{"id":12619,"date":"2008-06-25T17:54:00","date_gmt":"2008-06-25T17:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12619"},"modified":"2008-06-25T17:54:00","modified_gmt":"2008-06-25T17:54:00","slug":"para-uma-economia-socializada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/para-uma-economia-socializada\/","title":{"rendered":"Para uma economia &#8220;socializada&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais <!--more--> A \u00absocializa\u00e7\u00e3o\u00bb passou a ser objecto de refer\u00eancias diversas, na doutrina social da Igreja (DSI), desde pelo menos Jo\u00e3o XXIII. O \u00abComp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja\u00bb dedica-lhe uma \u00abentrada\u00bb, e outras cita\u00e7\u00f5es se poderiam acres-centar \u00e0s que a\u00ed figuram. Como po-deremos definir a \u00absocializa\u00e7\u00e3o\u00bb, \u00e0 luz dessa doutrina? &#8211; Talvez possamos defini-la como a procura permanente do bem comum de, e a partir de, cada pessoa, com base no relacionamento interpessoal conjugado com a ac\u00e7\u00e3o dos corpos interm\u00e9dios e do Estado.<\/p>\n<p>A refer\u00eancia a cada pessoa, como agente e destinat\u00e1ria do bem comum, resulta do car\u00e1cter personalista da DSI. O relacionamento interpessoal, a partir da fam\u00edlia, constitui o prolongamento natural de cada pessoa e a base da complementaridade solid\u00e1ria. Os corpos interm\u00e9dios s\u00e3o as diferentes organiza\u00e7\u00f5es, formais e informais, vocacionadas para o desenvolvimento de actividades n\u00e3o acess\u00edveis ao relacionamento interpessoal; entre os exemplos de corpos interm\u00e9dios figuram as empresas, as associa\u00e7\u00f5es, as cooperativas, as funda\u00e7\u00f5es, os movimentos sociais&#8230;O Estado tem por miss\u00e3o assegurar os servi\u00e7os que ultrapassam as capacidades dos \u00abcorpos interm\u00e9dios\u00bb. Os tr\u00eas tipos de entidades &#8211; pessoas, \u00abcorpos interm\u00e9dios e Estado &#8211; funcionam com base na complementaridade baseada nos princ\u00edpios da solidariedade e da subsidiariedade. Neste entendimento, a sociedade e o Estado podem, e devem, tomar as medidas necess\u00e1rias para se evitarem desigualdades e concentra\u00e7\u00f5es de riqueza inaceit\u00e1veis; podem mesmo chegar \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o de meios de produ\u00e7\u00e3o e de outros bens, quando o bem comum assim o exija e sejam respeitados os princ\u00edpios da subsidiariedade, da \u00absubjectividade da sociedade\u00bb e os procedimentos democr\u00e1ticos.(\u00abLaborem Exercens\u00bb, \u00faltimos par\u00e1grafos dos n\u00bas. 14 e15, e 2\u00ba. e 3\u00ba. par\u00e1g. do n\u00ba. 19). Com ou sem apropria\u00e7\u00e3o p\u00fablica de meios de produ\u00e7\u00e3o e de outros bens, a economia \u00absocializada\u00bb implica uma regula\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica, vinculada ao bem comum e baseada na ac\u00e7\u00e3o dos corpos interm\u00e9dios e do Estado. Ela ultrapassa as limita\u00e7\u00f5es da \u00absociedade civil\u00bb e evita o autoritarismo estatal.<\/p>\n<p>Tal regula\u00e7\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel num contexto, como o actual, dominado por for\u00e7as econ\u00f3mico-pol\u00edticas n\u00e3o control\u00e1veis pelos Estados? &#8211; Sem d\u00favida que \u00e9 muito dif\u00edcil e, porventura, imposs\u00edvel dentro de um prazo razo\u00e1vel. No entanto, nada obsta a que os \u00abcorpos interm\u00e9dios\u00bb actuem sistematicamente neste sentido e influenciem o Estado para que tamb\u00e9m assim actue. Claro que n\u00e3o podemos perder de vista que a ac\u00e7\u00e3o a desenvolver no \u00e2mbito nacional precisa de ser complementada pela de \u00e2mbito mundial; com este objectivo, \u00e9 necess\u00e1rio que gradualmente se v\u00e1 construindo um verdadeiro governo mundial, j\u00e1 preconizado por Paulo VI na enc\u00edclica \u00abPopulorum Progressio\u00bb (1967).<\/p>\n<p>Enquanto n\u00e3o prevalecer o esfor\u00e7o permanente e concertado a favor da economia \u00absocializada\u00bb, estamos condenados a oscilar entre o liberalismo desregulado e o autoritarismo estatal, com maior ou menor propens\u00e3o para o totalitarismo. Os s\u00e9culos XIX e XX experimentaram estes dois extremos, e criaram uma esp\u00e9cie de sistema interm\u00e9dio que atenuou, mas n\u00e3o erradicou, esses extremos. Por isso, temos ainda \u00e0 nossa frente um longo caminho a percorrer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quest\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-12619","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12619"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12619\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}