{"id":12673,"date":"2008-07-03T17:07:00","date_gmt":"2008-07-03T17:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=12673"},"modified":"2008-07-03T17:07:00","modified_gmt":"2008-07-03T17:07:00","slug":"transmissao-e-profissao-da-fe-um-problema-em-aberto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/transmissao-e-profissao-da-fe-um-problema-em-aberto\/","title":{"rendered":"Transmiss\u00e3o e profiss\u00e3o da f\u00e9, um problema em aberto"},"content":{"rendered":"<p>Muita gente da Igreja parece n\u00e3o ter entendido ainda que esta est\u00e1 posta perante um desafio que n\u00e3o a pode deixar indiferente: a op\u00e7\u00e3o inadi\u00e1vel dos crist\u00e3os por uma f\u00e9 consciente, esclarecida e socialmente comprometida.<\/p>\n<p>Gera\u00e7\u00f5es de cat\u00f3licos portugueses, hoje adultos \u00e0s portas da velhice ou j\u00e1 entrados nela, receberam a f\u00e9 num contexto pac\u00edfico e normal; o da fam\u00edlia crist\u00e3 tradicional que a transmitia, bem como a h\u00e1bitos religiosos, consciente de que era esse um seu dever em rela\u00e7\u00e3o aos filhos, ao lado de outros igualmente indiscut\u00edveis. <\/p>\n<p>J\u00e1 vai tempo em que muitas fam\u00edlias deixaram de o fazer, conservando, por\u00e9m, alguns desses h\u00e1bitos, hoje j\u00e1 frequentemente vazios de conte\u00fado religioso, mas com cargas sociais, pouco ou nada consequentes na vida do dia a dia. Assim se passa ainda, um pouco por todo o lado, em rela\u00e7\u00e3o ao baptismo, \u00e0 primeira comunh\u00e3o, ao casamento, ao funeral, \u00e0 festa do padroeiro e a outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas locais.<\/p>\n<p>De h\u00e1 tempos para c\u00e1 verifica-se, por\u00e9m, que muitas crian\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o baptizadas, muitos jovens baptizados deixam de casar na igreja, as festas dos santos se foram paganizando, alguns costumes religiosos desapareceram e que apenas resta, como preocupa\u00e7\u00e3o familiar que se defende a todo o custo, o funeral com padre.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a pr\u00e1tica dominical regular foi diminuindo para gente mais nova e o denominado preceito pascal j\u00e1 n\u00e3o passa de uma piedosa recorda\u00e7\u00e3o dos mais velhos. Verifica-se que a vida se organiza \u00e0 margem da f\u00e9 ou de qualquer influ\u00eancia religiosa e que o compromisso crist\u00e3o n\u00e3o tem nada de vinculativo no dia a dia  para muita gente que ainda se afirma como tal.<\/p>\n<p>Acresce que foram surgindo na sociedade focos de laicismo agn\u00f3stico e mesmo de ate\u00edsmo militante, gozando de pelouros de informa\u00e7\u00e3o e de ac\u00e7\u00e3o, que os tornam mais influentes do que o s\u00e3o por for\u00e7a pr\u00f3pria. Alguns deles se v\u00e3o encarregando de dar publicidade aos problemas da Igreja e \u00e0 incongru\u00eancia dos crist\u00e3os, para da\u00ed tirarem proveito para as suas posi\u00e7\u00f5es e ideologias.<\/p>\n<p>A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que, na Igreja Cat\u00f3lica, mormente depois do Vaticano II, n\u00e3o t\u00eam faltado iniciativas v\u00e1lidas que procuram a renova\u00e7\u00e3o dos seus membros, grupos e comunidades, quer no sentido de esclarecerem e motivarem as suas op\u00e7\u00f5es, quer de se abrirem para uma presen\u00e7a e ac\u00e7\u00e3o v\u00e1lidas e eficazes na sociedade.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que o mundo mudou e continua sujeito a mudan\u00e7as sociais e culturais. Os crist\u00e3os, como cidad\u00e3os deste mundo, n\u00e3o est\u00e3o imunes \u00e0s influ\u00eancias emergentes, nem podem viver com gente instalada e sem projectos. O que aparece mais urgente  neste contexto e antes de mais \u00e9 transmitir uma f\u00e9 esclarecida que se exprima numa ades\u00e3o livre e comprometida, a n\u00edvel pessoal e comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria tanto os crist\u00e3os como a Igreja, comunidade de crentes que mant\u00eam viva a sua consci\u00eancia de miss\u00e3o, nunca tiveram vida pac\u00edfica, embora em tempos e lugares concretos, as suas vidas tenham gozado de algum descanso e conforto. Esses tempos, por\u00e9m, acabaram e hoje o convite \u00e9 estarem acordados e vigilantes como as sentinelas, e activos como quem assumiu um compromisso de vida do qual vai depender a vida de tantos outros.<\/p>\n<p>Cada vez mais a catequese ou a forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 das crian\u00e7as, jovens e adultos \u00e9 um ensinamento para a vida e n\u00e3o uma ilustra\u00e7\u00e3o doutrinal religiosa, ainda que tamb\u00e9m seja esta. N\u00e3o se compadece com ser administrada por gente imatura ou n\u00e3o preparada, mas exige cada vez mais educadores da f\u00e9 que sejam, ao mesmo tempo, testemunhas vivenciais da f\u00e9 que professam e do valor vital do ensinamento doutrinal que prop\u00f5em.<\/p>\n<p>Tudo na Igreja deve ser ensinamento para a vida dos crentes e proposta s\u00e9ria para todas pessoas de boa vontade que procuram caminhos consistentes e abertos para a sua vida e que s\u00e3o muitos milhares. Por isso, a Igreja tem de viver um processo cont\u00ednuo de convers\u00e3o evang\u00e9lica. A sua natureza e identidade, assim como a sua miss\u00e3o permanente e singular, assim lho pedem e exigem, e n\u00e3o faltam pessoas de todos os quadrantes que esperam dela uma palavra viva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muita gente da Igreja parece n\u00e3o ter entendido ainda que esta est\u00e1 posta perante um desafio que n\u00e3o a pode deixar indiferente: a op\u00e7\u00e3o inadi\u00e1vel dos crist\u00e3os por uma f\u00e9 consciente, esclarecida e socialmente comprometida. 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