00e3o se procura competir mas cooperar. Com independ\u00eancia e sentido da proporcionalidade. Fazendo pontes em vez de muros e erradicando o aparente comodismo da ideia de \u201cposta restante social\u201d, onde sempre se corre o risco de uniformizar o que exige diferencia\u00e7\u00e3o, de massificar o que sup\u00f5e proximidade e personaliza\u00e7\u00e3o. Sabemos das limita\u00e7\u00f5es e condicionantes das organiza\u00e7\u00f5es de solidariedade, mas tamb\u00e9m temos consci\u00eancia da fragilidade do Estado que n\u00e3o tem compet\u00eancia emocional, nem sabedoria afectiva, e da necessidade de estimular a sociedade tantas vezes envolta ora na cultura do pessimismo castrador, ora da satisfa\u00e7\u00e3o ego\u00edsta. Jamais contemporizamos com insufici\u00eancias ou abusos, indultos comportamentais e amnistias morais. <\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da Rede Cuidadores, queremos dizer n\u00e3o \u00e0 irrelev\u00e2ncia do conforto em que hoje tanta gente est\u00e1 anestesiadamente mergulhada. Queremos contribuir para uma justi\u00e7a com alma e n\u00e3o simplesmente para uma justi\u00e7a formal, cont\u00e1bil. Queremos expressar a ideia da solidariedade como um valor social e n\u00e3o como uma mera t\u00e9cnica padronizada. Na afirma\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca do princ\u00edpio da subsidiariedade social t\u00e3o mal tratado no nosso Pa\u00eds. A subsidiariedade n\u00e3o se limita a ser um simples princ\u00edpio de reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias. \u00c9 um princ\u00edpio de liberdade, de iniciativa, de responsabilidade e de harmoniosa hierarquia e subordina\u00e7\u00e3o de valores: o ser antes de o ter, a dimens\u00e3o espiritual e imaterial antes da dimens\u00e3o f\u00edsica e instintiva, a conviv\u00eancia antes do isolamento, a fam\u00edlia antes da cidade e do Estado. <\/p>\n<p>Queremos contribuir para uma combina\u00e7\u00e3o t\u00e3o boa quanto poss\u00edvel entre recursos monet\u00e1rios sempre escassos e n\u00e3o monet\u00e1rios sempre renov\u00e1veis (tempo, compet\u00eancia, saberes, partilha, solicitude, persist\u00eancia, lealdade, gratuitidade, etc.). Queremos, por fim, contribuir para a inova\u00e7\u00e3o social na abordagem, nos m\u00e9todos e nas respostas, para uma nova dimens\u00e3o \u00e9tica da entreajuda, fomentando a pedagogia do exemplo, da experiencia de vida, do respeito, da compreens\u00e3o, da equidade entre diferentes gera\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es, numa simbiose entre voluntariado, experi\u00eancia, generosidade e profissionalismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No passado dia 1 de Junho, Dia da Crian\u00e7a, foi tornada p\u00fablica a cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Rede de Cuidadores, que tem como primeiro objectivo contribuir para a preven\u00e7\u00e3o de maus-tratos sobre crian\u00e7as e adolescentes. Como a pr\u00f3pria palavra indica \u00e9 Rede e \u00e9 de Cuidadores. Tem um sentido greg\u00e1rio e solid\u00e1rio. 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