{"id":1269,"date":"2010-03-24T18:03:00","date_gmt":"2010-03-24T18:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=1269"},"modified":"2010-03-24T18:03:00","modified_gmt":"2010-03-24T18:03:00","slug":"casais-de-segunda-uniao-sao-casais-de-segunda-maos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/casais-de-segunda-uniao-sao-casais-de-segunda-maos\/","title":{"rendered":"Casais de segunda uni\u00e3o s\u00e3o casais de segunda m\u00e3os?"},"content":{"rendered":"<p>JO\u00c3O QUERIDO<\/p>\n<p>Elemento das Equipas de Nossa Senhora<\/p>\n<p>Numa era em que o n\u00famero de casais que se divorciam ou separam aumenta aceleradamente \u00e9 tempo de tentar analisar o acolhimento que a Igreja dispensa a estas pessoas. \u00c9 sabido que existem movimentos exclusivos para casais que contra\u00edram o seu matrim\u00f3nio na Igreja e que desejam aprofundar a sua f\u00e9 a dois, como \u00e9 o caso, por exemplo, do movimento das Equipas de Nossa Senhora. Mas, e para os outros? Para os \u00abn\u00e3o regulares\u00bb? <\/p>\n<p>Recordo-me muitas vezes da circunst\u00e2ncia que me fez conhecer o ent\u00e3o Bispo de Aveiro, D. Ant\u00f3nio Marcelino, logo no ano seguinte a ter vindo morar para Aveiro, no j\u00e1 long\u00ednquo ano de 1995. No \u00e2mbito da pastoral familiar, o Sr. Bispo queria criar uma equipa de casais com o fim de apoiar os casais recasados. Para tal tivemos forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, ouvimos testemunhos diversos, sobretudo do C\u00f3nego Carlos Paes, que acompanhava as \u00abEquipas de Santa Isabel\u00bb, constitu\u00eddas por casais recasados, na par\u00f3quia de S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, em Lisboa. Mas, infelizmente, ap\u00f3s dois anos, a equipa de Aveiro desfez-se com apenas uma ac\u00e7\u00e3o p\u00fablica, realizada em Maio de 1997 na par\u00f3quia de Esgueira, com o sal\u00e3o paroquial cheio. O bispo da diocese, entretanto, orientou v\u00e1rios encontros arciprestais sobre o tema, participados por muita gente interessada. Mas agora, cada vez com mais casais nestas circunst\u00e2ncias, o que se passa?  <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 objectivo deste artigo de opini\u00e3o imputar culpas, seja a quem for, pela n\u00e3o continua\u00e7\u00e3o desta auspiciosa tentativa de criar em Aveiro algo concreto para estes casais em sofrimento. Mas constato com tristeza que, ap\u00f3s 15 anos, nada mais se fez nesta \u00e1rea da pastoral familiar, nem em Aveiro, e, pelo que posso saber, talvez nem noutras dioceses de Portugal. Algumas confer\u00eancias e artigos, mas pouco mais. E, pior que isso, constato que a pr\u00e1tica de acolhimento defendida pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II na sua enc\u00edclica \u00abFamiliaris Consortio\u00bb, de 1981, refor\u00e7ada pela Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica do Papa Bento XVI \u201cSacramentum Caritatis\u201d, escrita em Fevereiro de 2007, da qual destaco \u00aba coopera\u00e7\u00e3o na vida comunit\u00e1ria, o di\u00e1logo franco com um sacerdote, o empenho na educa\u00e7\u00e3o dos filhos\u00bb n\u00e3o tem sido suficiente para que esses casais se aproximem da Igreja de Cristo, ou sintam o interesse desta.