{"id":12669,"date":"2008-07-03T17:01:00","date_gmt":"2008-07-03T17:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12669"},"modified":"2008-07-03T17:01:00","modified_gmt":"2008-07-03T17:01:00","slug":"interrupcao-voluntaria-da-gravidez-recebe-subsidio-de-maternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/interrupcao-voluntaria-da-gravidez-recebe-subsidio-de-maternidade\/","title":{"rendered":"Interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez recebe subs\u00eddio de maternidade"},"content":{"rendered":"<p>A ditadura da opini\u00e3o (1) <!--more--> Na fase descendente da grande hist\u00f3ria da filosofia grega, deambulavam por entre os grandes fil\u00f3sofos, uns certos pensadores que se auto-designavam como sofistas (s\u00e1bios). Rivalizavam e disputavam argumentos com aqueles que vieram a ocupar o lugar cimeiro da hist\u00f3ria do pensamento ocidental, entre eles Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles, negando qualquer legitimidade \u00e0 busca da verdade, t\u00e3o cara a qualquer destes nomes incontorn\u00e1veis da filosofia hel\u00e9nica. Ent\u00e3o, como hoje, conquistavam as plateias que se deixavam enredar em discursos argumentativos capazes de provar que o dia era noite e o branco, negro. O seu lema fundamental definiu-o Prot\u00e1goras, considerado o seu mais elevado representante: \u2018o homem \u00e9 a medida de todas as coisas\u2019, numa redu\u00e7\u00e3o da verdade objectiva \u00e0 mera subjectividade individual.<\/p>\n<p>Contudo, ap\u00f3s terem anestesiado as multid\u00f5es, sossegadas na sua desist\u00eancia de procurar a verdade, a hist\u00f3ria da cultura e da filosofia gregas entrou numa decad\u00eancia de que jamais se reergueu e que a debilitou perante a for\u00e7a da verdade que outras culturas conseguiram repor.<\/p>\n<p>Ontem, como hoje, a sof\u00edstica conquista are\u00f3pagos que globalizam a opini\u00e3o infundada, que debilitam a moral comum, que ofuscam a leg\u00edtima e necess\u00e1ria busca da verdade, conduzindo, paulatinamente, \u00e0 fragiliza\u00e7\u00e3o daqueles alicerces que eram a garantia da blindagem contra a ditadura da opini\u00e3o, contra a lei dos mais fortes ou a for\u00e7a das maiorias ondulantes.<\/p>\n<p>Vem esta introdu\u00e7\u00e3o a prop\u00f3sito dos mais recentes desenvolvimentos na grande causa de civiliza\u00e7\u00e3o que \u00e9 a protec\u00e7\u00e3o dos humanos ainda n\u00e3o nascidos. Alguns dados queremos, aqui, recordar, a este prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>O primeiro chegou-nos atrav\u00e9s de um comunicado da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa das Fam\u00edlias Numerosas que, com uma intelig\u00eancia que sempre tem sido seu atributo, denuncia a il\u00f3gica da atribui\u00e7\u00e3o de subs\u00eddio de maternidade \u2013 pasme-se! \u2013 \u00e0s mulheres que realizaram, voluntariamente, abortamento nos quadros definidos pela lei. Maternidade e abortamento (e, por maioria de raz\u00e3o, o volunt\u00e1rio) s\u00e3o, em qualquer silogismo prim\u00e1rio, perfeitamente incompat\u00edveis. Que o digam as mulheres a quem a natureza rejeitou o filho desejado que geravam! A aus\u00eancia de qualquer marca de verdade em tal decis\u00e3o \u00e9 clara e dispensa qualquer coment\u00e1rio. Sof\u00edstica pura!<\/p>\n<p>O segundo facto j\u00e1 era previs\u00edvel e s\u00f3 quem cegamente desejava uma mudan\u00e7a de lei, que n\u00e3o tinha outros motivos sen\u00e3o a ideologia esvaziante, \u00e9 que n\u00e3o vislumbrara: o abortamento volunt\u00e1rio \u00e9, hoje, em Portugal e nos pa\u00edses que o liberalizaram, um entre outros m\u00e9todos ditos de contracep\u00e7\u00e3o (n\u00e3o o \u00e9, bem certo, pois actua ap\u00f3s a concep\u00e7\u00e3o), sendo recurso para o controlo da natalidade. Esta \u00e9 a consequ\u00eancia l\u00f3gica de uma decis\u00e3o de um Estado que decidiu amnistiar os crimes antes mesmo de eles terem sido praticados. Outra coisa n\u00e3o seria de esperar sen\u00e3o a sua utiliza\u00e7\u00e3o legitimada e sem controlo. Se a fuga aos impostos por motivo de especial necessidade fosse amnistiada a priori sem carecer de julgamento, muitos seriam os portugueses a dizer-se andrajosos, mesmo que a sua fortuna o negasse\u2026<\/p>\n<p>(Continua na pr\u00f3xima semana)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ditadura da opini\u00e3o (1)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-12669","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12669","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12669"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12669\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12669"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12669"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12669"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}