{"id":12621,"date":"2008-06-25T17:55:00","date_gmt":"2008-06-25T17:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12621"},"modified":"2008-06-25T17:55:00","modified_gmt":"2008-06-25T17:55:00","slug":"nova-barbarie-invade-a-nossa-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/nova-barbarie-invade-a-nossa-sociedade\/","title":{"rendered":"Nova barb\u00e1rie invade a nossa sociedade"},"content":{"rendered":"<p>As invas\u00f5es dos b\u00e1rbaros fustigaram a Europa nos s\u00e9culos IV e V, ocuparam metade do Imp\u00e9rio, foram virulentas pelo \u00f3dio sanguin\u00e1rio dos v\u00e1rios \u201c\u00e1tilas\u201d, serenaram com a progressiva instala\u00e7\u00e3o em terras espoliadas e a convers\u00e3o de Cl\u00f3vis ao cristianismo<\/p>\n<p>Historicamente significaram destrui\u00e7\u00e3o de vidas, de monumentos hist\u00f3ricos, de novas culturas que se enraizavam. Provocaram medo, revolta, desola\u00e7\u00e3o de pessoas e de terras, ocupa\u00e7\u00e3o de cidades habitadas e destrui\u00e7\u00e3o impiedosa de campos arroteados e cultivados. Os b\u00e1rbaros destru\u00edram, ocuparam, mataram para se instalarem e dominarem. <\/p>\n<p>O seu objectivo residia na satisfa\u00e7\u00e3o de interesses concretos, de ordem econ\u00f3mica e pol\u00edtica. Satisfaziam-se, por momentos, com ofertas gra\u00fadas que os faziam amainar, mas recrudesciam, em \u00f3dio e vingan\u00e7a, quando n\u00e3o chegavam logo ao que procuravam. Valia tudo para conseguir o que se almejava. Todos os meios justificavam os fins. <\/p>\n<p>A nossa sociedade est\u00e1 a ser dominada por nova barb\u00e1rie. A palavra \u00e9 dura, mas com palavras moles vamos sendo submergidos na avalanche dos que, organizadamente, d\u00e3o mais aten\u00e7\u00e3o ao dinheiro e ao poder que ao servi\u00e7o digno e dignificante \u00e0s pessoas. <\/p>\n<p>Chegou-se, impunemente, \u00e0 propaganda da devassid\u00e3o, como se pode ver numa visita breve aos jornais di\u00e1rios conhecidos e vendidos, a alguns programas de televis\u00e3o, \u00e0 enxurrada das revistas banais, expostas em profus\u00e3o em qualquer quiosque da rua. Alguns exemplos esclarecedores:<\/p>\n<p>O CM publica todos os dias \u00e0 volta de mil pequenos an\u00fancios, pornograficamente ilustrados, de prostitutas a oferecer os seus servi\u00e7os. O DN anda normalmente por uma p\u00e1gina di\u00e1ria com o mesmo estendal. O JN e o 24 horas n\u00e3o querem ficar atr\u00e1s na informa\u00e7\u00e3o de igual mercado. At\u00e9 o P\u00fablico d\u00e1, diariamente, um cheirinho ao tema. J\u00e1 nem falo dos jornais da especialidade, que tamb\u00e9m se v\u00eaem por a\u00ed, ao alcance de todos. <\/p>\n<p>S\u00e3o ainda frequentes p\u00e1ginas de jornais, nos menos esperados, a enxovalhar o casamento, a denegrir a fam\u00edlia, a entrevistar apenas sobre a vida sexual ao n\u00edvel do irracional. Se passarmos \u00e0s revistas semanais publicadas, com nomes sonantes, e muitas delas ligadas a jornais di\u00e1rios e a esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o, nelas abundam os casamentos em s\u00e9rie, os amores tra\u00eddos, as devassas \u00e0 vida pessoal. Tudo cor-de-rosa, mas para muitos com muito sangue oculto. Os her\u00f3is deste pa\u00eds est\u00e3o entre a gente das telenovelas, do teatro, do futebol, dos esc\u00e2ndalos diversos, das tend\u00eancias sexuais \u00e0 procura de apoiantes e at\u00e9 mesmo de praticantes. E, para estes casos, n\u00e3o faltam jornalistas de opini\u00e3o e programadores zelosos. Quem sabe se tamb\u00e9m interessados.<\/p>\n<p>\u00c9 esta a cultura que se expande e se protege, na qual vai crescendo muita gente nova que j\u00e1 aprendeu com os mais velhos a festejar datas com bebedeiras, a gabar-se de experi\u00eancias sexuais irrespons\u00e1veis, a fazer do \u201cserve-te e deita fora\u201d modo de vida, a fugir aos pais e \u00e0 fam\u00edlia sem medir as consequ\u00eancias dos seus actos. \u00c9 a cultura das telenovelas, nacionais e brasileiras, cheias de pessoas simp\u00e1ticas a destilar com arte, do princ\u00edpio ao fim, o lixo da vida misturado com odores de convidativos manjares.<\/p>\n<p>\u00c9 o pluralismo e cada um \u00e9 livre para fazer o que lhe apetece ou deseja. Assim se diz. Desde que se deixou de falar de bem comum e de direitos humanos, desde que se menosprezaram e esqueceram valores espirituais e morais, desde que a fam\u00edlia perdeu o valor e se considerou mais um peso que um dom, desde que, impunemente, se deixou  que os meios de comunica\u00e7\u00e3o social se tornassem os grandes mentores sociais e culturais, ru\u00edram as comportas da seriedade e da vergonha e avan\u00e7aram os b\u00e1rbaros, senhores de muitos bens e muitos amigos, fazendo do dinheiro o seu deus e da amoralidade a sua lei. O povo s\u00f3 interessa como produtor incauto de riqueza. Tudo isto pode dar que pensar, j\u00e1 que o futebol, com festa antecipada, acabou t\u00e3o ingloriamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As invas\u00f5es dos b\u00e1rbaros fustigaram a Europa nos s\u00e9culos IV e V, ocuparam metade do Imp\u00e9rio, foram virulentas pelo \u00f3dio sanguin\u00e1rio dos v\u00e1rios \u201c\u00e1tilas\u201d, serenaram com a progressiva instala\u00e7\u00e3o em terras espoliadas e a convers\u00e3o de Cl\u00f3vis ao cristianismo Historicamente significaram destrui\u00e7\u00e3o de vidas, de monumentos hist\u00f3ricos, de novas culturas que se enraizavam. 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