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, tenho assistido recentemente a testemunhos de dificuldades que esses casais sentem em baptizar os filhos de uma segunda uni\u00e3o, em algumas par\u00f3quias da diocese de Aveiro. <\/p>\n<p>Outra realidade que emerge \u00e9 a dos casais que vivem em uni\u00e3o de facto, sem qualquer v\u00ednculo, civil ou religioso. Do mesmo modo aqui constato que existem p\u00e1rocos que s\u00f3 aceitam baptizar os filhos dessa uni\u00e3o se, entretanto, os pais se casarem pela Igreja. N\u00e3o \u00e9 valorizado o facto de os padrinhos responderem \u00e0s exig\u00eancias da Igreja e se responsabilizarem pela educa\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica da crian\u00e7a em quest\u00e3o ou esta ter nos av\u00f3s, por exemplo, alguma garantia dessa educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o, ou os pais contraem o matrim\u00f3nio ou o filho apenas poder\u00e1 ser baptizado na catequese antes de poder fazer a primeira comunh\u00e3o. \u00c9 assim que abrimos a todos as portas do reino de Deus? Os filhos t\u00eam culpa da situa\u00e7\u00e3o matrimonial dos pais? Ter\u00e1 o direito ao Baptismo de estar ligado \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de casamento religioso dos pais?<\/p>\n<p>Este \u00e9 o momento de fazer algo. \u00abPorque a Igreja n\u00e3o pode estar pastoralmente tranquila ante esta dolorosa realidade\u00bb, conforme refere D. Ant\u00f3nio Marcelino, na revista \u00abF\u00f3rum Canonicum\u00bb, (Vol. III-1). Porque n\u00e3o criar at\u00e9 uma Pastoral espec\u00edfica para estes casais? \u00c9 importante a Pastoral Familiar, sim, mas esta pastoral n\u00e3o pode ser apenas dirigida aos casais que vivam em comunh\u00e3o pelo sacramento do Matrim\u00f3nio. H\u00e1 que abarcar e acolher \u00abos outros\u00bb. De outro modo, num momento em que o n\u00famero de casamentos cat\u00f3licos \u00e9 cada vez menor, daqui a uns anos teremos a Igreja e os templos sem casais nem fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o Movimento das Equipas de Nossa Senhora, a que perten\u00e7o, se deve debru\u00e7ar sobre este problema. No Encontro Internacional de Respons\u00e1veis Regionais das Equipas de Nossa Senhora, em Janeiro de 2003, em Roma, reflectiram, debateram e decidiram as Orienta\u00e7\u00f5es do Movimento para os anos 2006-2012. Uma delas \u00e9: \u00abO nosso Movimento deve acolher, com caridade e miseric\u00f3rdia, as novas realidades vividas pelos casais e estar ao servi\u00e7o da sociedade no que toca ao dom\u00ednio conjugal e familiar (\u2026) tomando iniciativas para que nas\u00e7am e se desenvolvam grupos ou novos movimentos que respondam, a partir do nosso carisma, \u00e0s novas situa\u00e7\u00f5es dos casais\u00bb. Em Fran\u00e7a, onde o movimento nasceu, j\u00e1 foram criadas as equipas \u00abReliance\u00bb (1). Em Portugal n\u00e3o consta ter sido feito nada. E 2012 j\u00e1 est\u00e1 t\u00e3o perto!<\/p>\n<p>Neste tempo de Quaresma, acolhamos estes casais, como Jesus acolheu a Samaritana. Voltando a citar o nosso Bispo Em\u00e9rito, \u00abDeus n\u00e3o suporta as nossas in\u00e9rcias, quando s\u00e3o fruto de um comodismo assumido ou de um alheamento para com os outros\u00bb. E sobretudo quando tratamos os casais em segunda uni\u00e3o como casais de segunda m\u00e3o.<\/p>\n<p>(1) S\u00edtio em http:\/\/www.equipes-notre-dame.fr\/index.php?Itemid=62&#038;id=25&#038;option=com_content&#038;task=view <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JO\u00c3O QUERIDO Elemento das Equipas de Nossa Senhora Numa era em que o n\u00famero de casais que se divorciam ou separam aumenta aceleradamente \u00e9 tempo de tentar analisar o acolhimento que a Igreja dispensa a estas pessoas. \u00c9 sabido que existem movimentos exclusivos para casais que contra\u00edram o seu matrim\u00f3nio na Igreja e que desejam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-1269","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1269","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1269"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1269\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}